Companhia do Catar reduz capacidade, estoca aviões e projeta retomada gradual a partir de junho, condicionada ao cenário geopolítico
A Qatar Airways promoveu recentemente uma ampla revisão de sua malha aérea para abril e maio, com o corte de mais de 12.000 voos programados e a suspensão de operações para mais de sessenta destinos.
A medida impacta diretamente a operação de aeronaves de grande porte, incluindo a retirada temporária de todos os Airbus A380 da frota ativa, devido aos conflitos no Oriente Médio.
A frota operacional — composta por aeronaves com capacidade para 517 passageiros e configuração com primeira classe — encontra-se atualmente concentrada em Doha, o que pode facilitar uma eventual retomada coordenada das operações.
A Qatar Airways foi uma operadora relativamente tardia do modelo. Seu primeiro A380, matrícula A7-APA, foi entregue em setembro de 2014, sete anos após a entrada em serviço do tipo pela Singapore Airlines.
Possível retomada
Dados mais recentes do sistema de reservas da companhia aérea indicam que a companhia planeja retomar voos comerciais com o A380 a partir de 1º de junho, sujeito a alterações. Para essa data, estão previstos cinco voos partindo de Doha, na Europa, Ásia e Oceania.
A execução dessa programação permanece condicionada ao ambiente operacional nas próximas semanas.
Segundo semestre
Entre junho e dezembro, a malha com o A380 deverá priorizar rotas de alta densidade. Bangkok aparece como principal destino, com até dez frequências semanais, reduzidas para operação diária a partir de novembro. Londres, Paris, Singapura e Sydney devem manter frequências diárias ao longo do período.
Para novembro e dezembro, estão previstos 305 voos de partida com o A380 a partir de Doha, volume 22% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Ajustes adicionais podem ocorrer, especialmente em rotas asiáticas.
Impacto global
Entre abril e maio, estão previstos pouco mais de 12.400 voos regulares (ida e volta) com o A380 pelos seus operadores, uma redução de 7% em relação à semana anterior. A retração é influenciada principalmente pela paralisação da Qatar Airways, mas também por ajustes de outras companhias.

