Quase um ano após tornar pública uma dívida que ultrapassava seis dígitos, a situação da Saliba Viagens, empresa mineira de receptivo x ViagensPromo, permanece praticamente inalterada. O que mudou, segundo Hamilton Saliba Junior, foi o desgaste. Em nova entrevista exclusiva ao Mercado & Eventos, o empresário, acompanhado de seu advogado, Dr. Rafael Gonçalves, voltou a falar sobre o impacto prolongado do caso ViagensPromo, que continua afetando fornecedores, colaboradores e famílias em todo o país.
Em março de 2025, Junior relatou que a dívida com a ViagensPromo se arrastava desde dezembro de 2024 e que a operadora havia simplesmente interrompido qualquer tentativa de diálogo. Passados quase doze meses, o silêncio permanece. “É frustrante. A gente não pede milagre, pede conversa. Pede que alguém sente e diga: ‘não consigo pagar agora, mas vamos tentar resolver’. O que machuca é o abandono”, desabafa.
A Saliba Viagens ingressou com ação judicial, mas esbarra em obstáculos que, segundo o empresário, parecem se repetir em todos os processos movidos contra a operadora. “Você entra na Justiça acreditando que ali vai encontrar uma resposta. Mas até a Justiça está tendo dificuldade de encontrar quem deve. É muito duro perceber isso”, afirma.
Para o advogado Rafael Gonçalves, o caso já se consolidou como um cenário de litigiosidade em massa. “Não estamos falando de um ou dois fornecedores. São centenas, possivelmente milhares de ações judiciais espalhadas pelo Brasil. Isso evidencia um colapso sistêmico que empurrou empresários ao Judiciário como última alternativa”, explica.
Segundo ele, a principal dificuldade hoje é a localização da empresa e de seus responsáveis para atos básicos do processo, como a citação. “Mesmo utilizando endereços oficiais, constantes em registros públicos e até em outros processos judiciais, os mandados retornam negativos. Isso se repete de forma reiterada e compromete a duração razoável do processo”, diz. Gonçalves ressalta que não faz acusações precipitadas, mas aponta indícios de manobras evasivas que acabam agravando ainda mais a situação dos credores.
Hamilton Junior fala do contraste com outras crises do setor para tentar traduzir sua indignação. “Eu já passei por pandemia, por operadoras quebrando, por momentos difíceis. Em outras situações, os fornecedores foram procurados, houve negociação, parcelamento. Ninguém gosta de perder, mas pelo menos existia respeito. Aqui, nem isso”, lamenta.
O empresário reforça que não conhece um único fornecedor que tenha recebido valores ou sequer sido contatado pela ViagensPromo. “Tudo o que se fala é da boca pra fora. A entrevista que o Sr Kido deu a outro veículo não se confirma na vida real. Não existe ligação, não existe e-mail, não existe acordo. Existe só quem ficou com o prejuízo tentando sobreviver”, afirma.
Além das dificuldades financeiras, o impacto emocional também é profundo. Junior conta que perdeu noites de sono, viu planos serem adiados e precisou se reinventar para manter a empresa funcionando. “A gente não perde só dinheiro. A gente perde paz, perde saúde, perde tempo de vida. E isso ninguém devolve”, diz.
Apesar do cenário adverso, a Saliba Viagens conseguiu, aos poucos, se reerguer. A empresa retomou operações por meio de parcerias com a Visual e a EHTL, apoiada por um histórico de credibilidade no trade. “Somos pequenos, mas sempre trabalhamos com honestidade. E o mercado reconhece isso. Foi isso que nos salvou”, conta Junior.
Ainda assim, ele faz questão de frisar que seguir operando não significa abrir mão do que lhe é devido. “Eu não vou deixar isso morrer. Não é vingança, é justiça. É o direito de uma empresa que foi construída com suor, com sacrifício, com o esforço da minha família”, afirma.
Do ponto de vista jurídico, Rafael Gonçalves reforça a importância de não desistir. “A ação judicial não garante um resultado imediato, mas ela preserva o direito. Quem desiste agora, na prática, abre mão de qualquer possibilidade futura de recuperação”, alerta.
Hamilton encerra com um discurso que mistura resistência e esperança. “Eu não vou permitir que alguém destrua um sonho e siga a vida como se nada tivesse acontecido. Se eu tiver que lutar até o último dia, eu vou lutar. Por mim, pela minha empresa e por todos que não conseguiram ficar de pé”, concluiu.
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