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o que aconteceu (ou não) nos pleitos do turismo em 2025

O turismo brasileiro viveu em 2025 um ano de contrastes. Enquanto o país quebrou recordes históricos na chegada de turistas internacionais e consolidou novas estratégias de promoção, outras pautas cruciais simplesmente pararam no tempo. Algumas esquecidas, outras engolidas por crises, investigações e disputas políticas.

O M&E revisita agora as principais agendas defendidas pelo setor no início do ano e mostra o que de fato aconteceu (ou deixou de acontecer) ao longo de 2025.

(Gemini/IA)

1. Responsabilidade solidária: um debate que esmoreceu

A promessa de uma Medida Provisória para regulamentar o termo de responsabilidade solidária das agências de viagens parecia ganhar corpo no início do ano. Em fevereiro, o Ministério do Turismo chegou a validar o texto durante reunião do CNT, e havia expectativa de envio à Presidência em março.

Mas o tema voltou à tona apenas em maio, em meio à crise da ViagensPromo. Em audiência na Alesp, representantes da Abav defenderam urgência na regulação, denunciando a “injustiça” de responsabilizar agências por falhas de terceiros.

Apesar da comoção, o assunto esfriou novamente. A MP nunca foi enviada e, ao fim de 2025, o pleito mais simbólico do agenciamento segue sem avanços concretos. O M&E apura com Abav e Ministério do Turismo se a proposta será retomada em 2026.

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2. Jogos de azar: expectativas travadas pela CPI das bets

Se 2024 terminou com otimismo em torno da regulamentação dos cassinos e apostas, 2025 foi o ano da decepção. O Projeto de Lei que legaliza os jogos de azar, aprovado na Câmara, empacou no Senado após a abertura da CPI das Bets e o aumento das críticas públicas sobre os impactos sociais das apostas online.

O debate que antes prometia atrair novos investimentos para o turismo de entretenimento se transformou em um campo minado. O setor agora enfrenta a necessidade de reconstruir o diálogo e dissociar o turismo legalizado do estigma das “bets” ilegais.

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3. Perse chega ao fim: o golpe mais duro para eventos e turismo

Uma das decisões mais impactantes do ano foi o fim oficial do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), confirmado pelo ministro Fernando Haddad em abril.

Com o encerramento do benefício fiscal, empresas de turismo e eventos passaram a lidar com aumento imediato da carga tributária e retração no ritmo de contratações.

A Receita Federal apontou gastos acima do teto de R$ 15 bilhões como justificativa, mas entidades do setor alertam para os efeitos colaterais: após quatro anos de recuperação, o emprego no turismo voltou a cair.

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4. Fusão Gol e Azul: do rumor à frustração

O casamento mais comentado da aviação brasileira não saiu do papel. Depois da recuperação judicial da Gol nos Estados Unidos, o mercado aguardava uma união estratégica com a Azul.

Mas o cenário mudou rapidamente: divergências sobre valores, entraves regulatórios do Cade e problemas no acordo de codeshare levaram ao descarte oficial da fusão em setembro.

A Azul, que também entrou em processo de reestruturação financeira, encerra o ano focada em rotas regionais e eficiência operacional, enquanto o setor aéreo continua dividido e pressionado por custos altos.

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5. Crise digital: TAC do Hurb e o lento avanço da 123 Milhas

A tentativa de assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Senacon e o Hurb foi oficialmente abandonada após uma sucessão de escândalos que culminaram na prisão do CEO da plataforma.
A ausência de regulação clara para o turismo online volta a preocupar o trade.

Por outro lado, um avanço tímido veio da 123 Milhas: a Justiça de Minas Gerais anunciou a criação de uma plataforma online para negociação dos valores devidos a clientes. O site, que deve entrar no ar até o fim do ano, permitirá que os mais de 800 mil credores acompanhem e negociem suas restituições.

Mesmo assim, os pagamentos poderão se estender até 2031, um retrato da lentidão do processo e da fragilidade das relações digitais no turismo.

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6. Brasil bate recorde histórico de turistas internacionais

Nem só de impasses viveu o turismo em 2025. O Brasil ultrapassou a marca de 7 milhões de turistas internacionais até setembro, quase 9 milhões em novembro, e pode chegar a 10 milhões até o fim do ano, superando todas as projeções.

O resultado é fruto do trabalho conjunto entre Embratur e Ministério do Turismo, com ações como o lançamento do plano Brasis, intensificação de campanhas internacionais e lançamento das marcas Nordeste e Amazônia.

Para Marcelo Freixo, presidente da Embratur, o ano simboliza “a virada de chave definitiva na imagem do Brasil como destino global”.

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7. Marca Nordeste: nova identidade regional ganha o mundo

Apresentada oficialmente durante a FIT Buenos Aires, a Marca Nordeste foi uma das entregas mais celebradas de 2025.

Criada com apoio de secretarias estaduais e de uma agência especializada em branding, a identidade posiciona o Nordeste como uma marca turística unificada, moderna e atrativa para o mercado internacional.

O lançamento também inspira novos projetos de regionalização, como a marca Amazonia, prevista para 2026.

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8. Cultura, esportes e megashows: um ano de palco cheio

O Brasil consolidou-se em 2025 como destino para grandes eventos e experiências culturais.

