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Primeiro voo transpacífico da Qantas completa 75 anos

Em 15 de março de 1951, a Qantas realizou, com um hidroavião, seu primeiro voo transpacífico entre a Austrália e o Chile

Há exatos 75 anos, em 15 de março de 1951, a Qantas iniciou um voo de levantamento técnico entre Sydney, na Austrália, e Valparaíso, no Chile, marcando o primeiro voo da empresa através do Pacífico Sul.

A operação foi realizada com o hidroavião Catalina PB2B-2 “Frigate Bird II”, comandado pelo aviador australiano Patrick Gordon “Bill” Taylor.

A missão tinha como objetivo avaliar a viabilidade de uma rota aérea comercial entre a Austrália e a América do Sul, com múltiplas escalas no Pacífico. A aeronave chegou ao Chile em 26 de março de 1951, pousando na Base Aérea de Quintero, próxima a Valparaíso, após uma travessia marcada por condições meteorológicas adversas e operações complexas de reabastecimento.

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Missão pioneira

A autorização para o voo de levantamento foi concedida pelo governo australiano com base na experiência operacional de Taylor em navegação aérea de longa distância. O piloto recebeu liberdade para selecionar a aeronave da missão e optou pelo Catalina PB2B-2, hidroavião de grande autonomia amplamente utilizado durante a Segunda Guerra Mundial.

O avião recebeu o nome “Frigate Bird II” e foi registrado como VH-ASA, sigla escolhida para representar “Australia–South America”.

Segundo levantamento histórico do Museum of Applied Arts & Sciences, a tripulação era composta por dois pilotos, um engenheiro de voo, um operador de rádio e Jack Percival, correspondente do Sydney Morning Herald, que acompanhou a missão como correspondente oficial e observador executivo, documentando a travessia.

Escalas no Pacífico Sul

Antes de seguir rumo ao Chile, o hidroavião realizou uma série de escalas estratégicas em ilhas do Pacífico para testes de navegação, meteorologia e logística de combustível.

A rota incluiu Grafton, na Austrália (Rio Clarence), Nouméa, Laucala Bay, Satapuala Bay, Aitutaki, Papeete, Mangareva e a ilha de Páscoa, sendo esta última escala considerada uma das mais críticas da missão devido à ausência de áreas protegidas para decolagem.

Operação complexa na ilha de Páscoa

Na ilha chilena, o hidroavião precisou pousar em mar aberto para reabastecimento, já que não havia infraestrutura adequada ou baía protegida.

Durante a operação, a tripulação enfrentou mar agitado e ondas anômalas, condições meteorológicas severas, rompimento das amarras da aeronave e a queda de um dos pilotos noo mar durante as manobras.

Para possibilitar a decolagem com a aeronave sobrecarregada, a equipe utilizou foguetes JATO (Jet-Assisted Take-Off), tecnologia que fornece impulso adicional durante a corrida de decolagem. Antes disso, o hidroavião precisou ser manobrado ao redor da ilha, navegando na superfície do mar.

Características do Catalina PB2B-2

O Catalina PB2B-2, fabricado em 1944 pela Boeing Aircraft of Canada, era um hidroavião monoplano de asa alta projetado para missões de patrulha marítima e longa distância.

Entre as principais características técnicas:

  • Configuração: hidroavião monoplano de asa alta
  • Motores: dois radiais Pratt & Whitney R‑1830 Twin Wasp
  • Hélices: Hamilton Standard de passo variável
  • Estrutura: fuselagem metálica com casco largo para operações aquáticas
  • Asas: seção central retangular com painéis externos afilados

Haviam ainda flutuadores retráteis nas pontas das asas, que funcionavam como extensões aerodinâmicas durante o voo.

Dimensões aproximadas da aeronave:

  • Altura: 5,5 m
  • Envergadura: 31,7 m

Esse projeto permitia operações de longa autonomia em áreas remotas sem infraestrutura aeroportuária.

Chegada ao Chile e retorno à Austrália

O “Frigate Bird II” chegou a Valparaíso em 26 de março de 1951, escoltado por um hidroavião Catalina da Força Aérea do Chile. O pouso ocorreu na Base Aérea de Quintero, onde autoridades chilenas e o presidente do país receberam a tripulação.

Após nove dias no Chile, a aeronave iniciou o retorno ao Pacífico. A missão foi concluída em 21 de abril de 1951, quando o hidroavião retornou a Sydney após nova travessia transoceânica.

Posteriormente, o então primeiro-ministro australiano Robert Menzies presenteou Taylor com o “Frigate Bird II”, em reconhecimento ao papel do aviador na exploração de rotas aéreas de longa distância.





Fonte

Redação

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