JOÃO PESSOA – O mercado de cruzeiros ganhou novos sinais de expansão durante a Convenção de Vendas da CVC. A operadora revelou detalhes da próxima temporada marítima, com novos embarques no Brasil, navios inéditos e uma campanha agressiva para estimular as vendas internacionais. O objetivo é repetir o forte crescimento do setor e tentar chegar ao primeiro R$ 1 bilhão em vendas.
Os números recentes mostram que o ritmo acelerou. Segundo executivos da empresa, a temporada passada movimentou mais de 155 mil passageiros apenas em roteiros pelo Brasil, gerando cerca de R$ 700 milhões em vendas. Quando somadas as viagens internacionais, o volume chega a R$ 800 milhões.
“Vocês têm noção do que isso representa? É praticamente como se fôssemos uma companhia marítima movimentando o equivalente a três navios por ano”, disse Orlando Palhares, executivo da área marítima, ao comentar o desempenho diante dos agentes de viagens.
Temporada 2026 terá novos embarques e mais de 120 cruzeiros
A próxima temporada no Brasil deve manter o ritmo de crescimento, mesmo com mudanças na oferta. Serão seis navios navegando pela costa brasileira, quatro da MSC Cruzeiros e dois da Costa Cruzeiros.
No total, estão previstas saídas de oito portos, incluindo Balneário Camboriú, Itajaí, Maceió, Salvador, Paranaguá e Rio de Janeiro. A programação soma mais de 120 cruzeiros com roteiros entre seis e oito noites, além de cerca de 50 minicruzeiros.
A diretoria marítima da CVC destacou que o objetivo agora é ampliar as oportunidades de embarque e tornar o produto mais acessível ao consumidor.
“Estamos trabalhando com bloqueios e upgrades para facilitar a venda. Em alguns casos o cliente compra cabine externa e recebe varanda automaticamente, o que vira um argumento forte na hora de fechar a viagem”, explicou Paula Rorato, responsável pela área marítima da operadora.
MSC anuncia 4 novidades e reforça presença no Brasil
Entre as companhias que operam no país, a MSC Cruzeiros promete concentrar algumas das principais novidades da temporada. A grande estreia será o MSC Virtuosa, considerado o maior navio já escalado para navegar na costa brasileira, com capacidade para mais de 6 mil hóspedes.
Além dele, outros navios devem ampliar a oferta. O MSC Música retorna após passar por renovação completa, o MSC Divina fará temporada regular no país e o MSC Splendida terá embarques tanto no Rio de Janeiro quanto em Buenos Aires.
Para Adrian Ursilli, diretor da MSC no Brasil, a estratégia é continuar ampliando a presença da companhia na região. “Hoje temos 23 navios na frota e devemos ultrapassar 30 nos próximos anos. O crescimento é forte e o Brasil continua sendo um mercado estratégico”, afirmou.
Ignacio Palacios, diretor de vendas da companhia, destacou que poucas temporadas tiveram tantas novidades simultâneas. “Estou há quase 20 anos na MSC e raramente vimos um ano com tantas mudanças. Teremos novos embarques, navios renovados e o Virtuosa chegando pela primeira vez ao Brasil”, disse.
Caribe vira aposta para impulsionar vendas
Outro movimento importante da estratégia envolve os cruzeiros internacionais, principalmente no Caribe. A MSC e a CVC lançaram uma campanha voltada aos agentes de viagens para estimular a venda de roteiros que partem de portos como Miami, Porto Canaveral e destinos do Caribe.
A ação prevê premiações para vendedores e franquias que mais comercializarem esse tipo de produto até o meio do ano. “O vendedor que mais vender Caribe ganha um cruzeiro de sete noites no MSC Virtuosa, com acompanhante e bebidas incluídas”, anunciou Ursilli durante a convenção.
A aposta na região acompanha o crescimento da operação da MSC no Caribe, onde a companhia vem ampliando sua presença com novos navios e rotas. Dentro da estratégia da CVC, a ideia é integrar ainda mais os cruzeiros aos pacotes internacionais.
“Quem vai para a Europa pode combinar hotel com cruzeiro. Quem vai para Orlando pode incluir Bahamas. O mundo inteiro pode virar oportunidade para vender esse produto”, disse Paula.
Se o plano funcionar, o mercado de cruzeiros pode ganhar um novo marco para a operadora. “Fizemos R$ 800 milhões no ano passado. Falta pouco para chegar ao primeiro R$ 1 bilhão”, afirmou a executiva.