Aroldo Schult, Estela Mara Rosa, presidente da FEIGTUR‑PR e Edelar Luiz Comparin, presidente da ADETUR Rotas do Pinhão (Divulgação)

O Paraná deu um passo que pode mudar a forma como destinos turísticos são organizados e divulgados no Brasil. O estado se tornou o primeiro do país a reunir, em uma única plataforma baseada em inteligência artificial, dados estruturados de mais de 300 municípios. A iniciativa envolve as 18 Instâncias de Governança Regional (IGRs) e foi oficializada durante um evento de inovação urbana realizado em Curitiba.

A parceria foi firmada pela FEIGTUR-PR com a plataforma Wikitravel.ai, desenvolvida pela TZ Systems. A proposta é simples no papel, mas ambiciosa na prática: organizar, padronizar e disponibilizar informações turísticas de forma acessível tanto para viajantes quanto para profissionais do setor.

O que muda para quem viaja

Na teoria, já existe muita informação sobre destinos online. Na prática, ela costuma ser dispersa, desatualizada ou pouco confiável. É aí que entra a proposta da plataforma: centralizar tudo em um só lugar, com gestão direta dos próprios destinos.

Isso significa que cada cidade passa a ter controle sobre o que é publicado, desde atrativos turísticos até infraestrutura, serviços e experiências disponíveis. Tudo organizado de forma multilíngue e padronizada, o que facilita tanto para quem planeja uma viagem quanto para quem vende o destino.

A presidente da FEIGTUR-PR, Estela Mara Rosa, destacou que o projeto vai além da tecnologia. “Estamos falando de integração e de dar visibilidade a regiões que muitas vezes ficam fora do radar”, afirmou durante o anúncio.

Tecnologia como ferramenta de gestão turística no Paraná

Mais do que um guia digital, a plataforma funciona como um banco de dados estruturado. Isso permite que gestores públicos e entidades do turismo tenham uma visão mais clara do que cada região oferece e onde estão os gargalos.

A ferramenta também fortalece um conceito que já existe na legislação brasileira, mas nem sempre sai do papel: a governança regional do turismo. Com as IGRs integradas, o estado consegue trabalhar de forma mais coordenada, evitando esforços isolados.

Segundo Aroldo Schultz, fundador do Grupo Schultz e um dos idealizadores da tecnologia, o Paraná conseguiu colocar em prática algo que muitos destinos ainda tentam estruturar. “O estado cumpriu a regionalização prevista na lei e agora usa a tecnologia para organizar isso de forma eficiente”, disse.

Um dos pontos mais relevantes do projeto é o impacto para cidades menores. Com presença digital estruturada, esses destinos passam a competir de forma mais equilibrada com lugares já consolidados.

Na prática, isso pode influenciar diretamente no fluxo de turistas e na distribuição de renda dentro do estado. Regiões menos exploradas ganham visibilidade e entram no mapa de quem busca experiências novas.

Projeto une regiões do Paraná e dá visibilidade a destinos fora do radar (Divulgação)

Por que o Paraná pode virar referência nacional

O movimento não acontece isolado. Outros estados já discutem iniciativas parecidas, mas o Paraná saiu na frente ao integrar todas as suas regiões em uma única plataforma oficial.

A expectativa é que o modelo seja replicado em outras partes do Brasil, ampliando o alcance da ferramenta e criando um padrão mais organizado para o turismo nacional.

Além disso, o uso de inteligência artificial tende a evoluir rapidamente. Com o tempo, a plataforma pode oferecer sugestões personalizadas de viagem, cruzar dados de comportamento e até antecipar tendências de demanda.

Impacto direto no futuro do turismo

Se antes a disputa entre destinos acontecia principalmente por campanhas e presença nas redes sociais, agora o jogo começa a mudar. Ter dados organizados, atualizados e acessíveis pode ser o diferencial.

O Paraná entendeu isso cedo. Ao estruturar suas informações e integrar regiões, o estado não só facilita a vida de quem viaja, como também cria uma base sólida para crescer de forma mais estratégica.