Baron (Joe Keery) não parece alguém que tomaria uma decisão radical, pelo menos não até conhecer Marmalade (Camila Morrone). Em “Cúmplice em Fuga”, dirigido por Keir O’Donnell, acompanhamos esse encontro no presente, em uma pequena cidade que oferece poucas saídas, onde o jovem vive ao lado da mãe doente e tenta, sem muito sucesso, imaginar um futuro diferente. É justamente essa sensação de estagnação que o empurra para uma escolha que muda tudo: aceitar participar de um assalto por alguém que ele mal conhece, acreditando que ali começa uma nova vida.
A aproximação entre Baron e Marmalade acontece rápido, quase sem espaço para desconfiança. Ela surge com uma mistura de charme e urgência, alguém que já viveu o suficiente para não esperar permissão de ninguém. Ele, ao contrário, ainda mede o mundo com cautela, ou mediria, se não estivesse tão disposto a acreditar nela. O plano do roubo aparece como uma promessa concreta: dinheiro, fuga, liberdade. Só que, como o próprio filme deixa claro desde cedo, entusiasmo não substitui preparo. O assalto falha, e não por um detalhe isolado, mas por uma soma de decisões mal calculadas. Em poucos minutos, o que parecia uma virada de chave vira uma queda direta: Baron é preso.
A partir daí, a história muda de tom sem perder o ritmo. Na prisão, Baron precisa aprender rápido as regras de um ambiente onde ingenuidade não é exatamente uma qualidade valorizada. É nesse cenário que ele conhece Otis (Aldis Hodge), seu colega de cela, um homem que fala pouco, observa muito e parece sempre saber mais do que revela. Otis oferece ajuda, ou melhor, oferece uma possibilidade: um plano de fuga. Mas nada vem de graça. E Baron, que já entrou em um problema grande demais confiando rápido demais, se vê novamente diante de uma escolha parecida.
O interessante é como o filme constrói essa relação. Otis não força nada. Ele sugere, testa, recua, observa. Baron aceita porque precisa não só sair da prisão, mas também dar algum sentido ao que fez. Existe ali uma tentativa quase desesperada de transformar erro em narrativa coerente, como se fugir pudesse corrigir o que levou até aquele ponto. E, nesse processo, ele vai cedendo espaço, deixando que Otis defina o ritmo e as condições.
Mesmo com esse pano de fundo mais tenso, o filme encontra espaço para humor, especialmente nas tentativas de Baron de justificar suas escolhas. Há algo de quase constrangedor na forma como ele tenta organizar os fatos na própria cabeça, como se estivesse sempre um passo atrás da realidade. E é aí que a comédia aparece: não como alívio, mas como contraste. A situação é séria, mas a forma como ele reage revela o quanto ainda está despreparado para lidar com ela.
Ao mesmo tempo, Marmalade nunca desaparece completamente da história. Ela continua presente nas lembranças de Baron, nas decisões que ele toma, na maneira como ele interpreta o que aconteceu. O romance, que começou como impulso, passa a funcionar como explicação, talvez até como desculpa. Ele se agarra à ideia de que tudo aquilo teve um motivo maior, mesmo quando os fatos apontam para o contrário.
“Cúmplice em Fuga” se sustenta justamente nesse equilíbrio entre leveza e consequência. Não é uma história sobre grandes criminosos ou planos geniais, mas sobre pessoas comuns tomando decisões grandes demais para a própria experiência. Baron não quer ser um fora da lei; ele quer sair de onde está. Só escolhe o caminho errado para isso.
O filme não deixa exatamente a pergunta sobre se ele vai conseguir escapar, mas sobre o quanto ele ainda controla da própria história. Porque, a cada passo, alguém parece saber mais do que ele, e agir antes.
Filme:
Cúmplice em Fuga
Diretor:
Keir O’Donnell
Ano:
2024
Gênero:
Comédia/Crime/Drama/Romance/Suspense
Avaliação:
8/10
1
1
Helena Oliveira
★★★★★★★★★★
Dirigido por Brian Brough, “Que Manda o Coração” é um drama americano de 2018 que…
O técnico Vanderlei Luxemburgo recebeu alta hospitalar neste domingo após fazer tratamento para uma infecção…
CEO da United Airlines projeta cenário desafiador com alta do combustível e mudanças na aviação…
Viajantes enfrentam uma dose extra de frustração enquanto as filas de segurança do aeroporto se…
Existe um tipo muito específico de problema que começa com um “você pode me fazer…
O concurso 2.987 da Mega-Sena, cujo sorteio foi realizado na noite desse sábado (21), em…