Patrick Hughes faz de “Máquina de Guerra” um filme partido ao meio. Primeiro, acompanha a fase final da seleção dos Rangers com Alan Ritchson, Dennis Quaid, Jai Courtney e Daniel Webber presos a corrida, lama, ordem berrada e prova física; depois, enfia esse grupo num confronto com uma ameaça alienígena que reduz toda a liturgia militar a reflexo curto e desespero. No meio disso está 81, engenheiro de combate que chega ao treinamento carregando a morte do irmão numa missão no Afeganistão e tratando o próprio corpo como se ainda pudesse acertar contas com ela.
A parte inicial é dura e simples. Hughes filma marcha, exaustão e campo aberto sem enfeite, e acerta ao manter o protagonista preso a um número, como se 81 ainda não tivesse direito a nada além daquilo que suporta. Há um filme inteiro aí. O luto não vira confissão nem discurso; fica enterrado no ombro tenso, no passo pesado, no jeito de atravessar a seleção como quem já entrou nela derrotado por outra coisa.
Quando o exercício final leva o grupo ao ermo, “Máquina de Guerra” troca de marcha de uma vez. No ambiente selvagem associado ao Colorado, aqueles homens deixam de enfrentar a hierarquia do quartel e passam a correr de uma presença mecânica, alienígena, uma máquina de guerra em sentido literal, capaz de escanear e destruir com tamanha facilidade que tudo o que vinha sendo aprendido até ali parece pequeno, quase cômico. A virada é brusca. E, justamente por ser brusca, arranca o filme de um terreno conhecido e o joga num lugar mais áspero.
Hughes cresce quando para de tentar costurar demais essas duas metades e aceita o choque entre elas. A ação ganha peso nos corpos arremessados, nos ferimentos graves, nos empalamentos e na violência em campo aberto, mas sobretudo nas passagens em corredeiras e queda-d’água, em que a pedra molhada, a correnteza e o barro deixam de ser paisagem e passam a esmagar junto com a máquina. A água pesa. O que aparece ali não tem nada de coreografia limpa ou heroísmo vistoso, mas um bando de homens tentando não ser triturado por algo que avança sobre metal, carne e mato com a mesma frieza.
Nem tudo resiste à mesma altura. A linha de 81 é firme porque o filme a amarrou desde o começo à morte do irmão e à necessidade de assumir algum comando quando o grupo começa a se romper no meio da mata, mas os outros soldados ficam muitas vezes reduzidos a função, presença de combate, alvo em movimento. Falta rosto para alguns. Ainda assim, a mistura segura o olhar porque a pergunta muda de lugar, sai do teste de resistência e entra num terreno pior, onde já não importa quem correu mais, atirou melhor ou aguentou mais humilhação na seleção, e sim o que sobra de qualquer preparo quando explosivos e poder de fogo comuns perdem o valor.
“Máquina de Guerra” não tem delicadeza nem precisa ter. O que prende é o choque entre o homem numerado que entra na fase final dos Rangers tentando sobreviver ao peso do irmão morto no Afeganistão e a máquina alienígena que empurra esse grupo para a água, para a pedra e para um medo sem idioma militar capaz de dar conta. O filme tropeça bastante. Mas tropeça em direção ao que tem de melhor, e termina sustentado por uma imagem seca, 81 encharcado na corredeira, as duas mãos fechadas no fuzil, sentindo o metal frio colado na palma.
Filme:
Máquina de Guerra
Diretor:
Patrick Hughes
Ano:
2026
Gênero:
Ação/Ficção Científica/Suspense
Avaliação:
9/10
1
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Natália Walendolf
★★★★★★★★★★
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