Shows internacionais como o de Lady Gaga, festivais regionais e o retorno da NFL ao país impulsionaram o turismo doméstico e ajudaram a movimentar economias locais.

A Fórmula 1 também registrou público recorde em Interlagos, reforçando o potencial dos eventos esportivos como vetor de turismo econômico.

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9. FIDC ViagensPromo e Faturepag: o início de uma crise

O projeto que prometia ser um dos mais inovadores do trade: o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) entre ViagensPromo e Faturepag, tornou-se um símbolo do colapso de confiança no setor.

Anunciado com expectativa de movimentar até R$ 1,5 bilhão por ano, o fundo foi interrompido em meio à crise da ViagensPromo, que deixou milhares de consumidores sem reembolso.

O caso será tema de uma matéria especial do M&E, que detalhará o impacto da crise e suas repercussões no mercado de intermediação de viagens.

Um ano de lições e redefinições

2025 termina com um misto de conquistas e frustrações. O turismo brasileiro provou sua força, mas também revelou sua vulnerabilidade diante da falta de regulação, instabilidade política e crises corporativas.

Entre o otimismo da retomada e as feridas ainda abertas, o setor chega a 2026 com uma pauta clara: garantir segurança jurídica, previsibilidade e equilíbrio competitivo.

Se o aprendizado de 2025 servir de guia, o futuro do turismo no Brasil pode, enfim, se firmar sobre bases mais sólidas.

Mas o que andou para além dessas pautas?

Se 2025 foi o ano de revisitar velhos pleitos, também foi o período em que novas discussões ganharam corpo no turismo brasileiro, muitas delas nascidas de crises recentes ou da percepção de que ainda há muito a ser modernizado.

Entre debates sobre bagagens aéreas, tributação internacional e credibilidade do Cadastur, o setor começa a desenhar a próxima agenda de reivindicações para 2026.

Bagagens aéreas voltam ao centro do debate

Após um breve período de estabilidade, a política de bagagens voltou a causar polêmica em 2025.
A decisão de Gol e Latam de endurecer regras e elevar taxas de despacho reacendeu a pressão de entidades de defesa do consumidor e parlamentares. Passageiros relataram aumentos de até 40% nas tarifas médias de bagagem, além de novas restrições para itens de bordo.

Em resposta, Câmara e Senado reabriram a discussão sobre a regravação do artigo da Lei do Passageiro Aéreo, com propostas para restabelecer a gratuidade de uma mala despachada em voos domésticos e internacionais.
O Ministério do Turismo e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) também manifestaram preocupação com o impacto das novas cobranças sobre o turismo interno e os pacotes de operadoras.

Embora ainda sem consenso, as companhias alegam aumento nos custos operacionais e alta do combustível, o tema tende a ser um dos pleitos mais sensíveis de 2026, especialmente entre associações de agências e operadoras, que reclamam da instabilidade de preços e regras que mudam “a cada trimestre”.

Mudanças no IOF e seus reflexos no turismo internacional

Outra pauta que ganhou força foi a revisão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) aplicado a compras internacionais, cartões e remessas.

O governo havia prometido reduzir gradualmente o imposto até zerá-lo em 2027, mas em 2025 o cronograma foi suspenso por determinação do Ministério da Fazenda, sob o argumento de necessidade de recomposição fiscal.

A decisão teve impacto direto sobre o turismo emissivo. Operadoras e agências que trabalham com pacotes internacionais registraram queda de até 12% nas vendas de viagens ao exterior após o anúncio.

Segundo analistas, a indefinição tributária afeta não apenas o bolso do consumidor, mas também a previsibilidade de negócios que dependem de remessas para o exterior.

Entidades como Abav, Braztoa e Clia Brasil devem incluir o tema entre os principais pleitos de 2026, pedindo revisão da política cambial e tributária aplicada ao turismo.

Cadastur em xeque: credibilidade e segurança sob questionamento

O Cadastur, sistema oficial de registro do Ministério do Turismo, também entrou no radar de críticas neste ano. Empresas e associações apontam falta de critérios claros para validação e fiscalização dos cadastros, permitindo que prestadores de serviço sem estrutura adequada operem no mercado com aparente legitimidade.

Casos de empresas irregulares com selo ativo acenderam o alerta sobre a segurança do consumidor e a imagem institucional do setor.

Em 2025, foram registrados mais de 5 mil cadastros duplicados ou inconsistentes, segundo levantamento parcial do próprio ministério.

A discussão se tornou ainda mais urgente após as crises de plataformas como Hurb e ViagensPromo, que expuseram a fragilidade da fiscalização digital.

Como resultado, crescem as pressões para modernizar o Cadastur, vinculando-o a critérios de compliance, certificação financeira e histórico de mercado, além de integração com órgãos como a Receita Federal e o Banco Central.

Um novo ciclo de debates no Turismo

Esses novos temas sinalizam o início de um novo ciclo regulatório para o turismo brasileiro.

De um lado, a busca por mais equilíbrio nas relações de consumo e maior segurança jurídica. De outro, o desafio de garantir competitividade em um cenário econômico ainda instável.

Entre bagagens, IOF e Cadastur, o recado do trade é claro: o setor quer previsibilidade, transparência e respeito às regras do jogo, condições essenciais para que o Brasil avance de vez como potência turística. Ah, e para 2026, o grande tema será a Reforma Tributária!

Seguimos de olho!



Fonte

Redação

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