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O que mudou na aviação brasileira? Relatório da Anac detalha crescimento, custos e projetos para 2026

O que mudou na aviação brasileira? Relatório da Anac detalha crescimento, custos e projetos para 2026

Fabio Rogério, presidente da ABR; Tomé França, secretário-executivo do MPor; Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos; Tiago Faierstein, diretor-presidente da Anac; e Daniel Longo, secretário nacional de Aviação Civil (Reprodução/Teams)

A aviação civil brasileira encerrou 2025 em um novo patamar de crescimento, com recordes históricos de passageiros no período pós-pandemia, avanço nas concessões aeroportuárias e melhora nos indicadores operacionais. O panorama do setor foi apresentado nesta segunda-feira (19), durante coletiva de imprensa realizada em Brasília e transmitida de forma online, que reuniu autoridades, representantes do setor produtivo e a imprensa para a divulgação do relatório anual da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e das perspectivas para 2026.

Segundo os dados apresentados, o Brasil terminou o ano com quase 130 milhões de passageiros transportados, um salto significativo em relação a 2022, quando o número foi de 97 milhões. O mercado internacional também registrou desempenho expressivo, com crescimento superior a 20% no fluxo de passageiros estrangeiros em 2025, consolidando a retomada do setor e o fortalecimento do país como destino turístico.

Para o diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, os números refletem um trabalho coordenado entre regulação, investimentos e modernização da infraestrutura. “Os dados mostram uma aviação mais robusta, com mais passageiros, maior eficiência operacional e uma agenda clara de desenvolvimento para os próximos anos”, afirmou.

O que mudou na aviação brasileira? Relatório da Anac detalha crescimento, custos e projetos para 2026
(Reprodução/Anac)

Passagens aéreas mais acessíveis

Além do crescimento da demanda, o relatório da Anac também apontou avanços no custo das passagens aéreas, um dos principais indicadores acompanhados pelo setor. De acordo com a agência, as tarifas médias apresentaram redução em termos reais, acompanhando o aumento da oferta de assentos, a retomada das rotas e o fortalecimento da concorrência no mercado doméstico e internacional.

Para Faierstein, a combinação entre maior eficiência operacional, ampliação da malha aérea e ambiente regulatório mais estável tem impacto direto no bolso do passageiro. “O crescimento da aviação precisa caminhar junto com a acessibilidade. Quando conseguimos ampliar a oferta, melhorar a infraestrutura e garantir segurança regulatória, o resultado aparece também no preço final da passagem”, destacou.

O que mudou na aviação brasileira? Relatório da Anac detalha crescimento, custos e projetos para 2026
(Reprodução/Anac)

Concessões e investimentos em infraestrutura

Presente no evento, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, ressaltou o papel estratégico da Anac para a economia e a segurança nacional e elogiou a atuação da agência. “A Anac é uma instituição estratégica para o país, para a economia brasileira e para a segurança nacional. É muito bom poder vir à agência e reencontrar tantos profissionais que ajudam a construir uma aviação mais forte e moderna”, disse.

Um dos principais eixos apontados pelo ministro foi o avanço das concessões aeroportuárias. Segundo ele, o governo federal conduz um amplo programa de reestruturação e renegociação de contratos, em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), com a meta de consolidar 72 aeroportos concedidos à iniciativa privada, sem contar as concessões estaduais e municipais. “Estamos falando de quase 70 concessões no país, dentro de uma política clara de ampliação das parcerias público-privadas”, explicou.

A expectativa do ministério é realizar mais de 20 novas concessões ao longo de 2026, o que pode levar o Brasil a ultrapassar a marca de 100 ativos de infraestrutura sob gestão privada, acompanhados pelo governo federal. “Esse é um passo fundamental para garantir investimentos, eficiência e qualidade dos serviços prestados aos passageiros”, afirmou Costa Filho.

Outro destaque foi o programa Investe Mais Aeroportos, que prevê mais de R$ 15 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos. A iniciativa busca transformar aeroportos em hubs de desenvolvimento, com centros comerciais, terminais de carga, hotéis, universidades e outros serviços. “Os aeroportos estão se tornando polos de geração de emprego, renda e desenvolvimento regional, o que valoriza o ativo público hoje e também no futuro, quando houver relicitações”, pontuou o ministro.

Modernização, mão de obra e fortalecimento das companhias

No campo da modernização, o relatório da Anac aponta avanços em tecnologia, governança e digitalização, com impactos diretos na experiência do passageiro. O Brasil já figura entre os países com menores tempos médios de fila em aeroportos, indicador que, segundo o governo, pode evoluir ainda mais com a ampliação das concessões e a integração entre órgãos como Receita Federal, Polícia Federal e autoridades de fronteira.

A qualificação profissional também aparece como um pilar central para sustentar o crescimento do setor. Em 2025, mais de 3,8 mil pessoas obtiveram licenças de formação profissional, além da entrada de 1,3 mil novos mecânicos na aviação civil. “Na medida em que a aviação cresce, precisamos formar mais brasileiros, com atenção especial à inclusão de jovens e mulheres no setor”, ressaltou Costa Filho.

O que mudou na aviação brasileira? Relatório da Anac detalha crescimento, custos e projetos para 2026
(Reprodução/Anac)

O ministro também abordou a reestruturação das companhias aéreas brasileiras, lembrando que, no início do atual governo, empresas como Latam, Gol e Azul enfrentavam processos de recuperação judicial. “Hoje, vemos uma realidade muito diferente. A Latam voltou a crescer e anunciou a compra de até 74 aeronaves da Embraer. A Gol avançou em seu processo de recuperação, e a expectativa é que a Azul também deixe o Chapter 11 nos próximos meses”, afirmou.

Segundo ele, o fortalecimento das companhias nacionais é essencial para garantir competitividade, ampliação de rotas, maior oferta de assentos e preços mais equilibrados ao consumidor. “As três grandes companhias brasileiras sairão desse período muito mais fortes, o que impacta diretamente o turismo, a economia e o desenvolvimento do país”, completou.

Ao encerrar o evento, Costa Filho reforçou a confiança nos dados apresentados e no trabalho conjunto entre governo, agência reguladora e iniciativa privada. “Os números são positivos e mostram que estamos no caminho certo. Temos muito trabalho pela frente, mas a aviação brasileira voltou a crescer, gerar emprego e renda, e a colocar o turismo na ordem do dia nacional”, concluiu.



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