Nordeste Magazine
Cultura

Quando o amor desafia a razão: drama romântico no Prime Video vai te emocionar como poucos

Quando o amor desafia a razão: drama romântico no Prime Video vai te emocionar como poucos

Em Los Angeles, nos dias atuais, uma jovem prestes a completar 18 anos decide desafiar a própria condição médica para experimentar o mundo pela primeira vez, e, claro, por causa de um garoto que aparece do outro lado da janela.

“Tudo e Todas as Coisas”, dirigido por Stella Meghie, acompanha Maddie Whittier, interpretada por Amandla Stenberg, uma garota que vive confinada dentro de casa desde a infância após ser diagnosticada com uma doença rara que a impede de ter contato com o ambiente externo. Tudo ao seu redor é controlado: o ar, os objetos, as visitas. Sua mãe, Pauline (Anika Noni Rose), médica dedicada e vigilante, construiu uma rotina rígida para garantir que a filha sobreviva, ainda que isso signifique viver sem, de fato, viver.

Maddie lê muito, observa o mundo pela janela e mantém uma relação cuidadosa com sua enfermeira, Carla, que funciona quase como uma ponte emocional com o lado de fora. Mas essa estabilidade começa a rachar quando uma nova família se muda para a casa vizinha. Entre caixas, mudanças e um pai temperamental, surge Olly Bright, vivido por Nick Robinson, um garoto curioso, inquieto e imediatamente interessado na menina que nunca sai de casa.

O primeiro contato acontece à distância, como quem testa território: olhares, bilhetes improvisados, mensagens digitais. Aos poucos, a janela deixa de ser apenas um limite físico e vira um espaço de encontro. Maddie, que sempre teve sua vida mediada por protocolos, começa a tomar pequenas decisões por conta própria, responder uma mensagem, manter uma conversa, esconder um detalhe da mãe. Pode parecer pouco, mas, naquele contexto, cada gesto é quase um ato de rebeldia.

Olly não demora a perceber que há algo mais sério por trás do isolamento de Maddie, mas, em vez de recuar, ele se aproxima com uma mistura de leveza e insistência adolescente. Ele traz histórias, piadas, provocações, coisas simples, mas que para Maddie têm peso de descoberta. É nesse ponto que o filme encontra seu ritmo mais envolvente: o romance nasce não do toque, mas da expectativa dele.

Eventualmente, a relação ultrapassa a barreira virtual. Com a ajuda relutante de Carla, Maddie organiza um encontro dentro de casa, seguindo regras rígidas de proteção. Luvas, distância, tempo contado. Ainda assim, o impacto é imediato. O que antes era imaginação ganha corpo, e isso muda tudo. Maddie percebe que viver apenas na segurança já não basta, e que o risco começa a parecer, paradoxalmente, mais honesto do que a proteção constante.

A partir daí, a história avança para um território mais delicado. Maddie começa a questionar a autoridade da mãe, que até então era absoluta. Pauline, por sua vez, reage como alguém que sente o controle escapar pelas mãos. O embate entre as duas não é explosivo, mas é firme, feito de silêncios, decisões escondidas e tentativas de retomar uma ordem que já não se sustenta.

O ponto de virada vem quando Maddie decide sair de casa sem autorização. Não é um gesto impulsivo no sentido raso; é uma escolha construída ao longo de pequenas transgressões. Com a ajuda de Olly, ela organiza uma viagem curta, quase um experimento de liberdade. Pela primeira vez, ela sente o sol sem filtro, o vento sem cálculo, o toque sem barreiras. E, claro, tudo isso vem acompanhado de um risco real, que o filme não ignora.

O retorno dessa experiência não é simples. Maddie precisa lidar com as consequências físicas e emocionais da decisão, enquanto Pauline tenta restabelecer o controle com ainda mais rigor. Só que algo já mudou de forma irreversível: Maddie não aceita mais ser apenas protegida. Ela quer entender, decidir e, principalmente, participar da própria vida.

“Tudo e Todas as Coisas” constrói sua narrativa sobre esse conflito direto entre proteção e autonomia, sem recorrer a grandes reviravoltas mirabolantes. O que sustenta o filme é a progressão das escolhas de Maddie, cada uma delas um pouco mais arriscada que a anterior, cada uma delas mais difícil de desfazer. Há momentos de leveza, especialmente nas interações com Olly, que funcionam como respiro, mas nunca anulam o peso da situação.

Esse não é apenas romance improvável, mas de uma jovem que decide trocar a certeza da sobrevivência pela possibilidade de viver de verdade, ainda que isso venha sem garantia nenhuma.

Filme:
Tudo e Todas as Coisas

Diretor:

Stella Meghie

Ano:
2017

Gênero:
Drama/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Veja também

Romance épico com Charlie Hunnam e Anne Hathaway baseado em livro de Charles Dickens está no Prime Video

Redação

Quase ninguém esperava, mas essa antologia de terror da Netflix entrega algumas das histórias mais perturbadoras do gênero

Redação

Diagnóstico e autoconhecimento: drama sobre revelação de autismo na idade adulta chega à Netflix

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.