Paul Weiland dirige Patrick Dempsey e Michelle Monaghan, com Kevin McKidd, em “O Melhor Amigo da Noiva” (“Made of Honor”). Tom é bem-sucedido, mora no conforto de Nova York e coleciona certezas sobre como não se apegar, como se afeto fosse uma taxa que ele pudesse evitar pagando em pequenas distrações. Ele se acha no controle sempre. Quando Hannah volta de uma temporada de trabalho na Escócia noiva de Colin, Tom aceita ser o “maid of honor”, uma espécie de madrinha, e tenta empurrar a vida dela para outro rumo sem sair do casamento.
Em Nova York, Tom se protege com regras para não repetir parceiras e para evitar qualquer coisa que pareça continuidade, marcando no calendário onde a intimidade termina e onde começa a fuga. A palavra compromisso o irrita muito. Hannah, melhor amiga de anos, é a exceção prática, presença fixa em jantares, telefonemas e encontros que ele chama de inofensivos porque cabem na palavra amizade e porque ela sempre volta, mesmo quando ele some. Quando ela desaparece por seis semanas na Escócia, o vazio vira incômodo físico, e a declaração que ele ensaia não nasce de coragem, mas de atraso, pressa e medo de perder o lugar confortável de “melhor amigo”.
A notícia do noivado chega no desembarque, e Colin entra como o pacote completo de noivo, escocês charmoso e impecavelmente adequado ao papel, exatamente o tipo de homem que não dá margem para improviso nem para piada interna. Tom engole seco, sem saber sorrir. Em vez de afastá-lo, Hannah o puxa para perto e o nomeia “maid of honor”, prendendo o amigo aos rituais do casamento, da convivência com as madrinhas aos ensaios, listas, horários e combinados de última hora. Entre despedidas, provas de roupa e sorrisos de fotografia, Tom procura brechas para se declarar sem explodir a amizade e sem virar o vilão oficial da cerimônia diante de todo mundo.
O casamento empurra o grupo para a Escócia, e o deslocamento troca a comédia urbana por um pacote de etiqueta, choque cultural e constrangimento em série, com Tom tentando acompanhar regras que não são as dele. Tudo parece pronto para postal ali. O cenário de castelo, corredores frios e salão de festa vira palco para piadas com kilts, whisky, sotaques e comida, repetidas em jantares e eventos em que ele precisa agir como anfitrião da noiva enquanto calcula, em silêncio, onde enfiar uma frase sincera. Tom vira o estrangeiro ansioso, tentando não parecer pequeno diante da família de Colin, e Hannah circula como alguém que já escolheu ficar naquele território novo, sorrindo para parentes, aceitando brindes e cumprindo cada etapa do roteiro.
No meio da correria, o pai de Tom, vivido por Sydney Pollack, entra e sai com comentários atravessados por ironia, sempre puxando a conversa para o assunto do medo de compromisso e para a lembrança de casamentos anteriores, como quem dá bronca sem levantar a voz. O pai carrega casamentos no currículo. As cenas com ele não mudam o calendário do casamento, mas dão contorno ao hábito de fuga do protagonista, mostrando que Tom não inventou esse cinismo ontem e que ele repete padrões com facilidade quando está acuado. Mesmo cercado de madrinhas, ensaios e protocolos, o desconforto volta em gestos pequenos, como a pausa antes de responder, o riso que não encaixa quando alguém fala em futuro e o esforço para manter a cara tranquila na frente de Hannah.
Dá para ver “O Melhor Amigo da Noiva” como um primo de “My Best Friend’s Wedding”, com a troca de quem ocupa o lugar do sabotador e com a amizade testada no altar, só que agora o amigo apaixonado veste o uniforme de “madrinha”. A ideia é simples e antiga. O interesse está em acompanhar Tom preso ao título de “maid of honor” e ao incômodo de assistir Hannah escolher Colin em plena Escócia, enquanto ele precisa manter a pose em público, seguir o cronograma e sorrir para cada foto. Ele corre, hesita, ajeita a roupa e engole o ciúme, até o vento frio bater no kilt perto do castelo.
Filme:
O Melhor Amigo da Noiva
Diretor:
Paul Weiland
Ano:
2008
Gênero:
Comédia/Romance
Avaliação:
8/10
1
1
Amanda Silva
★★★★★★★★★★

