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O filme que deu nove indicações ao Oscar e colocou Timothée Chalamet em outro patamar

Josh Safdie dirige “Marty Supreme” com Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion e Fran Drescher no centro de uma história sobre ambição, trapaça e pingue-pongue. Na Nova York dos anos 1950, Marty Mauser deixa a sapataria do tio no Lower East Side olhando para a cidade como quem encara um balcão pequeno demais, um salário curto demais, uma vida estreita demais. Ele quer mais. O tênis de mesa aparece, então, não como passatempo de bairro, mas como a porta por onde esse rapaz tenta sair correndo em direção a fama, dinheiro e viagem.

Manhattan sem verniz

Safdie filma Manhattan sem verniz. A cidade surge suja, apertada e nervosa, quase um mapa de pequenos delitos, enquanto Marty atende clientes, puxa conversa, pressiona o tio por dinheiro e acaba roubando para bancar a ida ao British Open. Tudo começa na loja. A abertura, em que um óvulo fecundado vira bola de pingue-pongue nos créditos, dá a medida do que vem depois, porque o protagonista persegue troféus, mulheres e dinheiro com a mesma fome, sem separar muito bem desejo, impulso e competição.

Quando a viagem ao Reino Unido tira Marty da loja e dos truques de bairro, “Marty Supreme” ganha outro peso. É ali que entram Kay Stone, ex-estrela de cinema mais velha, e Milton Rockwell, marido rico cercado de dinheiro e influência, figuras diante das quais o rapaz se exibe como se cada saque pudesse comprar um lugar num mundo que nunca foi feito para ele. O jogo muda de escala. Gwyneth Paltrow sustenta essa virada porque Kay não aparece só como fantasia elegante, mas como atalho possível entre a rua, o luxo e a promessa de uma vida mais larga.

Desejo, dano e dinheiro

Ao mesmo tempo, Rachel mantém Marty preso a uma zona mais íntima, marcada por desejo, abandono e estrago deixado pelo caminho. Entre quartos, salões e encontros privados, ele usa o mesmo carisma da sapataria para abrir portas, cobrar favores e se aproximar de quem pode ajudá-lo, quase sempre sem medir o dano que sobra para chefe, família, parceiros e amigos. Chalamet segura essa mistura. Ele faz Marty parecer ao mesmo tempo sedutor e exaustivo, um sujeito que entra sorrindo, acende a sala e sai deixando cadeira torta, copo pela metade e alguém parado junto à porta.

Outro traço forte está no atrito entre época e música. Embora a ação fique fincada no pós-guerra, a trilha usa synth e canções dos anos 1980, criando um desencaixe que impede qualquer conforto de reconstituição limpinha e combina com um homem que parece sempre correr fora da própria época. Nada soa estável ali. Em vez de tratar o passado como vitrine fechada, Safdie suja esse tempo com ruídos posteriores, como se Marty já fosse feito de excesso, pressa e artificialidade antes mesmo de o mundo aprender a chamar isso por outro nome.

Por isso “Marty Supreme” interessa menos pela rota tradicional do filme esportivo do que pela figura de um homem tentando transformar magnetismo em vida melhor antes que a realidade cobre a conta. A sapataria do Lower East Side, os torneios, a viagem ao exterior, a aproximação com Kay Stone, o vínculo ferido com Rachel e o rastro de gente lesada em volta montam uma ascensão aos solavancos, empurrada por talento real e por uma falta de escrúpulos que nunca vira adorno simpático. Cada partida vale outra coisa. No fim fica o toque seco da bolinha na mesa, ecoando num salão cheio de fumaça.

Filme:
Marty Supreme

Diretor:

Josh Safdie

Ano:
2025

Gênero:
Drama/Épico/Esporte

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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