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Otaviano Maroja, empreendedor pé na areia e hoteleiro raiz

Otaviano Maroja, empreendedor pé na areia e hoteleiro raiz

Otaviano Maroja recebe a reportagem do DIÁRIO durante as comemorações de 40 anos do Solar Porto de Galinhas

Se empreender do zero no turismo é e sempre foi desafiador, o que dizer de erguer um hotel num balneário do sul de Pernambuco, destino pouco desbravado, carente de estradas adequadas e de mão-de-obra especializada e nenhuma tradição e oferta em qualquer tipo de meio de hospedagem?

Por Cecília Fazzini, de Porto de Galinhas (PE)*

A família Maroja, tendo à frente o patriarca Artur Maroja, abraçou o desafio e, há 40 anos, exatamente no dia 7 de fevereiro de 1986, uma sexta-feira de carnaval, abria o Solar Porto de Galinhas. Uma guinada no investimento uma vez que, até então, a atividade à que se dedicava era advinda de galinhas para abate e ovos e plantação de café, lavoura numa propriedade situada próximo à Caruaru, no coração do agreste. “

“Tínhamos uma casa de veraneio na Vila do Porto de Galinhas e o olhar para uma demanda por hospedagem que despontava”, rememora Otávio Maroja, (arquivo pessoal)

“Tínhamos uma casa de veraneio na Vila do Porto de Galinhas e o olhar para uma demanda por hospedagem que despontava”, rememora Otaviano Maroja, sucessor do pai que, na noite desta quarta-feira (25), recebe representantes do trade turístico de diversas regiões do País e do Mercosul e imprensa especializada, para as comemorações de quatro décadas de consolidação do empreendimento.

“Um hoteleiro raiz”

Otaviano Maroja, que administra o negócio ao lado de um casal de irmãos, se define como um “hoteleiro raiz” e atribui parte do sucesso do Solar — hoje com 140 quartos, ante 32 na inauguração — ao chamado “olho do dono”. Para ele, a hotelaria em seu formato mais genuíno, livre das variáveis atuais do setor, é a que entrega melhores resultados tanto para o empreendedor quanto para o hóspede. Foi justamente esse estilo clássico de receber — com hospitalidade acolhedora, serviços completos e uma estrutura capaz de encantar — que consolidou o nome da empresa no mercado. “Sempre priorizei o atendimento feito por telefone por pessoas, capazes de orientar o cliente, sem a impessoalidade dos recursos digitais”, acentua.

Otaviano Maroja
Apartamento luxo térreo
Otaviano Maroja
O Solar visto da janela de um dos apartamentos

Estrela

Aos 18 anos, o que viria a ser a sua estreia no mercado de trabalho, o gestor do Solar Porto de Galinhas, já prestava serviços ao pai no hotel. “Logo ingressei na faculdade de Administração de Empresas, curso da Universidade Federal de Pernambuco, porque sabia que haveria que colaborar com o conhecimento no na área”, salienta. Mas qual não foi a surpresa do jovem que já se deparava com atalhos como o de fazer com que as contas do hotel fechassem no azul, quando a teoria de pensadores da ciência econômica não eram compatíveis com a realidade vivida no dia a dia. “Pelo contrário, cheguei até a trancar a matrícula e fazer o curso que seria concluído em quatro anos, demandou 5 anos, por não ver sentido algum no curso, uma vez que não conseguiria aplicar, na prática, o que era ensinado em sala de aula”, frisa, momento em que despertou o interesse pela área comercial.

Otaviano Maroja
Área externa: gazebos do jardim

Relacionamento com o trade

Respeito ao canal de distribuição das agências de viagens, seu principal aliado de vendas do hotel, Maroja relembra as primeiras viagens a São Paulo, quando ia apresentar o destino – localidade não inserida no mapa nem na prateleira do trade e o hotel, as reações não eram favoráveis. “Primeiro que se confundia Porto com Porto Seguro (BA), pelo falta de informação à respeito da localidade em terras pernambucanas. E no que se referia ao hotel, a maioria das operadoras desejavam fazer o bloqueio total dos quartos e, iniciante no segmento e com poucas acomodações, isso não seria possível. Mas os desafios não paravam por aí, havia que aprimorar estradas, infraestrutura da cidade e principalmente a conectividade aérea para o aeroporto de Recife.

