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Os 7 melhores filmes para ver hoje na Netflix

A determinação é o abrigo do homem nas tempestades da vida. Mas o destino, esse sádico tirano, insiste em lembrar-nos de que nem sempre vencemos nossas batalhas só com bravura. Amores enérgicos, que um dia pareceram durar para sempre, acabam por esfacelar-se e são levados pelo vento, restando apenas memórias que dançam entre a ternura e a dor. Da frustração diante do que não pode ser mudado surgem, muitas vezes, posturas agressivas, raivosas, que lutam contra a impotência que teima em mutilar os sonhos de cada um. O imponderável desvia-nos da rota, transforma certezas em dúvidas, esperanças em despedidas. O sentimento amoroso não resiste ao passar dos anos, rupturas podem desencadear sofrimento atroz, e a inépcia quanto a aceitar o fim prenuncia traumas.

A solidão nem sempre encontra palavras justas o suficiente para traduzi-la. Carrega-se um peso que paralisa o corpo e fragmenta a alma, embaçando nosso olhar sobre a vida. Corre-se o risco de se perder de si mesmo e lançar-se a um abismo de silêncios. O recomeço é como cruzar um dédalo de perguntas sem resposta. Descortina-se um universo paralelo e mágico, santo e diabólico, onde se dão crimes de toda sorte, mocinhos e vilões trocam de roupa e de lugar sem nenhuma cerimônia, arrevesa-se a natureza das emoções e atira-se ao fogo o que deveria ser guardado e ficar para sempre, porto seguro para navegantes cansados dos mares procelosos da descrença de tudo.

Esse tumulto conceitual das coisas que nos elevam e daquelas das quais esforçamo-nos por fugir, mas que nos perseguem por toda uma vida, sem descanso, presente em qualquer um, fica ainda mais óbvio no momento iluminado em que nos deparamos com certas manifestações artísticas. No caso dos filmes, o amálgama de imagens desconcertantes por natureza, uma vez que nunca hão de se projetar com tanta perfeição na vida como ela é, e enredos tão triviais, a ponto de nos ressabiar por tão parecidos com a nossa própria história, é mesmo uma inexplicável alquimia, um feitiço. As desventuras de uma assassina profissional que tenta conciliar a rotina tão idiossincrásica de seu ofício com a educação da filha, pode não ter relação alguma com a jornada excruciante de um trabalhador digno, mas com “Kill Boksoon” (2023), o sul-coreano Byun Sung-hyun prova que a diferença entre sua personagem-título e qualquer um de nós é incomodamente miúda. Junto com outros seis títulos, os melhores do acervo da Netflix, “Kill Boksoon” foi um dos grandes destaques da plataforma há dois anos, e continua a ser um dos que mais surpreendem o público. Fugir do óbvio é mesmo uma especialidade do cinema da Coreia do Sul.



Fonte

Redação

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