A observação inédita
O filamento observado possui cerca de 3 milhões de anos-luz de extensão e conecta duas galáxias ativas que existiam quando o Universo tinha aproximadamente dois bilhões de anos. Essas galáxias, que abrigam buracos negros supermassivos, emitiram luz suficiente para permitir a detecção do gás extremamente tênue que compõe o filamento. A emissão registrada é tão fraca que apenas centenas de horas de observação contínua permitiram separar o sinal real do ruído de fundo.
Como a imagem foi obtida
A captura foi viabilizada pela capacidade do instrumento MUSE de registrar simultaneamente imagens e espectros, possibilitando distinguir a luz do hidrogênio intergaláctico de outras fontes luminosas. Essa técnica permitiu detectar o brilho tênue que, por décadas, dificultou a visualização direta da teia cósmica. Segundo a ESO, o registro representa o mapa mais detalhado já feito de um filamento intergaláctico em grande profundidade cosmológica.
O que é a teia cósmica
A teia cósmica é uma estrutura prevista pelos modelos cosmológicos baseados em matéria escura fria, conhecidos como ΛCDM. Esses modelos sugerem que a matéria do Universo se organiza em uma vasta rede de filamentos que conectam galáxias e aglomerados, deixando entre eles regiões de vazio. Nos filamentos, o gás flui em direção às galáxias, alimentando a formação de estrelas e contribuindo para sua evolução. A nova imagem fornece evidência observacional direta desse processo.
Resultados e implicações científicas
Os dados obtidos pelo VLT revelam, pela primeira vez, a fronteira entre o gás pertencente às galáxias e o gás distribuído ao longo do filamento intergaláctico. Essa distinção permite comparar observações reais com simulações cosmológicas que descrevem a evolução das estruturas de larga escala desde os primeiros bilhões de anos do Universo. A ESO classificou o registro como um avanço significativo, pois reforça a validade dos modelos teóricos que preveem a existência desses filamentos sustentados pela matéria escura.
Próximos passos da pesquisa
As equipes científicas envolvidas afirmam que este é apenas o primeiro de uma série de estudos que deverão mapear novos filamentos da teia cósmica com instrumentos de alta sensibilidade. O objetivo é compreender como o gás circula entre galáxias, qual é o papel da matéria escura nesse transporte e como essa rede se transformou ao longo do tempo. A observação inaugura uma nova fase da cosmologia observacional, convertendo previsões teóricas em imagens concretas e aprofundando o entendimento da arquitetura fundamental do Universo.