| Quando os plsticos foram desenvolvidos, eram considerados incrveis. Um material barato, leve, durvel que pode ser moldado de qualquer jeito. A baquelite, inventada em 1909 como o primeiro plstico industrial de grande escala, pode, em grande parte, ainda estar jogada em qualquer canto sem sinal de decomposio! Mas, por mais durvel que o plstico seja, ele se degrada. por isso que a gua engarrafada tem data de validade, porque o plstico se desgasta. Conforme se degrada, o plstico libera partculas microscpicas que se infiltram no meio ambiente, nos alimentos e em nossos corpos. |
Est em nossas roupas, nossa comida;=, at mesmo no ar que respiramos. Portanto, no surpresa que o plstico tambm esteja em nossos corpos. Mas como exatamente essas partculas microscpicas afetam nossa sade?
Os micro e nanoplsticos geralmente entram em nossos corpos de trs maneiras: pelo ar, pela pele e, mais comumente, pelo que comemos e bebemos. Embora os alimentos processados contenham a maior quantidade de plstico, as partculas se infiltraram em nossas fazendas e mares, chegando maioria dos frutos do mar, carnes e produtos agrcolas.
As embalagens plsticas liberam partculas em tudo o que tocam, um nico litro de gua engarrafada pode conter mais de 200.000 delas. At mesmo latas de metal e embalagens de papel costumam esconder revestimentos plsticos.
Em casa, partculas contaminam nossos alimentos atravs de tbuas de corte de plstico e panelas de Teflon. Recipientes plsticos para armazenamento so especialmente prejudiciais, aquecer alimentos no micro-ondas nesses recipientes pode liberar milhes de partculas nas sobras.
A quantidade de plstico que voc respira depende do seu ambiente. reas urbanas e espaos internos contm mais partculas em suspenso do que reas rurais, mas a maioria das pessoas inala dezenas de milhares de partculas por dia.
Por fim, produtos de beleza e higiene pessoal permitem que plsticos e substncias qumicas txicas penetrem na nossa pele. Uma vez dentro do corpo, os nanoplsticos so pequenos o suficiente para atravessar a maioria das membranas celulares e se depositarem profundamente nos nossos tecidos.
Nosso corpo reconhece esses invasores e desencadeia uma inflamao para remover as partculas estranhas. Mas, como nossas defesas naturais no conseguem decompor o plstico, a resposta inflamatria pode ser desencadeada repetidamente, causando danos a longo prazo.
Por exemplo, partculas que circulam pelo sistema respiratrio podem desencadear uma inflamao generalizada que prejudica a respirao e contribui para o desenvolvimento de asma e pneumonia.
Pior ainda, a inflamao leva a um aumento do fluxo sanguneo para esses tecidos, o que permite que os plsticos se espalhem pelo corpo. Partculas foram detectadas em nossos fgados, baos, msculos, ossos e at mesmo em nossos crebros.
difcil dizer exatamente quanto plstico existe em uma pessoa, mas essas partculas so apenas a ponta do iceberg. Existem mais de 16.000 substncias qumicas envolvidas na produo de plstico e, sempre que o plstico entra em seu corpo, algumas dessas substncias qumicas tambm entram.
A grande maioria delas tem impactos na sade que ainda no compreendemos, o que dificulta a associao de problemas de sade especficos com substncias qumicas e plsticos especficos.
No entanto, pesquisadores identificaram alguns grupos particularmente perigosos. Substncias qumicas disruptoras endcrinas, como ftalatos, PFAS e BPA, so conhecidas por alterar a atividade hormonal, causando estragos em todo o corpo.
Ao ativar ou inibir receptores hormonais, as substncias disruptoras endcrinas podem sequestrar nosso metabolismo, aumentando o risco de obesidade e diabetes tipo 2.
Elas podem imitar a testosterona e o estrognio, confundindo o equilbrio hormonal do nosso corpo.
Em mulheres, altos nveis de ftalatos tm sido associados a complicaes na gravidez. E em homens, a alta exposio ao BPA tem sido relacionada diminuio da contagem de espermatozoides.
