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Para além das tensões entre EUA e Irã, o que explica a alta do petróleo? BBI explica

Os preços do petróleo já subiram cerca de 18% desde o início do ano, atingindo os atuais US$ 70 por barril.

Mesmo com a oferta em alta, com um excedente em torno de 1,9 milhão de barris por dia, conforme as estimativas da Rystad, e a demanda consistente, os preços seguem pressionados para cima. Para o Bradesco BBI, esse fenômeno responde à fatores tanto conjunturais, de curto a médio prazo, quanto estruturais.

Por um lado, o aperto das tensões entre Estados Unidos e Irã seguem impulsionando os preços. Temendo um conflito mais direto e de larga escala, os fornecedores têm se preparado para eventuais interrupções, em especial no Golfo Pérsico.

Viva do lucro de grandes empresas

De acordo com os analistas, um confronto entre os países pode afetar pontos estratégicos de estrangulamento logístico, como o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho.

Mas não é só isso. A Arábia Saudita também tem exportado mais petróleo, elevando a demanda por navios e intensificando a pressão sobre as taxas de frete. Depois da flexibilização dos cortes de produção e com a baixa na demanda doméstica durante o inverno, as exportações sauditas têm se aproximado de 7 milhões de barris por dia. No ano anterior, durante o verão, a média era próxima de 6 milhões.

Pressões estruturais

Já do lado estrutural, o cenário marítimo têm enfrentado pressões, em especial sobre o preço de frete. Com o endurecimento das sanções na Rússia, a indústria de petróleo tem enfrentado maiores dificuldades para encontrar compradores. Sufocado, o país elevou os estoques “em água”, reduzindo a oferta disponível de embarcações.

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Ainda que a retomada da produção na Venezuela precise de tempo para se consolidar, o país já voltou ao mercado marítimo formal. Depois da operação militar do início do ano, com as investidas do governo de Donald Trump contra o país, as exportações, em especial para os Estados Unidos, foram retomadas. Conforme o BBI, essa operação adicionou uma nova pressão sobre as taxas de frete.

Em paralelo, do outro lado do globo, a empresa sul-coreana Sinokor está realizando uma forte expansão no mercado de VLCCs (navios petroleiros de grande porte, em tradução livre da sigla). O processo agressivo de expansão, com a empresa dominando 35 das 45 operação de compra e venda de navios realizadas apenas neste ano, deu a Sinokor o controle de 120 embarcações. Esse número equivale a 17% do mercado total.

Com esse movimento, que não chegou ao fim, a empresa obteve uma dominância sem precedentes sobre o segmento. De acordo com os analistas, isso também explica os preços mais elevados de frete.



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