Humorista Renato Aragão estava a bordo de avião que caiu em Campina Grande e deixou 13 mortos e 27 feridos
Um acidente com um Curtiss C-46A-45-CU Commando da extinta Lóide Aéreo Nacional deixou treze mortos na madrugada de 5 de setembro de 1958, nas proximidades de Campina Grande, na Paraíba. Entre ocupantes estava o humorista Renato Aragão, então estudante de Direito de 23 anos, que sobreviveu ao acidente.
O avião, de matrícula PP-LDX, colidiu com um morro durante tentativa de aproximação sob forte névoa. O relatório final apontou erro de procedimento por parte do piloto e informação meteorológica incorreta como fatores contribuintes.
O voo 652 partiu do Rio de Janeiro com destino final a Fortaleza, realizando escalas programadas em Vitória, Ilhéus, Salvador, Aracaju, Maceió e Recife. Após a parada em Recife, seguiria para Campina Grande antes de concluir a etapa até a capital cearense.
Na aproximação para o aeroporto de Campina Grande, a tripulação enfrentava forte névoa, que reduzia significativamente a visibilidade.
A primeira tentativa de pouso foi frustrada, mas uma nova foi realizade com final trágico. Conforme relato registrado no livro “O Rastro da Bruxa – História da aviação comercial brasileira no século XX através de seus acidentes“, de Carlos Ari César Germano da Silva, a aeronave realizou uma arremetida e iniciou nova aproximação, voando em baixa altura para buscar referências visuais.
A altitude mínima de segurança na região era de 647 metros. O avião, entretanto, voava a cerca de 520 metros quando uma das asas colidiu com um morro e se desprendeu da fuselagem. A aeronave foi destruída no impacto. O acidente, considerado um voo controlado contra o terreno (CFIT, na sigla em inglês) era uma realidade comum na década de 1950.
À época, a área do acidente era uma região de mata afastada da cidade. Atualmente, o local está inserido em zona urbana, nas imediações do Presídio do Serrotão, próximo ao distrito de São José da Mata.
Das quarenta pessoas a bordo, treze morreram (11 passageiros e 2 tripulantes), incluindo um piloto e o radiotelegrafista.
O relatório final atribuiu o acidente a erro de procedimento do piloto, que teria adotado técnica inadequada de aproximação em condições meteorológicas adversas. Também foi apontada como fator contribuinte a prestação de informação meteorológica incorreta à tripulação.
O então estudante Renato Aragão havia embarcado para retornar a Fortaleza após participar de jogos universitários. O relato foi registrado no documentário “Nosso Querido Trapalhão”, produzido em comemoração aos cinquenta anos de carreira do artista.
“O avião quebrou a asa, quebrou a cauda, e eu fiquei nessa parte que sobrou. Aí, pronto… Eu de cabeça pra baixo, pancada, cadeira voando”, disse Renato Aragão, relembrando o momento do impacto. “Foi aí que eu vi um quadro horroroso, com muita gente morta, muita gente ferida, pessoas incendiando, gente ajudando”.
Segundo o relato, Aragão e um colega permaneceram no local auxiliando outros sobreviventes até a chegada de ajuda. Posteriormente, deixaram a área após perceberem movimentação de pessoas armadas que se aproximavam do avião. A dupla caminhou até Campina Grande e, depois, conseguiu seguir viagem até Fortaleza, onde reencontrou familiares.
O Curtiss C-46 Commando é um avião bimotor a pistão de transporte desenvolvido no final dos anos 1930, tendo voado pela primeira vez em 26 de março de 1940 e amplamente utilizado durante a Segunda Guerra Mundial.
Com grande capacidade de transporte e alcance acima de 5.000 quilômetros, o Commando foi um dos principais aviões da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF, na sigla em inglês) e por outras forças aéreas aliadas no conflito e nos anos do pós-guerra. O modelo exerceu função similar à do Douglas C-47 Skytrain, mas teve produção muito menor, com pouco mais de 3.100 unidades produzidas.
Após o conflito, o C-46 foi usado no mercado civil e consolidou-se como cargueiro em operações remotas, com registros de uso até dias atuais.
No Brasil, o Curtiss C-46 foi operado por diversas empresas aéreas, como o Lóide Aéreo Nacional, pela Varig e pela Sadia, assim como pela Força Aérea Brasileira. Um exemplar militar encontra-se preservado no Museu Aeroespacial (Musal), localizado no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro.
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