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Prime Video em alta global: Omar Sy e Kerry Washington num thriller onde parar também é perigo

Prime Video em alta global: Omar Sy e Kerry Washington num thriller onde parar também é perigo

“Sentença de Morte” apresenta Kyrah como alguém treinada para agir sem hesitar, até o dia em que escolhe o oposto do manual e paga com fuga. Kerry Washington entra com postura firme e olhar sempre em alerta, fazendo a personagem somar duas tarefas que raramente cabem na mesma respiração, proteger a família e escapar de quem conhece seus passos. Em vez de discurso, a virada vem em decisões que custam coisas simples e caras, sair às pressas, perder rotas seguras, trocar abrigo por improviso e aceitar que a regra quebrada volta como cobrança.

Joe Carnahan conduz a perseguição com atenção ao que move um bom filme de caçada, gente escolhendo rápido e carregando a conta em deslocamento e risco. A história empurra os protagonistas para fora de qualquer lugar confortável, porque sempre existe um motivo para levantar, olhar por cima do ombro, atravessar a rua, entrar num carro e seguir sem saber se o próximo ponto é seguro. Quando o enredo segura a mão nas explicações, ele ganha em detalhes do cotidiano da fuga, um endereço que dura pouco, um contato que não atende, a janela curta para passar sem ser notado.

Mamadeira, mochila e silêncio

O centro da história está no casal, e Omar Sy dá ao Isaac uma calma que não vira relaxamento, alguém que tenta manter o plano de pé enquanto o corpo pede pausa. O filho recém-nascido muda o tipo de movimento possível, porque não existe corrida limpa com mamadeira, bolsa, fralda e choro no meio da noite. “Sentença de Morte” acerta quando trata isso como obstáculo de verdade, a dupla precisa parar, reorganizar a mochila, medir o barulho e escolher caminhos que protejam a criança antes de acelerar.

Em vários momentos, o risco nasce de tarefas miúdas que viram gigantes com um bebê no meio. Eles escolhem onde estacionar sem chamar atenção, decidem se entram por minutos ou se seguem rodando, testam fechaduras, verificam janelas e escutam passos no corredor antes de apagar a luz. Cada parada abre espaço para erro, e recomeçar custa energia, levantar de novo, segurar o choro, ajustar a criança nos braços e sair antes de alguém notar. O filme ganha força quando troca a ideia genérica de “fuga” por ações desse tamanho, entrar por uma porta lateral, esperar um elevador demorado, atravessar um hall sem olhar para trás.

A perseguição vinda do próprio sistema que eles serviram dá um motor claro ao enredo. Há recompensa, há rastreio, há gente que conhece o jeito do casal pensar, e isso diminui a margem para improviso. O suspense vem do conhecido de qualquer história de caçada, um esconderijo que dura pouco, um encontro que precisa ser curto, um caminho que parecia livre e exige recuo de última hora. Em vez de encher a tela de jargão, o filme insiste no que é visível, escolher entre avançar ou proteger e pagar com tempo e segurança quando a escolha sai errada.

Porta trancada e recuo

O elenco de apoio dá rosto à máquina que persegue o casal, e Mark Strong entra com presença seca, do tipo que domina a cena com meia frase e um olhar. A autoridade se impõe mais no procedimento do que no grito, ordens circulando, uma ligação que chega no momento ruim, alguém autorizando uma busca sem espaço para conversa. “Sentença de Morte” fica mais afiado quando coloca o perigo em obstáculos sem glamour, acesso negado, informação correndo mais rápido do que eles, a porta que não abre quando o corredor parece perto demais.

Como escrita, a história rende mais quando fica colada no conflito principal e deixa o passado entrar só na medida em que atrapalha o presente. O ponto de partida já é forte, ex-líderes de uma unidade clandestina fugindo com o filho, e o filme cresce quando não tenta enfeitar isso com voltas desnecessárias. Há trechos em que algumas coincidências parecem aliviar o caminho, mas a duração de 1h44 ajuda a não esticar demais a corrida. Carnahan prefere empurrar a trama com decisões e consequências rápidas, o que combina com a proposta.

“Sentença de Morte” fecha como ação que respeita o básico e não esquece o peso físico de carregar uma família no meio da perseguição. Washington e Sy sustentam a parceria com gesto e postura, sem transformar cada cena em confissão, e a fuga ganha corpo quando a câmera lembra do que dá trabalho de verdade, esperar, se coordenar, segurar o barulho, trocar de rota. Quando a tela escurece, a imagem que fica é simples, um adulto conferindo o corredor, ajustando a criança no peito e só então dando o próximo passo.

Filme:
Sentença de Morte

Diretor:

Joe Carnahan

Ano:
2025

Gênero:
Ação/Drama/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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