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O papel que deixou Renée Zellweger mundialmente famosa: uma das comédias românticas mais amadas dos anos 2000, na Netflix

O papel que deixou Renée Zellweger mundialmente famosa: uma das comédias românticas mais amadas dos anos 2000, na Netflix

A vida adulta raramente segue o roteiro que imaginamos, e às vezes a única forma de lidar com o caos é escrever tudo num caderno e torcer para melhorar. É exatamente desse ponto de partida que nasce “O Diário de Bridget Jones”, comédia romântica dirigida por Sharon Maguire que transformou Renée Zellweger em uma das personagens mais carismáticas do gênero. Aqui, ela vive Bridget Jones, uma londrina de 32 anos que decide começar o ano prometendo mudar de vida. O plano é simples no papel: beber menos, parar de fumar, perder alguns quilos e finalmente colocar a vida amorosa em ordem. Para acompanhar o progresso dessas metas, Bridget passa a registrar tudo em um diário. O problema é que a realidade não respeita planejamento nenhum.

Bridget trabalha em uma editora e leva uma rotina que mistura insegurança profissional, pressão familiar e uma vida social cheia de constrangimentos inesperados. As reuniões de família, por exemplo, são sempre um teste de paciência: parentes curiosos perguntam sobre namoro, carreira e qualquer outro detalhe que ela preferia evitar. É nesse ambiente que surge Mark Darcy, interpretado por Colin Firth, um advogado aparentemente sério e pouco sociável que conhece Bridget desde a juventude. O primeiro encontro entre os dois não ajuda muito a melhorar a situação, já que tudo acontece de maneira meio desajeitada e cheia de interpretações erradas.

Enquanto tenta lidar com essa relação meio estranha com Mark, Bridget acaba se envolvendo com Daniel Cleaver, personagem de Hugh Grant, seu chefe charmoso e perigosamente sedutor. Daniel tem aquele tipo de humor provocador que mistura elogios e ironia, e Bridget rapidamente entra nesse jogo. O problema é que trabalhar com alguém assim significa lidar com uma dinâmica complicada, em que o flerte e o ambiente profissional começam a se confundir. A partir daí, a protagonista passa a se dividir entre duas figuras muito diferentes e precisa descobrir o que realmente quer para si.

Grande parte da graça de “O Diário de Bridget Jones” vem justamente dos desastres sociais que Bridget provoca sem querer. Ela tenta parecer confiante em festas, encontros românticos e reuniões de trabalho, mas quase sempre algo sai do controle. Um comentário fora de hora, uma roupa mal escolhida ou uma tentativa exagerada de impressionar alguém podem transformar um momento simples em um episódio embaraçoso. O filme entende muito bem esse tipo de situação cotidiana e tira humor do fato de que todo mundo já passou por algo parecido.

Renée Zellweger segura o filme com uma performance cheia de energia e vulnerabilidade. Bridget é desorganizada, impulsiva e muitas vezes insegura, mas também é impossível não torcer por ela. A atriz consegue transformar cada pequeno fracasso da personagem em algo divertido e, ao mesmo tempo, reconhecível. É fácil enxergar nessa protagonista alguém tentando sobreviver às expectativas absurdas que a vida adulta impõe.

Colin Firth e Hugh Grant completam o trio central com estilos bem diferentes. Firth constrói Mark Darcy como alguém reservado, que parece distante no começo, mas cuja presença sempre altera a dinâmica das situações em que aparece. Hugh Grant, por outro lado, aposta no charme debochado de Daniel Cleaver, criando um personagem que mistura sedução e irresponsabilidade de um jeito que gera boa parte das complicações da história.

A direção de Sharon Maguire aposta em observar esses encontros e desencontros com um olhar muito atento para o constrangimento social. Muitas cenas funcionam porque o filme deixa o momento desconfortável durar alguns segundos a mais do que seria confortável. É naquele instante em que Bridget percebe que falou algo errado ou fez uma escolha ruim que o humor realmente aparece. O público reconhece aquele sentimento e ri justamente porque a situação parece possível demais.

Outro ponto forte do filme é a forma como ele retrata a pressão que muitas pessoas sentem ao chegar aos trinta anos. Bridget se vê cercada por expectativas sobre carreira, relacionamento e aparência, como se existisse um cronograma invisível que todos deveriam seguir. O diário, nesse contexto, funciona como uma tentativa de organizar essa confusão. Cada página registra metas ambiciosas e também as pequenas derrotas do cotidiano, criando um retrato bastante honesto de alguém tentando melhorar sem saber exatamente por onde começar.

“O Diário de Bridget Jones” continua funcionando porque nunca tenta transformar Bridget em uma heroína perfeita. Pelo contrário: o filme abraça o fato de que ela erra bastante, toma decisões impulsivas e frequentemente precisa lidar com as consequências de suas próprias escolhas. Essa sinceridade torna a personagem mais humana e aproxima o público de suas tentativas de acertar.

A história dirigida por Sharon Maguire acerta ao mostrar que crescer nem sempre significa se tornar mais organizado ou mais seguro. Às vezes significa apenas continuar tentando, mesmo depois de vários constrangimentos públicos e promessas quebradas. Bridget Jones escreve tudo no diário, ri de si mesma quando consegue e segue em frente, porque a vida não espera a gente se sentir preparado para começar.

Filme:
O Diário de Bridget Jones

Diretor:

Sharon Maguire

Ano:
2001

Gênero:
Comédia/Romance

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

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