| No h outro local no mundo onde a palavra “jeitinho” tenha tantas conotaes, seja pelo bem ou pelo o mal. Na traduo para outros idiomas “jeito” pode ser traduzido como “maneira, “caminho“, “modo” e “sentido“. Com menos frequncia tambm pode significar “capacidade” e “competncia“, mas no portugus brasileiro a palavra est mais relacionada maneira de realizar algo contornando ou esquivando-se de regras ou transgredindo as convenes sociais, que uma parte profundamente arraigada da cultura brasileira. |
O uso do “jeitinho” deriva da expresso “dar um jeito“, que significa “encontrar um caminho“, implicando no uso dos recursos disponveis, bem como conexes pessoais e criatividade para resolver determinadas situaes, que de outra forma seriam complicadas.
Na maioria das vezes, o “jeitinho” inofensivo, usado para encontrar solues criativas para problemas absurdos ou burocracia excessiva. Desde uma idade muito tenra aprendemos com nosso pais que o “jeitinho” uma forma criativa de pensar fora da casinha.
Embora s vezes seja visto como desonesto ou astuto, na realidade surge da necessidade associada falta de recursos e de ajuda oficial. A maioria dos brasileiros precisa ser criativa e inventar maneiras novas e mais simples de fazer as coisas de que precisa, como, por exemplo, viver.
Um conceito associado “gambiarra” -no por acaso que MacGyver se trornou to popular no Brasil- a diferena entre jeitinho e gambiarra que o primeiro um acordo entre indivduos, enquanto o segundo trata de criar uma soluo improvisada para emergncias tcnicas com quaisquer meios disponveis.
Uma forma de entender o jeitinho como recurso de esperteza por indivduos astutos que usam o bom senso e o conhecimento prvio, bem como a inteligncia naturalmente dotada em seus processos de pensamento. Isso implica que uma pessoa pode ser “inteligente” no cotidiano, mas no necessariamente de forma acadmica. Normalmente tambm conota oportunismo, pragmatismo e uso das prprias redes, com pouca considerao pela lei, pelo Estado ou por pessoas fora do seu prprio crculo ou famlia.
Alguns estudiosos, como Srgio Buarque de Holanda conecta o conceito de jeitinho herana mista do Brasil e ascendncia ibrica. Ele acha que o jeitinho est atrelado ideia de que o tpico brasileiro um homem amigvel, cordial, propenso a tomar decises iniciais com base nas emoes e no na razo.
Essa caracterstica tambm pode ser encontrada em todos os lugares do pas, desde os mais altos escritrios do governo s situaes mais comuns da vida cotidiana, geralmente relacionada com a “malandragem. No ajuda muito que alguns estados vejam a malandragem como um charmoso estilo de vida.
O problema que a expresso “jeitinho” carrega uma ambiguidade. Pode servir para descrever um simples conserto realizado de casa at situaes negativas em que o jeitinho” pode estar inserido em uma manobra maior para burlar a lei em favor prprio ou de um grupo em especfico. Eu acho que um perigo muito grande reforarmos essa mentalidade de que o jeitinho brasileiro associado a uma corrupo sistmica.
O brasileiro seria, ento, uma espcie de corrupto por natureza? Como diz a frase, “a oportunidade faz o ladro“, ou seja, as circunstncias mostram as verdadeiras intenes de cada um. Se as circunstncias mostram as verdadeiras intenes de cada um parece que a corrupo, ento, imbatvel.
A situao de uma sociedade mergulhada na corrupo, onde o poste quer mijar no cachorro e ladres querem prender o juiz muito difcil de combater. Tanto que a cultura miditica do pas se consolidou no princpio em que as pessoas podem obter vantagens de forma indiscriminada, sem se importar com questes ticas ou morais.
A “Lei de Grson” acabou expressando o verdadeiro bundalel da populao nacional, associada disseminao da corrupo e ao desrespeito a regras de convvio para pura obteno de vantagens.
Com efeito, a “Lei de Gerson” e o “jeitinho” se tornaram conceitos intrinsecamente relacionados na cultura popular brasileira, frequentemente usados para descrever uma tendncia de colocar interesses pessoais acima de normas ticas ou legais, buscando a vantagem a qualquer custo.
A expresso “Lei de Gerson” surgiu de um comercial de cigarros da marca Vila Rica, estrelado pelo ex-jogador de futebol Grson, o “canhotinha de ouro”, da seleo de 1970, onde Grson dizia: – “Gosto de levar vantagem em tudo!”, em contraponto com o Continental sem filtro, que fora o patrocinador da seleo.
Originalmente, a propaganda referia-se vantagem comercial de comprar um cigarro bom, barato e mais suave que o Continental. No entanto, a frase popularizou-se na dcada de 80 de forma pejorativa, rotulando o comportamento de querer “passar a perna” ou obter vantagens indevidas, mesmo que custa da tica ou da lei.
O prprio Grson sempre se disse incomodado com a associao de seu nome a comportamentos desonestos, chegando a processar pessoas por isso, afirmando que a frase foi tirada de contexto.
A naturalizao de pequenas “vantagens” cria um ambiente propcio para a corrupo em maior escala. O foco na vantagem pessoal enfraquece a cidadania e o respeito ao bem pblico.
E o imaginrio brasileiro est cheio destes personagens muitas vezes tratados como heris: carioca malandro, Z Pelintra, Amigo da Ona, Joo Grilo, Pedro Malasarte, Seu Madruga, Z Carioca, entre outros so verdadeiros esteretipos do que o “jeitinho brasileiro” pode fazer para “levar vantagem em tudo“.
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