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O Prime Video esconde um thriller psicológico que merece Top 10 (e pouca gente viu)

O impacto que um crime pode ter na vida de alguém costuma ser duradouro, e memórias intrusivas fazem o passado adonar-se do presente. Situações banais transformam-se em gatilhos poderosos, que reacendem dores e vão aprisionando. Culpa e vergonha são sentimentos comuns, da mesma forma que a fragilidade e a impotência, mortais para a autoestima. O encontro fortuito e aparentemente prosaico de dois homens de naturezas opostas em quase tudo redunda num episódio de pura brutalidade, eixo em torno do qual move-se “O Bom Vizinho”. O thriller de Stephan Rick volta a “Vizinho Sinistro” (2011), também dirigido por Rick e lançado na Alemanha, a fim de mirar as zonas turvas de uma amizade perigosa, alicerçada em ludíbrios e desprezo à lei.

Ninguém pode considerar-se livre da maldade dos tantos lobos em pele de cordeiro que farejam o sangue quente e doce de suas vítimas por baixo da pele empapada de suor e pânico, monstros perspicazes que avançam sem dó sobre a inocência do cordeiro. David chega a Riga com alguns sonhos na bagagem. Ele pretende reinventar sua carreira de jornalista na capital da Letônia contando com a ajuda de um amigo editor, que o emprega e o instala numa casa fora do perímetro urbano, além de oferecer seu velho BMW, que já não apresenta o desempenho de outrora. Ao fim do primeiro dia de trabalho, David se dirige para seu novo endereço, aproveitando para observar o modo como a vizinhança se comporta. Tudo é bem quieto, mas talvez não exista problema em bater à porta de alguém em caso de uma necessidade qualquer. E assim ele o faz. Quando percebe que o BMW está sem gasolina, ele chama Robert. Esse foi seu erro. 

Rick e os corroteiristas Silja Clemens e Ross Partridge disfarçam a tensão que irá dominar o segundo ato do longa com uma sequência quase pueril em que o jornalista e Robert, um enfermeiro particular criado em Londres, trocam impressões a respeito do cotidiano bastante específico dos homens solteiros. Eles têm mais pontos em comum que diferenças, a conversa empolga e eles saem para tomar uns drinques num inferninho no centro da cidade. David conhece uma mulher, há um imprevisto entre os dois, mas ele não pode recorrer às autoridades, porque sua conduta até ali não fora das mais irretocáveis. Sem dúvida, boa parte da receita de “O Bom Vizinho” deve-se à habilidade do diretor quanto a manejar as expectativas da audiência, embora tenha-se desde o primeiro instante uma razoável noção de para onde a história irá. Luke Kleintank e Jonathan Rhys Meyers alternam-se no papel central, até uma virada definitiva. Aqui, não há nada que seja gratuito.

Filme:
O Bom Vizinho

Diretor:

Stephan Rick

Ano:
2022

Gênero:
Ação/Suspense/Thriller

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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