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Por que a multipropriedade está conquistando o mercado?

Por José Roberto Nunes, CEO do grupo Mundo Planalto

Cada vez mais reconhecida como um bom negócio entre empreendedores e usuários locais, a multipropriedade vive um momento bastante positivo. Impulsionado por um cenário receptivo à ideia de compartilhamento, o número de hotéis e resorts com esse formato cresceu 16% no ano passado, segundo levantamento da ADIT Brasil. Ofertas de aquisição de cotas no setor contavam 200 projetos ativos em 2023 e atingiram 216 deles em 2024.

Falar desse modelo é explorar conceitos que ainda recendem à novidade entre a atividade hoteleira e a expansão imobiliária. Para ambas, é produto recente, conectado com a tendência de valorização da experiência. Entender como funcionam as tomadas de decisões do moderno consumidor de produtos turísticos é fundamental para dimensionar o quanto a multipropriedade ainda pode crescer em nosso mercado.

A multipropriedade tem como finalidade principal o lazer estruturado, oferecendo às famílias férias garantidas em empreendimentos de alto padrão, a um custo acessível. O perfil do comprador dessa modalidade no Brasil é formado majoritariamente por casais e famílias de classe média e média-alta, com renda entre R$ 12 mil e R$ 25 mil mensais. A faixa etária mais comum está entre 35 e 55 anos.

É um público já consolidado profissionalmente e em busca de experiências para compartilhar com a família. São pessoas que enxergam na multipropriedade uma forma inteligente de acessar imóveis de lazer de alto padrão.

Em termos de origem, predominam compradores das grandes capitais — como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre —, mas também é marcante a presença de clientes regionais que desejam diversificar suas férias e ter um estilo de vida conectado ao turismo e à mobilidade global.

No turismo, a multipropriedade oferece experiências incríveis a preços acessíveis. Com ela, famílias abraçam o hábito de viajar sem fronteiras, com a vantagem de poderem investir nesse lifestyle com mais sabedoria. A partir da aquisição de uma fração (cota), é possível ao proprietário intercambiar seu período de férias com mais de 4 mil hotéis em todo o mundo.

O público que está adotando a multipropriedade busca férias com mais inteligência e propósito. Um casal de São Paulo que adquire uma cota em Gramado, por exemplo, pode utilizá-la no destino ou trocá-la por férias em Cancún ou na Toscana.

O modelo permite investir apenas na fração do imóvel de férias que será realmente utilizada, gerando grande economia em comparação à compra completa e definitiva de uma casa de veraneio.

Não se trata de um investimento de retorno financeiro. Porém, se considerarmos que o valor a ser gasto em hospedagem será convertido em um ativo imobiliário, podemos sim falar em investimento patrimonial.

Diferente da reserva de hotéis – um gasto que não retorna –, a multipropriedade se mantém como um ativo e patrimônio do cliente, agregando valor no tempo. Em resumo, alia racionalidade financeira e investimento em qualidade de vida, algo muito valorizado pelo brasileiro que gosta de aproveitar o melhor do turismo, com equilíbrio de despesas.

Para o trade turístico e as comunidades em seu entorno que são beneficiadas pelo impacto favorável na economia, a multipropriedade tem como característica manter a ocupação em alta durante todo o ano. O modelo dilui a concentração de uso, reduz significativamente a ociosidade dos ativos e garante uma gestão muito mais racional de bens imóveis, transformando períodos que tradicionalmente ficariam vazios em oportunidades de geração de receita e de experiências contínuas para os empreendimentos.

A combinação de seu uso pleno como plano de férias à segurança de um patrimônio vem tornando a multipropriedade muito atrativa para o público brasileiro.

Graças à transparência, à gestão profissional e à qualidade dos projetos, o aumento das vendas no Brasil tem sido expressivo – e tudo indica que a multipropriedade seguirá como uma das principais tendências do turismo e do mercado imobiliário nos próximos anos.

*José Roberto Nunes é CEO do grupo Mundo Planalto, responsável pelo lançamento do Hard Rock Hotel Gramado e outros empreendimentos de multipropriedade no Brasil.



Fonte

Redação

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