Previsivelmente, 2025 parecia ser um ano morno para o jornalismo televisivo: sem grandes eventos esportivos ou eleições. Seria um período de preparação e movimentações para a Copa do Mundo e para a disputa presidencial que chegará no próximo ano. Mas a rotina não se esvaziou. O julgamento da tentativa de golpe, os inúmeros casos políticos e os embates econômicos vindos de Brasília mantiveram a pauta aquecida e deram fôlego às redações.
Para a televisão em si, a maior novidade do ano não veio das ruas, mas dos bastidores: a saída de William Bonner da bancada do “Jornal Nacional” e sua substituição por César Tralli. A dança das cadeiras abriu espaço para uma tardia promoção de Natuza Nery, que finalmente alcançou o protagonismo merecido ao assumir o comando do “Edição das 18h”, da GloboNews, e faturou o prêmio de “Melhor Apresentadora”. O movimento simboliza não apenas uma mudança de nomes, mas uma reconfiguração das forças dentro do telejornalismo brasileiro, em um ano que parecia destinado à calmaria, mas que acabou revelando transformações profundas.
Se no campo das bancadas a grande movimentação veio da Globo, coube à Band o reconhecimento de “Melhor Telejornal”, ao apostar em um formato direto e útil ao cotidiano. Em contrapartida, o jornalismo perdeu um de seus espaços mais preciosos com a desvalorização gradual do “Profissão Repórter”, símbolo de profundidade e experimentação narrativa, que sucumbiu ao horário ingrato e à decisão de virar quadro do “Fantástico”.
Na cobertura ambiental, o grande evento do ano foi a COP 30, que catapultou André Trigueiro ao posto de “Melhor Comentarista”. Sua atuação reafirmou a importância de especialistas capazes de traduzir debates globais para o impacto concreto na vida do cidadão, mostrando que, mesmo em um ano sem eleições ou grandes torneios, o jornalismo televisivo encontrou pautas e protagonistas capazes de marcar presença.
No esporte, 2025 foi marcado pelo caráter efetivo das transmissões espalhadas por canais e plataformas de streaming, consolidando um cenário fragmentado e competitivo. A chegada da GE TV ampliou a disputa direta com a Cazé TV, que segue ganhando espaço relevante e consagrou Luís Felipe Freitas como “Melhor Narrador”, símbolo de uma geração que se aproxima do estilo radiofônico e privilegia a leveza sem perder o rigor.
O jornalismo esportivo vive um processo de renovação e rejuvenescimento: equipes e formatos tradicionais se transformam, abrindo espaço para novas linguagens e protagonistas. Nesse contexto, o ano volátil de Galvão Bueno expôs a dificuldade dos narradores clássicos em se reinventarem diante da multiplicidade de plataformas. O resultado é um esporte televisivo em transição, em que tradição e inovação se confrontam diariamente, redefinindo o modo como o público acompanha e se relaciona com as transmissões.
Melhor Telejornal
“JORNAL DA BAND”, DA BAND
Feliz no simples
O “Jornal da Band” se destaca por oferecer o essencial do telejornalismo: um arroz-com-feijão bem temperado, sem afetações, sustentado por uma bancada sólida e confiável. Ao privilegiar a clareza e a utilidade, traz informações que dialogam diretamente com o cotidiano do cidadão, sem se perder em análises distantes da realidade. Nesse cenário, a presença de Adriana Araújo ganha destaque importante: após uma saída conturbada da Record, marcada por divergências editoriais e desgaste interno, ela encontrou na Band um espaço de estabilidade e coerência com sua postura profissional. Sua atuação reforça a credibilidade do noticiário e exemplifica como o telejornal pode unir simplicidade, consistência e âncoras que transmitem confiança e proximidade ao público.
Melhor Produção Jornalística de Variedades
“PROFISSÃO REPÓRTER”, DA GLOBO
Escolha segura
O “Profissão Repórter” consolidou-se como o melhor programa de produção jornalística da televisão brasileira, sustentado pela credibilidade e energia de Caco Barcellos, que segue em plena forma. Com pautas que impactam a sociedade, o programa consegue, mesmo sendo semanal, manter os assuntos quentes da semana, trazendo novidades e detalhes inéditos em um mergulho profundo nas histórias contadas – algo quase em extinção no jornalismo televisivo atual. No entanto, o horário tardio já enfraquece sua audiência e, diante da decisão de transformá-lo em um quadro do “Fantástico” no próximo ano, o programa dá sinais de uma saída de fininho da grade da Globo. Trata-se de uma perda significativa para o jornalismo mais consistente, que vê um de seus últimos espaços de experimentação e narrativa investigativa ser reduzido.
Melhor Apresentador(a) de Telejornal
NATUZA NERY, “EDIÇÃO DAS 18H”, DA GLOBONEWS
Demorou, mas chegou
Natuza Nery é cria do jornalismo impresso, mas encontrou na televisão o espaço que potencializou seu talento. Ela se destacou com uma das meninas do Jô e, desde então, vem consolidando-se como uma voz relevantes no jornalismo político, tanto na tevê aberta quanto na fechada. Com análises pertinentes, boas fontes e, sobretudo, o carisma – ingrediente indispensável para a linguagem televisiva –, Natuza construiu uma trajetória marcada pela credibilidade e pela proximidade com o público. Durante anos, foi comentarista e presença constante na cobertura de folgas e férias na grade da GloboNews, até que, com a ida de César Tralli para o “Jornal Nacional”, conquistou o comando permanente de um telejornal – já vinha fazendo substituição dos titulares frequentemente. Em 2025, alcançou este protagonismo, reafirmando-se como referência de jornalismo político e como exemplo de como talento e consistência podem, mesmo em um ambiente competitivo, encontrar o reconhecimento merecido.