De fato, pesquisas sugerem que esses produtos qumicos contriburam para o declnio global na contagem de espermatozoides nos ltimos 50 anos.
Hoje, a maioria das pessoas entra em contato com esses produtos qumicos antes mesmo de nascer. Um estudo com mais de 300 pr-adolescentes descobriu que a exposio a desreguladores endcrinos no tero pode ter impactado o momento em que eles entraram na puberdade mais de uma dcada depois.
fcil se sentir sobrecarregado por essa praga plstica. Afinal, no existem intervenes mdicas para remover esse material de nossos corpos. E os dados sugerem que essas partculas se acumulam dentro de ns mais rapidamente do que as excretamos pelo suor, urina e fezes.
Mas pequenas escolhas que voc faz todos os dias podem reduzir a quantidade de plstico que entra em seu corpo.
Ao comprar roupas, procure peas feitas de fibras naturais sem produtos qumicos txicos.
Troque suas tbuas de corte e recipientes de plstico por substitutos de madeira, ao inoxidvel e vidro.
Elimine o plstico descartvel e compre alimentos frescos e sem embalagem sempre que possvel. Quanto mais as pessoas pararem de comprar plstico, menos dele veremos.
Mas resolver um problema to grande exige grandes solues. Assim como a gasolina, o plstico um produto petroqumico fabricado e vendido em larga escala.
Portanto, ser necessrio legislao sria e extensiva para tornar esse material mais seguro e regular a quantidade que colocamos em nosso mundo e em nossos corpos.
O pior desta histria que o ser humano no vive sem plstico. Uma interrupo global imediata do uso de plstico causaria perturbao grave e catica nos sistemas de sade, alimentao e logstica.
Embora isso pudesse evitar a poluio futura, o mundo est abordando essa questo por meio de um tratado global juridicamente vinculativo da ONU sobre o plstico, com o objetivo de reduzir a produo, melhorar a gesto de resduos e desenvolver materiais alternativos e sustentveis.
O sistema de sade enfrentaria uma situao devastadora, j que a maioria dos equipamentos mdicos (seringas, tubos intravenosos, instrumentos cirrgicos) feita de plstico descartvel.
As cadeias de abastecimento entrariam em colapso. O plstico protege os alimentos e, sem ele, os produtos frescos se deteriorariam, levando a um desperdcio alimentar significativo.
O transporte, o varejo e a fabricao ficariam paralisados devido falta de embalagens e componentes de proteo.
O isolamento eltrico (cabos, fios) e muitos bens de consumo deixariam de existir ou exigiriam substitutos imediatos e difceis de serem replicados em larga escala.
Por isso negociadores globais esto finalizando o primeiro tratado internacional juridicamente vinculativo para reduzir a produo de plstico e abordar a crise em sua origem.
Os pases esto buscando reduzir a produo de plstico em vez de depender apenas da reciclagem, com o objetivo de diminuir os gases de efeito estufa e a poluio.
A inovao est focada na criao de biopolmeros e alternativas biodegradveis como amido e celulose utilizados como base para a produo de polmeros naturais. Pesquisadores j criaram materiais biodegradveis a partir de tomate, chia, organo e caroo de manga. As algas marinhas podem ser utilizadas para criar embalagens e sacolas comestveis e completamente biodegradveis.
Os governos esto implementando timidamente proibies de plsticos descartveis, aplicando sistemas de depsito de garrafas e incentivando um melhor design de embalagens.
Em vrias cidades e estados, as sacolinhas plsticas de polietileno foram proibidas e substitudas por alternativas ecolgicas ou retornveis. O problema que as alternativas tem preo e nenhum brasileiro quer pagar por algo que antes era gratuito.
Embora uma proibio total e imediata seja irrealista, a meta global acabar com a poluio plstica at 2050 por meio de mudanas sistmicas e inovao tecnolgica.
Difcil! At l, talvez o Homo sapiens j tenha se tornado Homo plasticus. Ou quem sabe?!? Com um pouquinho de bom humor nos tornemos o Homo kardashian, em aluso as irms de borracha.
Por favor, apie o MDig com o valor que voc puder e isso leva apenas um minuto. Obrigado!
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