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O novo faroeste da Netflix que vai fazer você ficar em casa neste fim de semana

Não se faz um bom faroeste sem personagens consumidos por uma sede de retaliação, que atiram-se sem medo a uma jornada contra quem ameaça a harmonia de sua terra e macula a honra de sua família. A premissa torna-se ainda mais matadora quando vai chegando a hora do bom e velho acerto de contas, e vaqueiros e xerifes assumem a estatura de sacerdotes profanos e bárbaros, mestres na alquimia de viver do lado mais primitivo da natureza. Lamentavelmente, apagaram-se seu prestígio e sua atuação, restando apenas a lembrança do período em que foram os grandes desbravadores de uma nação ainda por se conhecer, grandeza que  “Os Abandonados” resgata de alguma forma. Cheia de reviravoltas, a série de Kurt Sutter mira as desavenças entre duas famílias, um amor proibido e um segredo, narrativa que preenche os sete episódios sem que nada jamais falte ou sobre.

Miúdos gestos, pactos velados e escolhas misteriosas sedimentaram uma história marcada por culpas e silêncios. Enterrada debaixo de anos de crimes, a verdade vai se impondo e ameaça vir à superfície, fazendo com que velhas feridas se reabram e deixando claro que segredo nenhum fica adormecido para sempre. Em Angel’s Ridge, no território de Washington, os Van Ness e os Nolan matam-se por poder. E isso não é apenas força de expressão. Atrocidades são cometidas de parte a parte na defesa de um tesouro oculto sob o chão, e essa guerra prolonga-se no tempo, dando azo a um turbilhão de novos (e sangrentos) conflitos. Os diretores Otto Bathurst, Gwyneth Horder-Payton e Stephen Surjik conseguem iluminar pontos de vista originais sobre os rudimentos da questão fundiária nos Estados Unidos dos anos 1850, resolvida à custa de tramoias e bala. E aqui os maridos e filhos homens é que são os coadjuvantes.

Constance Van Ness e Fiona Nolan são as autoridades máximas em suas respectivas dinastias, mandando até nos sentimentos de seus filhos. Sutter e sua equipe de roteiristas desviam do óbvio ao mostrar Constance como uma figura inequivocamente tirânica, mas frágil, que anseia por resgatar a dignidade de seu clã, ultrajada numa circunstância vagamente exposta na abertura e acerca da qual saber-se-á mais no sétimo capítulo. Comportamento parecido tem Fiona, e malgrado não seja uma surpresa, o choque entre as duas é primoroso. Não é fácil dizer quem se sai melhor, mas a escalação de Gillian Anderson e Lena Headey é o tiro mais certeiro nesse inspirado bangue-bangue.


Série: Os Abandonados 
Criação: Kurt Sutter
Ano: 2025
Gênero: Faroeste
Nota: 8/10



Fonte

Redação

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