“O Grande Hotel Budapeste”, de Wes Anderson, começa com uma leitora diante do memorial de um escritor e com um livro que puxa um relato em camadas. O Autor visita o Grand Budapest já decadente, encontra Zero Moustafa e ouve dele a decisão de contar a própria juventude. O salto para 1932 vem como consequência direta dessa conversa, sem demora nem rodeio.
Em “O Grande Hotel Budapeste”, Zubrowka aparece como ponto de partida concreto quando Zero, interpretado por Tony Revolori, é contratado como lobby boy e passa a servir Monsieur Gustave H. A tutela do concierge organiza tarefas e circulação dentro do hotel, mas o vínculo de Gustave com hóspedes ricas, incluindo Madame D., desloca a rotina para um terreno em que acesso e influência não ficam restritos ao balcão. O trabalho de Zero entra, de imediato, na órbita do que pode cobrar um preço fora do horário de serviço.
A morte de Madame D. após uma visita empurra Gustave e Zero para funeral, espólio e disputa, e a briga se concentra num objeto. O advogado anuncia que o quadro renascentista “Boy with Apple” fica com Gustave, e a reação do herdeiro Dmitri vem na hora, sem espaço para conciliação. O choque do caso é objetivo: o quadro muda de mãos e o hotel passa a carregar um conflito que não cabe nos corredores. Ralph Fiennes sustenta a virada de posição do concierge pelo gesto mais simples possível: ganhar o quadro basta para fazê-lo carregar um alvo.
Gustave e Zero retiram a pintura e a escondem no hotel, e o risco troca de escala no mesmo movimento. O depoimento de Serge implicando Gustave fecha a suspeita sobre o concierge e leva à prisão, arrancando-o do lugar em que comandava e empurrando-o para um ambiente em que comando não compra nada. A troca do balcão pela cela é seca porque o caso passa a depender de contato, acesso e prova, não de reputação.
A remessa de doces vira o canal de ação quando Gustave recebe as caixas e transforma aquele trânsito em oportunidade. Zero e Agatha, da confeitaria Mendl’s, enviam ferramentas escondidas nas encomendas, e a possibilidade de fuga deixa de ser conversa para virar logística. Detentos usam as ferramentas, escapam e libertam Gustave, e o caso troca papelada por deslocamento, com decisões tomadas sob risco imediato. A saída não é um discurso; é uma entrega bem-feita.
O Autor volta ao Grand Budapest decadente, e o retorno ao hotel em ruína recoloca o relato no tempo de quem atravessou a queda do lugar. A lembrança não altera os fatos do quadro e do espólio, mas recoloca a perseguição num presente já gasto, onde nada do luxo resolve o que ficou pendente. O efeito prático é manter o foco preso ao que ainda falta resolver na rua, onde prova e documento podem desaparecer a qualquer erro de cálculo.
Dmitri não recua e aciona J. G. Jopling para ameaçar e silenciar quem pode falar. Para avançar sem se expor sozinho, Gustave e Zero recorrem à Society of the Crossed Keys, rede de concierges que ajuda a localizar Serge e viabilizar um encontro. Serge afirma ter sido pressionado, aponta Dmitri e menciona um “segundo testamento”, mas Jopling chega e mata a testemunha, e a informação fica sem corpo que a sustente. A pista nasce e é cortada no mesmo movimento.
Inspector Henckels põe a polícia no encalço de Gustave e Zero, e a fuga passa a ter também uma força institucional no caminho. Sinais de endurecimento político e militarização estreitam as margens de circulação, tornando cada deslocamento mais arriscado enquanto a busca por documento e prova segue aberta. Com Serge morto e a perseguição ativa, o “segundo testamento” permanece como pista sem garantias sob a caçada policial.
Filme:
O Grande Hotel Budapeste
Diretor:
Wes Anderson
Ano:
2014
Gênero:
Comédia/Drama
Avaliação:
9/10
1
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Natália Walendolf
★★★★★★★★★★
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