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Os 7 melhores filmes europeus da Netflix

A luta pela sobrevivência não é apenas física: sobreviver é resistir à fome, mas também ao medo, à perda de identidade e até ao peso das lembranças. É aí que o acaso e a sorte levantam-se como forças que moldam destinos, tornando cada experiência algo singular. Na guerra, os soldados aprendem que a lógica pode ser tanto uma aliada como uma adversária irascível. Obedecer ao instinto pode conduzir a uma vitória redentora e inesperada ou à morte humilhante e implacável. Confrontos bélicos são sempre monstruosos, mas separam os homens em quem se pode confiar de todo o resto.

A história da Europa é profundamente marcada pela guerra, imprescindível na formação de suas sociedades, fronteiras e identidade cultural. Desde as invasões bárbaras que precipitaram a fragorosa queda do Império Romano (27 a.C. — 476 d.C.) até os conflitos feudais na Idade Média (476-1453), a violência foi um elemento que ajudou a estruturar a organização do poder no Velho Mundo. Cada guerra não apenas destruiu, mas também remodelou territórios, forjou alianças e estimulou migrações que, por sua vez, misturaram etnias e sangues. A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) mudou a cara da França e da Inglaterra, enquanto as Cruzadas, entre os séculos 11 e 13, promoveram o encontro do Ocidente cristão com o Oriente muçulmano, anunciando o Renascimento, entre meados do século 14 e o fim do século 16. 

No período moderno, guerras religiosas dividiram o continente, mas escreveram lições de soberania e tolerância. No século 20, os dois conflitos mundiais não apenas devastaram, mas serviram para catalisar as transformações sociais, tecnológicas e políticas que deram na União Europeia, concebida como resposta ao trauma da destruição. Paradoxalmente, a guerra é uma força disruptiva e, no entanto, criadora, capaz de firmar a complexa tessitura sociocultural que definiu o povo europeu como o conhecemos. Ao longo do tempo, catástrofe foi também oportunidade de mudança e de evolução. 

Em tempos de incerteza, as manifestações artísticas são um porto seguro. Mais do que diversão, o cinema transporta o espectador para outras realidades, fazendo-o refletir sobre os eternos dilemas humanos e achar não respostas, porque não é esta a sua obrigação, mas alento diante do cansaço tirânico do dia a dia, das vicissitudes da existência, do crescente mal-estar de tudo. Os combates armados são um assunto que ocorre com alguma frequência nos filmes europeus, malgrado a indústria cinematográfica de além-mar esteja longe de ser apenas isso. É o que comprova nossa lista, com sete produções europeias que espelham o melhor da tela grande no catálogo da Netflix. Se a vida é um campo de batalha, a arte é uma fortaleza.



Fonte

Redação

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