Parcerias

Otaviano Maroja relata que as parcerias foram a mola mestra para que a operação deslanchasse, sendo que se juntou a outros hoteleiros locais, fez acordos com a companhia aérea Vasp e passou a oferecer o destino e os meios de hospedagem com apelo comercial mais robusto, com roadshow pelo País e, com esta evolução na oferta, já possibilitados de fazer bloqueios – principal demanda das grandes operadoras – cotizados entre os empreendimentos.

Otaviano Maroja
Piscina do Solar

Associativismo rima com empreendedorismo

Não se tratava de fórmula mágica, mas Maroja encontrou o caminho eficaz de promover e viabilizar o destino e a hospedagem local. Ao invés da concorrência desenfreada, convenceu os demais hoteleiros a unirem forças. Criaram a Associação dos Hotéis e, alguns anos depois, o Convention Bureau de Porto de Galinhas, entidades nas quais o proprietário do Solar e do Vivá Porto de Galinhas Resort – que já completou 15 anos, sempre teve participação e liderança ativas. Hoje o destino recebe um fluxo de 1,2 milhão de turistas/ano, disponibiliza 30 mil acomodações e pratica uma diária média em seu conjunto de hospedagem de R$ 700, sendo que o Solar num formato opcional de meia pensão a pensão completa atinge diária média de R$ 1 mil.

Otaviano Maroja
Um dos apartamentos topo de linha
Otaviano Maroja
O Solar visto da janela de um dos apartamentos

Estilo de gestão

Administrar um hotel que fica num destino sazonal de sol e mar e com as imposições fiscais e de preços de insumos não era tarefa para fracos. E Maroja sabia disso. Foram muitas as vezes em que as contas não fechavam, lamenta ele. “Não sabia se pagava a folha de salários ou a conta de luz do hotel”. Mas a expertise falou mais alto e ao ter herdado o poder visionário do Pai, há uma década e meia, sem mais espaço físico para expandir o Solar, o empresário adquiriu uma construção apenas alicerçada e levantou o Vivá, resort que com uma proposta diferenciada, complementa a oferta do hotel pioneiro da família. “As compras de itens são centralizadas, com fornecedores em comum e os hóspedes dos dois hotéis usufruem dessa cesta comum de produtos”, relaciona.

Os desafios como a falta de mão-de-obra local capacitada e adequada ao setor hoteleiro foram igualmente vencidos. A força de trabalho advinha, sobretudo, de atividades nada compatíveis com serviços, como pesca de subsistência e colheita da cana-de-açúcar, cultura preponderante nos campos pernambucanos. Havia que preparar esse colaborador para uma função para a qual não havia conhecimento adquirido. Hoje o Solar conta com 250 funcionários, na maioria com mais de duas décadas empregados. “Quando da abertura do Vivá houve resistência de parte destes colaboradores em migrar para o novo hotel, a identificação com o Solar era tal que muitos pediram para permanecer no posto de origem”, acrescenta Maroja.

Otaviano Maroja
Banheiro super luxo
Otaviano Maroja
Foto aérea do Solar Porto de Galinhas

Histórias e memórias

Nas camisetas do time que atua na linha de frente administrativa e comercial do Solar, valorizando o clima festivo dos 40 anos, está estampado o legado: “Acolhendo Histórias e Criando Memórias”. A mensagem se mostra em sintonia com a proposta dos fundadores que é valorizar a acolhida e a expectativa do hóspede e gera experiência a partir da experiência vivida nas instalações de hotéis.

Otaviano Maroja afirma que as novas gerações da família estão sendo preparadas e motivadas a assumir o comando no futuro. “Para os meus filhos transmito a ideia de que não é fácil ser hoteleiro, mas é prazeroso”, arremata ao brindar o momento de conquistas, para o qual até um espumante foi personalizado e será servido na noite de celebração.


*A jornalista do DIÁRIO viajou convidada pelo Solar Porto de Galinhas com SEGURO GTA



Fonte

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