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O mundo passa por São Paulo

O mundo passa por São Paulo

Roberto de Lucena é secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo. Com trajetória consolidada na vida pública, já exerceu mandatos como deputado federal e estadual, além de ter atuado em posições estratégicas na administração pública paulista. À frente da Setur-SP, lidera políticas voltadas à ampliação da conectividade aérea, à promoção internacional do destino São Paulo, à descentralização do turismo e ao fortalecimento do setor como vetor de desenvolvimento econômico, geração de emprego e valorização do território paulista.

Com o Brasil superando a marca de 9 milhões de turistas internacionais e alcançando um novo recorde histórico de visitas estrangeiras, São Paulo consolida-se como protagonista nesse avanço, respondendo por quase um terço de todo o fluxo que chega ao país. Nesta entrevista, Roberto de Lucena detalha os fatores que explicam esse desempenho expressivo, apresenta as estratégias adotadas para ampliar a promoção internacional do destino paulista, analisa o papel da conectividade aérea, dos grandes eventos e do turismo de negócios, além de projetar as prioridades e metas do Estado para sustentar o crescimento do setor em 2025 e 2026. Confira!

O Brasil encerra o ano batendo novo número histórico de turistas internacionais. Qual foi, na sua avaliação, o papel de São Paulo nesse resultado histórico?

O Estado de São Paulo representa quase 30% de todo o fluxo de turistas internacionais que vieram para o país. Foram mais de 700 mil turistas em relação ao ano anterior. Isto quer dizer que tivemos papel fundamental no novo recorde histórico de turistas internacionais no Brasil em 2025.

Mantivemos nossa posição de principal porta de entrada internacional do país, recebendo 2,8 milhões de visitantes estrangeiros, o maior volume já registrado no território paulista. Essa liderança reforça a importância estratégica do seu hub aéreo, da diversidade de atrativos e da oferta de serviços turísticos, que contribuem diretamente para o desempenho nacional no setor.

Que fatores explicam São Paulo se consolidar como um dos principais portões de entrada de estrangeiros no país?

É muito fácil chegar a São Paulo vindo de qualquer lugar do mundo. Três dos aeroportos mais movimentados do país estão em São Paulo, sendo que dois deles recebem voos internacionais e o terceiro caminha para a internacionalização.

A Setur-SP tem participado de feiras e missões internacionais, firmado parcerias estratégicas com capacitação para agentes de viagens estrangeiros e com os municípios para que os turistas internacionais explorem destinos em regiões como o Circuito das Águas, Serra da Mantiqueira, Litoral Norte porque São Paulo tem vantagens quando se fala de atrativos.

Sempre digo que São Paulo não é monotemático. Temos destinos de aventura, praias, de charme, religioso, natureza, cultura, bem-estar, e estes são apenas alguns exemplos.

O que mudou, na prática, na estratégia internacional do turismo paulista nos últimos anos para ampliar esse fluxo?

Investimos cada vez mais na promoção, participando de roadshows internacionais como o “Meu Destino é São Paulo”, em parceria com o Visite São Paulo Convention Bureau e a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) nos Estados Unidos, na Itália e na França, por exemplo. Além disso, participamos de feiras como a ITB Berlim, na Alemanha, a WTM London, na Inglaterra, a BTL Lisboa, em Portugal, a International & French Travel Market (IFTM TopResa), no estande da Embratur, na França, a FIT Argentina, entre outros.

Quais mercados emissores internacionais hoje são prioritários para São Paulo e por quê?

A Setur-SP trabalha alinhada com a estratégia do Plano Internacional de Marketing

Turístico 2025–2027 (Plano Brasis), desenvolvido pelo Sebrae, Ministério do Turismo e Embratur. Portanto, trabalhamos com o conceito de mercados emissores estratégicos.

De acordo com o Plano Brasis, os mercados estratégicos para São Paulo estão divididos em Mercados Consolidados (Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Estados Unidos), Mercados Essenciais (Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Portugal), Mercados de Crescimento (Colômbia, Peru, Itália, México, Países Baixos, Suíça e Canadá) e Mercados de Oportunidade (África do Sul, Bolívia, Bélgica, China, Japão e Austrália).

Como o estado tem trabalhado para converter São Paulo de porta de entrada em destino de permanência mais longa do turista estrangeiro?

