A franquia Sidelined nunca pretendeu ser sofisticada. E talvez seja exatamente aí que “Outro Amor Fora do Tempo” encontra sua razão de existir: na honestidade quase constrangedora de um romance jovem que entende seu próprio alcance e não tenta fingir densidade onde só há desejo, ansiedade e Wi-Fi instável. A continuação dirigida por Justin Wu retorna ao universo de Drayton e Dallas com a missão ingrata de prolongar um encanto que já havia se resolvido de maneira surpreendentemente madura no primeiro filme. O problema é que maturidade raramente rende conflito, e conflito é o combustível mínimo desse tipo de narrativa.
A trama retoma a relação entre Drayton Lahey, agora quarterback universitário vivido novamente por Noah Beck, e Dallas Bryan, interpretada por Siena Agudong, uma dançarina tentando decidir se talento basta quando o futuro exige escolhas práticas. A distância física se impõe, mas não por catástrofes ou traições. O afastamento nasce de agendas, expectativas e inseguranças mal formuladas. Eles se gostam, talvez demais, e é justamente isso que esvazia o drama. O filme aposta em um amor funcional demais para um gênero que sobrevive do excesso.
A decisão mais interessante do roteiro é permitir que Drayton e Dallas não se destruam para seguir caminhos distintos. Ninguém trai, ninguém grita verdades irreversíveis, ninguém vira vilão. Há algo quase pedagógico nessa escolha, como se o filme dissesse a seu público jovem que amar não exige anular projetos pessoais. É uma ideia correta, até elegante, mas dramaticamente ingrata. Relações saudáveis raramente rendem cenas memoráveis, e “Outro Amor Fora do Tempo” sofre por levar seus protagonistas a sério demais.
O roteiro até ensaia uma tensão extra ao introduzir Skyler, personagem de Charlie Gillespie, cuja proximidade com Dallas poderia provocar ciúme, desconforto ou ao menos dúvida. Mas Drayton parece existir numa bolha emocional tão autocentrada que sequer percebe o risco. A ausência de ciúme não soa madura, soa distraída. Fica a sensação de que o filme evita deliberadamente qualquer conflito que exija desconforto real.
Noah Beck retorna mais rígido do que antes. Seu Drayton funciona como imagem, não como presença dramática. O carisma está lá, mas o corpo parece desconectado da situação, como se o personagem atravessasse os próprios problemas sem ser afetado por eles. Siena Agudong sustenta boa parte do filme com uma entrega mais sincera, dando a Dallas dúvidas compreensíveis e alguma densidade emocional. Ainda assim, a relação entre os dois nunca atinge fricção suficiente para convencer.
Curiosamente, o elenco de apoio injeta mais vida ao filme. Charlie Gillespie entende o tom e se diverte dentro dele, criando uma energia que falta ao casal central. A sequência musical liderada por seu personagem é o momento em que o filme finalmente respira, abandona a obrigação narrativa e aceita ser entretenimento juvenil sem culpa.
Justin Wu conduz tudo com ritmo ágil, cores limpas e aquela estética polida típica de produções pensadas para circular bem em telas pequenas. O filme anda rápido porque sabe que não pode parar. Se parasse, seria obrigado a encarar a fragilidade do conflito. “Outro Amor Fora do Tempo” não quer ser lembrado, quer ser consumido. Funciona como distração, como continuação protocolar, como produto que entende seu público.
O filme não falha por ser raso, mas por ser educado demais. Falta-lhe angústia, exagero, aquela dor juvenil que faz o espectador rir de si mesmo anos depois. Ainda assim, há algo curiosamente honesto em sua recusa ao drama fácil. Talvez não seja um grande romance, mas é um retrato fiel de amores que não acabam em tragédia, apenas seguem caminhos paralelos. E isso, mesmo sem impacto, tem seu valor.
Filme:
Outro Amor Fora do Tempo
Diretor:
Justin Wu
Ano:
2025
Gênero:
Esporte/Romance
Avaliação:
7/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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