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Os 10 melhores filmes para ver hoje na Netflix

O desejo de acumular poder ergue os impérios e faz as guerras. O homem, quando movido pela ânsia de ter mais do que precisa, fica cego e, diante das consequências de seus atos, legitima práticas violentas em nome de uma suposta evolução. Negar a ciência, desprezar indicadores históricos ou minimizar tragédias serve como mecanismo de defesa para preservar um modo de vida que parece confortável, mas que cobra seu preço. Catástrofes ambientais, genocídios ou pandemias são vistos como males necessários por tecnocratas insanos, que mantém seus palácios às custas da ignorância e da morte dos desvalidos. Nesse emaranhado de forças desiguais, a luta pela sobrevivência é a liga que une o gênero humano. Em tempos de escassez, os indivíduos são capazes de revelar seu altruísmo tão oculto pelo ramerrão do dia a dia, ou, ao contrário, libertam seus monstros, são brutais, entregam-se a jogos sádicos que, evidentemente, só têm perdedores. Levantam-se questões que ninguém responde sem titubear. Dividir o pouco que se guarda com sacrifício ou ver campear a miséria e a fome? Garantir a existência do outro ou preservar-se? Esse é o cenário perfeito para disputas cruéis de que a religião tenta ser mediadora, pregando valores como compaixão, misericórdia, generosidade, bravura. 

A coragem é o porto seguro para o mar proceloso do desespero. Quando tudo parece desmoronar, é ela quem nos faz erguer a cabeça — mesmo que os olhos estejam marejados. Nos momentos em que a vida mostra-se impossível é que precisamos subjugar o medo e seguir adiante, embora paralise-nos a incerteza e o excesso de cuidados. A intrepidez nutre a dignidade, e ainda que o mundo recuse-nos qualquer pretexto para continuar, avançamos. Resistência ainda é a palavra para tempos amargos como os nossos, e sobreviver não é tudo. O coração tem que pulsar com mais força quando o existir parece uma batalha desleal, sem perspectiva de um amanhã luminoso. Somos capazes de destruir em nome de esperanças de papel, que sucumbem à primeira tempestade, mas cremos que salvar-nos-á a Providência, porque está é a função de Deus, sim! O homo sapiens sapiens, a espécie mais desgraçada da Criação, dispõe do admirável talento de cruzar avenidas cheias para estatelar-se nas armadilhas que deixara não muito antes, paradoxo a que estamos condenados ad aeternum. Nas dez produções abaixo, algumas das melhores do catálogo da Netflix, resta óbvio, de uma maneira ou outra, nosso dom de cavar nosso abismo. Felizmente, também sabemos rir de nossas tragédias.



Fonte

Redação

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