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Por que a queda de Maduro importa para a Petrobras, mesmo sem operar na Venezuela




A deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro por uma ação militar dos Estados Unidos acendeu sinais de alerta no mercado global de petróleo e pode afetar a Petrobras (PETR4).

Apesar de não operar diretamente na Venezuela, a estatal brasileira sente os reflexos via preço do barril e precisa ajustar o planejamento de seus investimentos estratégicos. Regis Cardoso, especialista em petróleo e gás, da XP, explica que a operação aumenta a incerteza geopolítica e pode influenciar a oferta global.

“A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo, com cerca de 300 bilhões de barris, mas produz apenas cerca de um milhão de barris por dia. O impacto imediato no mercado é limitado, mas investimentos estrangeiros poderiam aumentar a oferta, especialmente de petróleo pesado”, disse.

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O efeito sobre a Petrobras, diz Cardoso, é indireto, via preço do petróleo. “Se a oferta global subir, os preços podem cair, exigindo que a empresa seja mais seletiva nos investimentos e mais diligente na execução do plano de negócios. No curto prazo, os investimentos já estão contratados, mas há flexibilidade a partir de 2028”, explicou Cardoso.

Sol Azcune, analista de política da XP, ressalta que a retirada de Maduro tem impacto regional. “O episódio surpreendeu a política latino-americana. Países vizinhos, como Colômbia e México, ficam em alerta, com possíveis efeitos sobre segurança e eleições”, afirmou.

Petrobras: planejamento e impactos financeiros

A queda do preço do barril afeta o caixa da Petrobras e a arrecadação do governo, com reflexos para acionistas minoritários.

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“As implicações são indiretas, mas relevantes para o planejamento estratégico da companhia. A empresa já estruturou planos contingenciais considerando cenários de preços mais baixos”, disse Cardoso.

O especialista lembra que o petróleo venezuelano é pesado e de exploração complexa, exigindo investimentos significativos para aumentar a produção.

“Será preciso investir dezenas de bilhões de dólares, e o impacto no preço global só se concretiza com produção efetiva”, afirmou.

Mesmo com a redistribuição do petróleo venezuelano, antes exportado majoritariamente para a China, o impacto no mercado global deve ser limitado.

“Parte da produção pode ir para os EUA, mas não haverá ruptura significativa. A China mantém influência por seus investimentos de longo prazo”, explicou.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que manteve recentemente a produção estável, não mencionou a Venezuela em seu último comunicado, refletindo a queda da produção local e o afastamento do país das decisões do grupo.

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“Historicamente, a Venezuela teve grande influência, mas hoje não é central na definição de cotas”, completou Cardoso.



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Redação

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