A partir do hub de aeroportos internacionais de São Paulo, executamos o programa de stopover, ou seja, uma parada dentro do prazo de até cinco dias em Guarulhos, Congonhas ou Viracopos. Isso tem favorecido que destinos próximos à capital paulista possam receber turistas provenientes de outras regiões do Brasil e mesmo do exterior. Tudo isso sem custos adicionais.

O impacto já é visível. Por meio do stopover, turistas que passam pelo Estado de São Paulo a lazer ou a trabalho, ganham acesso aos atrativos das regiões turísticas nas áreas de negócios e lazer. Durante o ano de 2024, foram vendidos aproximadamente 190 mil bilhetes domésticos e 50 mil bilhetes internacionais pelas companhias aéreas que realizam o programa, em suma, 240 mil turistas que não tinham o território paulista como destino, pararam e puderam usufruir de toda a cadeia de serviços turísticos que São Paulo proporciona.

De que forma eventos, feiras e o turismo de negócios seguem sendo diferenciais competitivos de São Paulo no cenário internacional?

São Paulo é uma das principais sedes de feiras, eventos e shows internacionais, além dos congressos mundiais. Por isso, é destaque no segmento de MICE. O calendário anual do Estado possui aproximadamente 45 mil eventos.

Na capital, destacam-se festivais como Lollapalooza e o The Town, além de grandes prêmios mundiais como o GP de Fórmula 1, o São Paulo ePrix (Fórmula E), a NFL São Paulo Game, entre outros. Ainda temos eventos como o Carnaval de rua e no Sambódromo do Anhembi.

Pelo Estado temos o Festival do Folclore, em Olímpia; a Festa do Peão de Barretos, em Barretos; a ExpoFlora, em Holambra; a Festa da Uva de Jundiaí, entre outros. Todos esses são atrativos de encher os olhos, principalmente para os turistas internacionais.

A conectividade aérea foi decisiva para esse crescimento. Que avanços destaca e o que ainda precisa evoluir?

No dia 26 de dezembro deste ano, foi renovado o acordo com as companhias aéreas para a manutenção da redução do ICMS sobre o combustível de aviação (QAV), através do Decreto 70.291. Em contrapartida, as aéreas se comprometem a aumentar o número de voos, inclusive regionais.

Tivemos um grande avanço em 2024, com acréscimo de voos, abertura de aeroportos e mais. Com isso, atraímos mais viajantes. Para os próximos anos, o desafio é ampliar ainda mais a malha aérea, atendendo aos objetivos do governo Tarcísio de Freitas de diversificar a oferta turística, democratizar o acesso e descentralizar o turismo, atingindo mais regiões.

Como a Secretaria tem atuado em parceria com municípios e a iniciativa privada para fortalecer a promoção internacional do estado?

Por meio de parcerias com a iniciativa privada, a Secretaria tem levado municípios, regiões turísticas e equipamentos para grandes feiras nacionais e internacionais, como a BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa) em Portugal, a WTM Latin America, em São Paulo, a ITB Berlim, na Alemanha, entre outras. Os municípios, as regiões turísticas e atrativos turísticos como o Mercadão de São Paulo e equipamentos como o Aeroporto de São José dos Campos (SJK) participam do estande da Setur-SP nessas feiras e eventos.

O crescimento do turismo internacional vem acompanhado de desafios. Quais são hoje os principais gargalos para São Paulo manter esse ritmo de expansão?

Entendemos como os principais desafios a demanda por mão de obra (o volume de pessoas) e a qualificação dessa mão de obra; a adaptação às novas tecnologias, com a digitalização e o surgimento de ferramentas como a IA (Inteligência Artificial), a sustentabilidade, alinhada ao ambiental, sociocultural e econômico, e às mudanças climáticas, pois o nossa matéria-prima é o território, então precisamos preservá-lo.

Olhando para 2025 e 2026, quais são as metas e prioridades de São Paulo para seguir puxando o crescimento do turismo internacional no Brasil?

Neste ano, o Turismo continuará em expansão. As estimativas feitas pelo CIET apontam para maior participação no PIB do estado, um avanço de 3,3% sobre 2025. O ano deverá ser recorde no fluxo de turistas, com quase 3 milhões de estrangeiros. Enquanto governo estadual, a Setur-SP seguirá com ações promocionais no mercado internacional e presente nas principais feiras do setor.



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