“Negócio Arriscado” é uma comédia dramática norte-americana de 1983, dirigida por Paul Brickman e atualmente disponível na HBO Max. O filme acompanha Joel Goodson, interpretado por Tom Cruise, um adolescente de família abastada que tenta atravessar a fase pré-universitária sem decepcionar os pais, a escola, a vizinhança ou a própria fantasia de sucesso moldada pelo ambiente em que cresceu. Só que o período em que ele fica sozinho em casa cria o terreno fértil para decisões impulsivas, como contratar Lana, vivida por Rebecca De Mornay, que chega de madrugada não apenas bagunçando a cama do garoto, mas todo o sentido de ordem que ele acreditava dominar. A partir desse encontro, Joel se vê envolvido com Guido, papel de Joe Pantoliano, um cafetão que enxerga o jovem como oportunidade de lucro. Pequenos erros se acumulam até transformarem a casa dos Goodson em um negócio clandestino improvisado que escancara tudo aquilo que Joel fingia não ver sobre o mundo que o cerca.
O filme discute a cultura americana dos anos 80, aquela que transformou dinheiro em único marcador de identidade e que, curiosamente, nunca deixou de ecoar nas gerações seguintes. O filme voltou ao centro da conversa por um motivo simples: revisitado hoje, ele revela camadas que o público da época talvez não estivesse disposto a encarar. Joel pode ser um garoto privilegiado, mas é também o retrato de um país que confundiu liberdade com lucro imediato e amadurecimento com esperteza. Nesse sentido, o retorno do filme não chega como nostalgia gratuita; ele funciona como espelho que insiste em lembrar que o ideal de sucesso vendido a esses adolescentes continua em operação, apenas mais sofisticado tecnicamente.
O que mais me chamou atenção foi a precisão com que o filme registra a solidão de Joel, mesmo cercado por conforto material. A câmera insiste em colocá-lo dentro de espaços amplos, silenciosos, quase assépticos, como se ele habitasse uma casa-museu que admite afetos apenas mediante agendamento. Quando Lana entra nesse cenário, o contraste é imediato: ela é movimento, improviso, pragmatismo absoluto. Nada nela se alinha às expectativas de Joel, e é justamente essa ausência de encaixe que torna cada diálogo interessante. A sequência em que os dois tentam negociar uma convivência possível resume bem o choque entre dois mundos que se toleram apenas porque ambos sabem lucrar com a fantasia alheia.
Sua originalidade vem da recusa em tratar o crescimento de Joel como aprendizado moral. O que ele atravessa não o torna melhor, apenas mais consciente do tipo de ambiente que o formou. A entrevista com o avaliador de Princeton, interpretado por Richard Masur, funciona como síntese desse universo: basta gerar a impressão correta, no momento correto, para que qualquer erro anterior pareça apenas um detalhe dramático de juventude. O filme se mantém relevante porque não tenta esconder a relação íntima entre ascensão social e capacidade de manipular expectativas. “Negócio Arriscado” continua provocando justamente por expor uma adolescência guiada pela lógica do mercado, onde até o desejo precisa ser administrado com planilhas invisíveis.
Filme:
Negócio Arriscado
Diretor:
Paul Brickman
Ano:
1983
Gênero:
Comédia/Crime/Drama/Romance
Avaliação:
9/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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