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o que explica a crise?

Depois de fechar com queda de 61,48% na véspera, as ações da Ambipar (AMBP3) operam nesta sexta-feira (3) com perdas de 49,09%, a R$ 1,40. O movimento de aversão ao risco reflete a grave crise de confiança dos investidores após a companhia de serviços de emergência ambientais entrar com pedido de proteção contra credores no fim do mês passado.

A empresa vem de uma sucessão de eventos considerados negativos, desde a saída do diretor financeiro até o catalisador mais recente: a obtenção de liminar contra credores.

Entenda a seguir os principais pontos da crise envolvendo a companhia.

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FIDC com supostas irregularidades

O fato mais recente que abalou a confiança na empresa foi a notícia da existência de supostas irregularidades em um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) onde a Ambipar afirma estar parte de seu caixa. Segundo o site Pipeline, o veículo tem indícios de que partes relacionadas à companhia operam nas duas pontas da operação, tanto cedendo o direito creditório quanto emprestando dinheiro usando-os como colateral.

Pedido de proteção

A reportagem veio à tona após a Ambipar entrar com um pedido de tutela cautelar, uma medida de proteção emergencial contra pressões de credores. A empresa recorreu a esse instrumento pois estava sendo cobrada de forma que poderia disparar cláusulas de vencimento antecipado (cross default), o que a obrigaria a quitar mais de R$ 10 bilhões de imediato.

A Justiça do Rio de Janeiro concedeu a suspensão de cobranças e execuções por 30 dias, prorrogáveis por mais 30. “Esse processo não configura ainda uma recuperação judicial, mas pode ser um passo anterior caso não haja acordo com credores”, explica a XP Investimentos. “No momento, a companhia busca ganhar tempo para negociar.”

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Credor contesta decisão

O Banco Sumitomo contestou a decisão que concede proteção contra credores à Ambipar, alegando que a empresa usou contratos específicos para blindar 353 sociedades e questionando a real necessidade da medida, já que o grupo diz possuir R$ 4,7 bilhões em caixa, dos quais R$ 2 bilhões em liquidez imediata – o que ficou em cheque pela suposta irregularidades dos FIDCs.

A escolha da jurisdição também é alvo de disputa: o processo tramita no Rio de Janeiro, mas bancos como ABC Brasil, Bradesco, BB, Santander, Sumitomo Mitsui e Itaú argumentam que a sede da holding é em São Paulo, onde estão o conselho e a maior parte das receitas.

Reestruturação de dívida

Paralelamente, a Ambipar contratou a BR Partners para assessorar a reestruturação da dívida, após negociações frustradas com a Seneca Evercore, enquanto um grupo de bondholders se organiza para iniciar conversas com a empresa.

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Recuperação judicial iminente?

Para Max Mustrangi, CEO da Excellance e especialista em reestruturação de empresas, o pedido de recuperação judicial pela Ambipar é iminente. “As dívidas da Ambipar ficaram maiores nos últimos anos e mesmo com as ações em alta em 2024, os indicadores financeiros só pioraram”, avaliou. “É muito difícil que eles consigam colocar tanto dinheiro para cobrir esse rombo e se reestruturar sem que exista um pedido de execução de dívida. A RJ aqui é iminente e deve vir nos próximos meses”, analisa Mustrangi.

“Caso a Ambipar anuncie formalmente um plano de reestruturação de sua dívida, as classificações serão rebaixadas para ‘RD’, a fim de refletir um evento de inadimplência restrita, ou para ‘D’, se a empresa entrar com pedido de recuperação judicial”, disse a agência de riscos Fitch.

Nota de crédito rebaixada

A S&P Global Ratings também rebaixou os ratings de crédito da Ambipar, em escala global, para emissor e emissão, várias posições para ‘D’ (default), de ‘BB-’.

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Para investidores, na visão da XP, o cenário inspira máxima cautela. “Para quem não tem posição, o risco é alto e o mais prudente parece ser ficar de fora, enquanto as perspectivas são nebulosas”, disse a corretora.

“Já para acionistas, a decisão depende do perfil: vender agora significa realizar perdas, enquanto manter a posição implica pagar pra ver o resultado de todo o processo, se expor ao risco de queda adicional ou até perda total, caso a empresa avance para uma recuperação judicial”, completa a casa.



Fonte

Redação

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