A Polícia Civil de São Paulo prendeu, nesta segunda-feira (2), 12 pessoas acusadas de planejar um atentado com explosivos caseiros e coquetéis molotov na Avenida Paulista. O grupo, composto por jovens e adultos entre 15 e 30 anos, pretendia aproveitar a movimentação no centro da capital para causar tumulto e pânico. A ação foi frustrada por um monitoramento de inteligência que identificou a coordenação do ataque em comunidades virtuais.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o grupo não apresentava uma pauta política específica ou reivindicações sociais fundamentadas, operando sob uma premissa de oposição genérica a instituições governamentais. O órgão informou ainda que os suspeitos integram uma rede de alcance nacional com quase oito mil participantes, e mantinham uma estrutura organizada de comando, com divisão de tarefas e compartilhamento de manuais de instrução para a fabricação de bombas.
A estratégia dos envolvidos consistia na infiltração em aglomerações para incitar o pânico e provocar confrontos, utilizando-se inclusive de bloqueadores de sinal de telefonia para dificultar a comunicação e a resposta das autoridades. Durante as diligências, a polícia apreendeu simulacros de armas de fogo e os dispositivos eletrônicos que comprovam a articulação do crime.
O sucesso da operação foi atribuído à capacidade de antecipação do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) em conjunto com a Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber). Através de ferramentas de rastreio de palavras-chave e infiltração em canais de mensagens, os policiais conseguiram mapear a estrutura de comando do grupo. Dos doze localizados em São Paulo, seis foram identificados como os principais responsáveis por repassar instruções e manuais de conduta para o restante da rede.
“Foi um grande trabalho de antecipação. Conseguimos chegar na frente antes que o pior acontecesse. Esse grupo pretendia utilizar o que chamavam de “manifestação” como pretexto para atos de vandalismo e ataques com artefatos caseiros”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
A mobilização policial no estado de São Paulo ocorreu em sintonia com a polícia do Rio de Janeiro, que também identificou movimentações fora do padrão e manuais de fabricação de explosivos idênticos aos encontrados em solo paulista. A cooperação entre os delegados-gerais de diferentes estados permitiu que as ações preventivas fossem deflagradas simultaneamente, levando ao encerramento das atividades do grupo virtual principal.
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O delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, destacou que o objetivo dos integrantes era obter notoriedade, o que reforça a importância de focar a narrativa na falha das pretensões criminosas. Ao serem abordados, os suspeitos alegaram que as interações digitais tratavam-se de “brincadeiras”, versão que foi refutada pelas evidências colhidas de planejamento logístico e desenhos técnicos de artefatos.
As autoridades estão agora analisando o material apreendido para individualizar as condutas e determinar os enquadramentos penais. A polícia afirmou que também mantém o monitoramento para evitar que novas células tentem se reorganizar sob outras identidades digitais.
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