O Convair 990 “Coronado” realizou seu voo inaugural há exatos 65 anos, em 24 de janeiro de 1961 como resposta direta da Convair a uma demanda específica da American Airlines por um jato comercial mais rápido que seus concorrentes diretos, o Boeing 707 e o Douglas DC-8.
Desenvolvido nos Estados Unidos, o modelo de fuselagem estreita e quatro motores foi concebido para reduzir em até 45 minutos o tempo de viagem em rotas transcontinentais, consolidando-se como uma das aeronaves subsônicas mais velozes de sua época.
Origem do projeto e exigências da American Airlines
Embora a American Airlines nunca tenha operado o Convair 880, a companhia analisou extensivamente o modelo. A avaliação concluiu que a capacidade limitada do 880 inviabilizava sua operação econômica em rotas transcontinentais.
Diante disso, a American solicitou um jato maior, com maior alcance e desempenho superior, capaz de oferecer vantagem competitiva frente aos principais narrow-bodies a jato então em serviço.
Batizado comercialmente pela American Airlines como “AstroJet”, o novo projeto buscava elevar o padrão de velocidade no mercado norte-americano de transporte aéreo de passageiros.
Características técnicas e evolução do Convair 990
O Convair 990 Coronado foi desenvolvido a partir do Convair 880, com fuselagem alongada em cerca de três metros. A modificação permitiu elevar a capacidade para algo entre 96 e 121 passageiros na configuração inicial, permanecendo, ainda assim, abaixo da capacidade típica do Boeing 707 e do Douglas DC-8.
O fabricante implementou melhorias estruturais na asa, fuselagem e sistemas aviônicos. Os motores foram atualizados para o General Electric CJ805-23B, uma evolução do turbojato originalmente empregado no 880.
Posteriormente, a Convair indicou capacidade para transportar entre 110 e 149 passageiros, dependendo da configuração adotada pelas companhias aéreas.
Desempenho abaixo do prometido e reação da American Airlines
Apesar de apresentar velocidade de cruzeiro superior à de seus concorrentes diretos, o Convair 990 não atingiu plenamente as especificações de desempenho inicialmente prometidas, especialmente no que se refere à capacidade de operar rotas transcontinentais sem escalas de forma consistente.
A insatisfação da American Airlines levou à redução significativa de sua encomenda original, que previa 25 aeronaves firmes e opção para outras 25. Introduzido na frota em 1962, o modelo começou a ser retirado do serviço da AA já em 1967.
Tentativas de aprimoramento e a variante 990A
Na tentativa de ampliar a competitividade do programa, a Convair desenvolveu a versão 990A. Entre as modificações, destacaram-se a introdução de carenagens adicionais nas naceles dos motores e ajustes aerodinâmicos. Ainda assim, os ganhos obtidos não foram suficientes para atender às expectativas iniciais do mercado.
Diante desse cenário, a American Airlines optou por concentrar sua frota nos modelos Boeing 707 e 720, encerrando definitivamente o interesse operacional pelo Convair 990.
Operadores internacionais e uso em rotas de longo curso
Fora dos Estados Unidos, o Convair 990 encontrou maior aceitação. A Swissair introduziu o modelo em 1962, empregando-o em rotas de longo alcance para a América do Sul, África Ocidental e Oriente Médio, aproveitando sua elevada velocidade de cruzeiro.
No Brasil, a Varig teve três unidades em sua frota (PP-VJE, PP-VJF e PP-VJG), todas entregues no mesmo dia: 1° de março de 1963. O modelo permaneceu em operação até o início dos anos 1970 e as aeronaves foram repassadas gradualmente à Alaska Airlines e a hoje extinta Modern Air.
Outro operador de destaque foi a companhia espanhola de voos charter Spantax (BX). Em maio de 1967, a empresa adquiriu quatro unidades provenientes da American Airlines.
Ao longo dos anos seguintes, incorporou mais oito aeronaves até 1972 e outras quatro oriundas da Swissair em 1975. Com isso, a Spantax tornou-se a maior operadora do Convair 990, mantendo o modelo em serviço até meados da década de 1980.
Produção limitada e legado operacional
Apesar das ambições iniciais da Convair, o programa do 990 Coronado teve produção encerrada em 1963, com apenas 37 unidades fabricadas. Comercialmente, o modelo é considerado um insucesso frente aos seus principais concorrentes.
Ainda assim, o Convair 990 deixou um legado técnico relevante. Durante vários anos, manteve o título de avião comercial subsônico mais rápido do mundo, com velocidade máxima de aproximadamente 540 nós a 20.000 pés e velocidade de cruzeiro padrão de cerca de 484 nós a 35.000 pés, consolidando-se como um marco na busca por desempenho na aviação comercial a jato.