Melhor Comentarista
ANDRÉ TRIGUEIRO, DA GLOBONEWS
Sempre mais
André Trigueiro se confirma como o melhor comentarista da televisão brasileira ao reunir credibilidade, independência e um olhar atento para análises sobre temas que impactam diretamente a vida do cidadão. Longe do corporativismo, é um profissional multitarefa: apresenta edições locais dos jornais do Rio, integra a bancada de plantonistas do “Jornal Nacional”, faz parte do quadro de comentaristas da GloboNews e conduz o programa “Cidades e Soluções”. É alguém que acumula talento e conhecimento, apesar de não ter a mesma visibilidade de outros colegas. Em 2026, brilhou ainda mais nas áreas em que é referência absoluta: meio ambiente e sustentabilidade. Foi destaque durante a cobertura da COP 30. Mas seu repertório vai além: Trigueiro merece espaço para expandir sua atuação e brilhar em outros campos do jornalismo, já que sua consistência e credibilidade o qualificam como uma das vozes mais completas da televisão.
Melhor Programa de Esporte
“FECHAMENTO SPORTV”, DO SPORTV
O trivial com qualidade
O “Fechamento SporTV” surge em um terreno já saturado pelas mesas redondas de domingo, que se multiplicam na televisão esportiva. A diferença, contudo, está justamente em não tentar reinventar a roda: o programa aposta na fórmula clássica, mas bem executada. Reúne um time consistente de ex-jogadores, liderados pelo carisma de Denílson, e conta com a mediação segura e pouco afetada de André Rizek, que dá ritmo e equilíbrio às discussões. A produção ainda se beneficia de boa tecnologia, que dinamiza a apresentação sem comprometer a clareza. Nesse conjunto, o “Fechamento SporTV” se destaca por entregar o básico com qualidade, mostrando que, no jornalismo esportivo, muitas vezes a força está na simplicidade bem conduzida.
Melhor Comentarista de Futebol
ANA THAÍS MATOS, DA GLOBO/SPORTV
Coragem pra falar
Não é surpresa para ninguém que Ana Thaís Matos seja apontada como a melhor comentarista esportiva da televisão. A posição foi conquistada com facilidade ao longo dos anos, fruto de análises consistentes e de uma postura firme diante de um ambiente ainda marcado pelo machismo e pela toxicidade do futebol. Profissional séria e constante, ela não se intimida ao expor opiniões, mesmo quando contrariam a lógica dominante. Vai além da leitura técnica do jogo, lembrando que o futebol não se resume a 22 homens correndo em campo: suas intervenções abordam também questões sociais, como o machismo e a diversidade, ampliando o alcance do debate esportivo. Nesse equilíbrio entre competência técnica e coragem editorial, Ana Thaís se coloca como voz indispensável e protagonista de um jornalismo esportivo que não teme enfrentar seus próprios tabus.
Melhor Narração de Futebol
LUÍS FELIPE FREITAS, DA CAZÉ TV
Nasce uma estrela
Luís Felipe Freitas é uma grata e positiva surpresa na eleição de “Melhores & Piores de TV Press”. O profissional da Cazé TV conquistou o prêmio de melhor narrador, sendo símbolo da renovação que vem transformando o estilo das transmissões esportivas. Com uma cadência que se aproxima do rádio, ele não tenta ser maior que o jogo: conduz a narrativa com leveza, sabe o momento certo de inserir piadas e tiradas, reforçando o tom mais solto e descontraído que caracteriza o projeto capitaneado pelo influenciador Casimiro Miguel. Sua recusa à oferta da Globo para integrar a equipe da GE TV mostra não apenas fidelidade ao espaço que ajudou a construir, mas também confiança em um modelo alternativo de jornalismo esportivo. Cercado de amigos na Cazé TV, mantém o profissionalismo intacto, equilibrando descontração e rigor narrativo. Luís Felipe se confirma como voz de uma nova geração de narradores, capaz de unir tradição e inovação sem perder a essência do jogo.
Destaque negativo Jornalismo
“GALVÃO E AMIGOS”, DA BAND
Chama apagada
O retorno de Galvão Bueno à Band acabou se tornando um dos destaques negativos do esporte em 2025. Seu programa não repercute e ele parece ocupar o papel de um convidado de luxo. Ao insistir em um formato saturado, Galvão não conseguiu se reinventar nem recuperar a relevância que sempre marcou sua trajetória. Mesmo com presença em múltiplas plataformas – da Band ao Prime Video, passando pelo contrato assinado com o SBT para a Copa do Mundo –, seu passe continua valorizado e requisitado, mas paradoxalmente ele parece ausente. A multiplicidade de aparições não se traduz em impacto: Galvão está em todos os lugares e, ao mesmo tempo, em nenhum, sem conseguir se fazer presente ou relevante no cenário esportivo atual.
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