Algumas histórias começam com uma pergunta silenciosa: o que acontece quando o tempo decide seguir um caminho completamente diferente daquele que todos conhecem? “O Curioso Caso de Benjamin Button” é uma dessas histórias raras que parecem simples à primeira vista, mas carregam uma ideia tão poderosa que acabam ficando na cabeça por muito tempo. Dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, o filme parte de uma história impossível: Benjamin Button (Brad Pitt) nasce em 1918 com a aparência e a fragilidade de um homem de oitenta anos. Em vez de envelhecer como qualquer pessoa, ele passa a vida inteira fazendo o movimento contrário. A cada ano que passa, Benjamin rejuvenesce.
Esse ponto de partida já seria suficiente para chamar atenção, mas o que realmente sustenta o filme não é o truque fantástico da história. O que move tudo é a vida que Benjamin tenta construir enquanto o tempo insiste em brincar com ele. Ainda bebê, abandonado pelo próprio pai, ele acaba sendo acolhido por Queenie, que trabalha em um asilo de idosos em Nova Orleans. Ali, cercado por pessoas que estão vivendo seus últimos anos, Benjamin cresce de forma completamente fora do padrão. Enquanto os moradores da casa seguem o caminho natural da velhice, ele lentamente começa a parecer menos velho.
É nesse ambiente improvável que surge Daisy (Cate Blanchett), neta de uma das moradoras do asilo. Os dois se conhecem ainda crianças, mas a relação já nasce atravessada por uma estranha confusão de idades. Benjamin tem o rosto de um idoso, mas a curiosidade de um garoto. Daisy, cheia de energia e sonhos, não vê problema nessa diferença. Eles se tornam amigos e, com o passar do tempo, algo mais profundo começa a surgir entre eles.
Só que o tempo, que já é complicado para qualquer romance, aqui vira um verdadeiro desafio. Daisy cresce normalmente, vira uma jovem cheia de ambições e sonhos, enquanto Benjamin segue o caminho inverso, ficando cada vez mais jovem. Em determinados momentos da vida, os dois parecem viver em universos completamente diferentes. Em outros, a distância entre eles diminui. Essa dinâmica cria um tipo de expectativa silenciosa: será que em algum momento suas vidas finalmente vão se alinhar?
David Fincher conduz essa história com uma calma incomum para um diretor conhecido por filmes mais sombrios e tensos. Aqui ele prefere observar a passagem do tempo, os encontros e desencontros da vida de Benjamin. O personagem viaja, conhece outras pessoas, descobre o mundo e tenta entender como viver quando seu próprio corpo desafia todas as regras naturais. Brad Pitt interpreta Benjamin com uma mistura interessante de curiosidade e melancolia, como alguém que observa a vida acontecer sabendo que sua experiência nunca será igual à de ninguém.
Cate Blanchett também dá força à história com Daisy, uma personagem cheia de vida, ambição e sensibilidade. Ela segue seu próprio caminho, sonha com a carreira na dança e tenta construir uma vida que faça sentido para ela. Sempre que os dois se reencontram, existe uma tensão silenciosa no ar, porque ambos sabem que o tempo não está jogando a favor deles.
“O Curioso Caso de Benjamin Button” funciona muito bem justamente porque não tenta transformar sua ideia central em espetáculo vazio. Em vez disso, o filme prefere acompanhar as pequenas escolhas da vida, os encontros inesperados e os momentos que acabam definindo quem somos. A fantasia da história serve apenas como ponto de partida para algo muito mais humano.
O filme propõe mais que uma curiosidade sobre envelhecer. É um olhar sensível sobre o tempo, sobre as pessoas que cruzam nosso caminho e sobre como cada fase da vida traz oportunidades que não voltam mais. Benjamin Button vive tudo fora de ordem, mas talvez por isso mesmo enxergue com mais clareza algo que todo mundo sente em algum momento: o tempo nunca para, e cada encontro pode ser mais importante do que parece.
Filme:
O Curioso Caso de Benjamin Button
Diretor:
David Fincher
Ano:
2008
Gênero:
Drama/Fantasia/Romance
Avaliação:
10/10
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Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
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