Embora ainda considere difícil estimar os impactos positivos mais detalhados por categorias de produtos o acordo Mercosul-União Europeia, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) acredita no potencial a ser destravado no grupo de estados definidos como as “Onças Brasileiras”.
Esse conceito, inspirado nos Tigres Asiáticos que lideraram o crescimento daquele continente na segunda metade do século XX, abrange os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. No caso brasileiro, representa um grupo de estados que apresentam um conjunto de fatores como desenvolvimento econômico consistentemente acima da média nacional, elevado IDH, eficiência governamental e estabilidade institucional.
Um relatório da área de research da ApexBrasil destaca estimativas de um aumento de cerca de 49 bilhões de euros nas exportações da UE para o Mercosul até 2040, um número relativamente modesto em termos absolutos, mas com forte significado geoeconômico, ao combinar ganhos econômicos com posicionamento estratégico.
“O setor mais interessado nesse acordo é a indústria europeia, especialmente os segmentos automotivo, químico e de maquinário, que ganhariam maior competitividade na América do Sul”
Para o Mercosul, as exportações à Europa devem crescer cerca de 9 bilhões de euros até 2040, diz a agência, o que vai beneficiar principalmente o agronegócio, que tem alta competitividade no mercado europeu. “A liberalização tarifária para o setor foi o principal entrave para a aprovação dentro da UE, com grande contestação por parte dos agricultores europeus. Como resultado, foram definidos limites de quantidade para produtos com tarifas reduzidas, mecanismos de salvaguarda de preços, além de exigências ambientais e sanitárias mais rigorosas”, diz o texto.
Especificamente para o conjunto de estados chamados de “onças”, espera-se um impacto positivo relativamente maior em suas economias, em função da composição da parcela exportada, que apresenta maior participação de commodities e produtos da agroindústria, segmentos que tendem a ser mais beneficiados com a entrada em vigor do acordo.
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“O acordo representa uma oportunidade para os estados das Onças Brasileiras reposicionarem a composição de seu comércio exterior, ampliando sua participação no mercado europeu. Ao mesmo tempo, surge a necessidade de adaptação dos setores impactados, tanto do lado dos exportadores, que deverão atender às regulações e exigências da União Europeia, quanto das indústrias domésticas, que passarão a competir com produtos europeus potencialmente mais baratos.”
Para o Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, a fatia do valor total de exportação destinada à União Europeia ainda está muito concentrado na Agroindústria, enquanto Espírito Santo e Mato Grosso do Sul ainda conseguem equilibrar melhor essa conta com extrativa mineral e manufaturas. Santa Catarina, por sua vez, mostra mais força na indústria de transformação.
Para os estados das Onças Brasileiras, a agência diz que o acordo representa uma oportunidade de ampliar seu protagonismo na economia global, ao direcionar um volume maior de exportações da agroindústria à União Europeia e conquistar uma fatia mais expressiva do mercado internacional.
“A infraestrutura logística de parte dos estados do grupo, como Espírito Santo, Santa Catarina e Paraná, será um fator relevante para sustentar a expansão do fluxo comercial entre o Brasil e a Europa”, defende a área de research.
“Sob a ótica exclusiva do valor corrente do comércio internacional, o impacto direto pode parecer relativamente limitado. No entanto, é fundamental reconhecer que essa abertura comercial também facilita o acesso a tecnologias, máquinas e insumos europeus, contribuindo para o aumento da competitividade do mercado brasileiro e para o aumento da complexidade econômica do País. O acordo Mercosul-União Europeia, portanto, amplia as oportunidades de parcerias, investimentos e intercâmbio entre gigantes da economia global, e as Onças Brasileiras devem morder uma fatia importante desses ganhos.”
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