Ambientado no Caribe do fim do século 19, “O Refúgio” coloca Priyanka Chopra no centro da história como uma ex-pirata que trocou o mar aberto por uma vida discreta ao lado da filha, vivida por Safia Oakley-Green. Ela construiu casa, rotina e uma rede mínima de segurança longe do porto, tentando manter distância de qualquer lembrança do que foi. Só que o passado não esquece. O antigo capitão, interpretado por Karl Urban, surge no horizonte com navio, homens armados e uma dívida que ele faz questão de cobrar pessoalmente.
A diretora Frank E. Flowers conduz a trama como um jogo de pressão constante. O capitão não chega apenas para ameaçar; ele impõe prazo, ocupa o cais, espalha vigias e transforma a ilha num território sitiado. Cada movimento dele reduz as opções da protagonista. Cada decisão dela precisa equilibrar proteção da filha e sobrevivência coletiva. Não há espaço para discursos longos ou heroísmo ornamental. O que existe é cálculo.
Priyanka Chopra entrega uma personagem firme, prática, que pensa antes de agir e age quando percebe que esperar significa perder terreno. Ela tenta negociar, ganhar tempo, oferecer rotas e informações antigas como moeda de troca. Mas a presença do capitão altera tudo: o porto deixa de ser ponto de passagem e vira ameaça permanente. A casa, antes abrigo, passa a ser alvo. A ilha, que funcionava como refúgio, transforma-se em armadilha.
Safia Oakley-Green não é apenas a filha em perigo. Sua personagem cresce à medida que entende que não pode ser apenas protegida. Ela observa, questiona e toma pequenas iniciativas que mudam o ritmo dos acontecimentos. Há uma tensão bonita nessa relação entre mãe e filha: uma quer evitar que a outra reviva o passado; a outra percebe que talvez seja impossível escapar dele. Essa dinâmica dá densidade emocional ao conflito, sem precisar explicar demais.
Karl Urban compõe um antagonista que mistura frieza e ressentimento. Seu capitão não grita para ser temido; ele organiza bloqueios, divide homens, fecha rotas e impõe presença. Ele sabe que controlar acesso é controlar destino. E é essa lógica que sustenta o suspense do filme. O cerco não é apenas físico, é estratégico. Cada trilha vigiada, cada barco impedido de sair, cada aliado intimidado pesa na balança.
A direção trabalha bem essa sensação de tempo encurtando. As esperas parecem mais longas, as noites mais tensas, os caminhos mais estreitos. O conflito avança porque alguém decide agir e encontra resistência imediata. Não há grandes discursos sobre liberdade ou honra; há escolhas concretas que trazem consequências rápidas. Quando a protagonista decide abandonar a segurança da casa para proteger a filha, o risco aumenta na mesma proporção.
“O Refúgio” funciona como ação e aventura, mas também como drama familiar. O passado pirata não aparece como glamour, e sim como bagagem que cobra juros. O filme acerta ao não romantizar esse histórico. Cada habilidade reaproveitada tem custo. Cada reencontro com antigos métodos reacende fantasmas que ela preferia manter enterrados.
Dá para dizer que a narrativa mantém o foco na sobrevivência e na reorganização de forças. A luta não é apenas contra um homem, mas contra a ideia de que o passado determina o futuro. Frank E. Flowers conduz tudo com ritmo firme, valorizando decisões e consequências mais do que discursos.
“O Refúgio” é um filme sobre proteger o que ainda é possível salvar quando tudo ao redor tenta invadir, tomar ou destruir. Priyanka Chopra sustenta a história com presença e intensidade, Karl Urban oferece ameaça real e Safia Oakley-Green traz humanidade ao centro do conflito. É um embate direto, tenso e emocionalmente honesto, que lembra que fugir pode funcionar por um tempo, mas enfrentar é o que realmente muda a posição no jogo.
Filme:
O Refúgio
Diretor:
Frank E. Flowers
Ano:
2026
Gênero:
Aventura/Drama/História
Avaliação:
8/10
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Fernando Machado
★★★★★★★★★★
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