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Remake hollywoodiano de thriller francês, sucesso de bilheteria com Johnny Depp chega à HBO Max

Remake hollywoodiano de thriller francês, sucesso de bilheteria com Johnny Depp chega à HBO Max

Em “O Turista” (2010), dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck, Johnny Depp interpreta Frank Tupelo, um professor americano tentando se recompor após uma decepção amorosa. Ele chega à Itália buscando anonimato, dias previsíveis e nenhuma complicação emocional. Esse plano dura pouco. Ainda no início da viagem, Frank cruza o caminho de Elise Ward, personagem de Angelina Jolie, uma mulher elegante, enigmática e visivelmente acostumada a ser observada.

Elise se aproxima de Frank de forma direta, mas nunca totalmente transparente. Ela escolhe onde sentar, quando falar e o quanto revelar. Frank aceita a companhia quase por inércia, mais curioso do que confiante. A partir desse contato, o passeio turístico vira outra coisa. O que parecia um encontro casual passa a atrair atenção demais, de gente demais, no ritmo errado.

Enquanto Frank tenta entender por que está sendo seguido, o inspetor John Acheson, vivido por Paul Bettany, acompanha tudo à distância. Ele lidera uma operação policial que envolve vigilância constante, cruzamento de informações e uma clara disputa por controle. Acheson não age por impulso: observa, espera, testa limites. Isso cria uma pressão contínua sobre Frank, que passa a ser tratado como alguém importante sem saber exatamente por quê.

O charme do filme está nessa assimetria. Frank não domina o jogo, não conhece as regras e claramente não tem preparo para lidar com criminosos, agentes e perseguições. Johnny Depp trabalha bem esse deslocamento, apostando em reações contidas, humor nervoso e uma certa incredulidade permanente. Ele não tenta parecer esperto demais, e isso ajuda o público a se colocar no lugar do personagem.

Angelina Jolie, por sua vez, constrói Elise como alguém que controla o ambiente sem levantar a voz. Ela se move com segurança, sabe quando avançar e quando desaparecer, e nunca entrega tudo de uma vez. A personagem funciona como motor da trama: cada decisão dela empurra Frank para mais perto do perigo, mesmo quando o gesto parece afetuoso ou protetor.

A Itália não é só cenário bonito. Hotéis, trens e ruas apertadas viram espaços de tensão, onde qualquer deslocamento chama atenção e toda escolha tem consequência imediata. O filme usa esses ambientes para encurtar o tempo de reação dos personagens. Não há muito espaço para planejamento, apenas para improviso.

Há também espaço para humor, sempre baseado no contraste entre o turista comum e o mundo sofisticado e perigoso em que ele foi jogado. São momentos rápidos, quase de alívio, que não quebram a tensão, mas ajudam a tornar Frank mais humano e próximo.

Como thriller romântico, “O Turista” não aposta em violência gráfica nem em grandes reviravoltas explícitas. Ele prefere manter o suspense na dúvida, na vigilância constante e no jogo de aparências. Nem tudo é explicado de imediato, e isso faz parte da experiência. O filme confia mais no clima do que no impacto.

O que mantém “O Turista” é essa relação instável entre Frank e Elise, mediada pela ameaça constante representada por Acheson e seus homens. É um filme que talvez não surpreenda pelo enredo, mas funciona pela dinâmica entre os atores, pelo ritmo elegante e pela forma como transforma um simples encontro em uma situação cada vez mais arriscada.

Filme:
O Turista

Diretor:

Florian Henckel von Donnersmarck

Ano:
2010

Gênero:
Ação/Romance/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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