A missão é simples no papel. Cooper recebe a ordem de escoltar Daniella Riva até Dallas, e “Belas e Perseguidas” abre com rotina de trabalho, com a policial checando o que precisa e tentando controlar o deslocamento. A cada tentativa de manter a agenda de pé, surge um atraso novo, e o trajeto vira uma corrida mais longa do que o previsto antes de a dupla entender o tamanho do problema.
Reese Witherspoon faz Cooper como alguém que entra em cena pronta para corrigir o que está fora do lugar, mesmo quando isso só consome energia. Ela fala, interrompe, volta ao mesmo trecho do trajeto e insiste em regras como se a repetição resolvesse a situação no minuto seguinte. Numa escolta, essa postura encurta a paciência de quem está ao lado e exige coordenação extra, porque cada decisão vira mais tempo gasto com a testemunha e menos fôlego para lidar com o que aparece na rota.
Mudança de rota e corrida
O acidente muda o rumo da perseguição sem deixar a dupla respirar. A partir dali, a polícia deixa de ser apoio e vira mais um obstáculo no caminho até Dallas. Cooper precisa sair, voltar, esconder e retomar a corrida, e cada mudança de direção cobra atenção imediata, com segundos perdidos sempre que ela tenta reorganizar a viagem.
Sofía Vergara, como Daniella Riva, entra como a testemunha que não aceita o ritmo da policial e responde com fala e teimosia. Quando Cooper tenta puxar a viagem para o controle, Daniella rebate, discute e provoca, e as duas gastam minutos em embates que uma escolta comum cortaria. Duas pessoas ficam presas na mesma rota e negociam no meio da pressa, com Dallas como destino que não sai do quadro.
O roteiro acerta quando encurta a conversa no momento em que ela começa a rodar e empurra as duas de volta para a fuga. Em várias cenas, o filme não fica esperando explicação e corta depois de uma decisão curta, para que a dupla não pare no meio do caminho. Quando essa troca vem rápido, Cooper e Daniella seguem adiante; quando alonga, elas perdem tempo discutindo no mesmo trecho da rota.
Os bandidos entram como ameaça de função, sem grande variação de comportamento, e isso mexe no ritmo da sessão. De um lado, a presença deles comprime o caminho e força Cooper e Daniella a medir cada parada e cada conversa pelo risco imediato. De outro, quando os perseguidores voltam do mesmo jeito, algumas sequências soam parecidas, e a repetição custa minutos, com a dupla correndo de novo sem ganhar informação nova.
Uniforme, fuga e minutos
Quando a própria polícia aparece como perseguidora, a situação fica mais incômoda para Cooper, que precisa decidir rápido se confia em alguém de uniforme ou se segue sozinha. A cada novo encontro, ela mede com quem fala, por onde corre e quanto tempo dá para parar sem se complicar. O filme acumula decisões curtas, com pouca chance de pausa, e reorganiza a viagem no susto.
Matthew Del Negro surge entre os rostos que entram na linha da perseguição e ajuda a apertar o cerco, ainda que o filme não pare para transformar isso em drama pessoal. A participação dele acelera o movimento, porque, toda vez que ele entra, Cooper reage, muda de direção e gasta energia para manter Daniella por perto. Isso empurra a dupla para mais deslocamento e reduz a chance de descanso no caminho.
O humor depende do choque de postura entre policial e testemunha e da insistência de Cooper em agir “certo” quando o cenário não permite. Em algumas cenas, a discussão vira atraso, e o atraso vira a piada, porque a dupla precisa retomar a corrida no meio de um desentendimento que não se resolve. Quando o roteiro repete esse desenho muitas vezes, a graça cai por repetição, mas Witherspoon e Vergara seguram o interesse pelo contraste de reação; uma tenta organizar, a outra tenta escapar do controle, e as duas gastam tempo nisso.
Anne Fletcher conduz o material com foco em deslocamento e confronto direto, sem enfeite. A direção encurta conversas e passa adiante quando a dupla começa a travar, mas também estica trechos em que a briga volta do mesmo jeito e a corrida recomeça no mesmo caminho. Dallas segue como ponto de agenda, e a troca de cena evita que Cooper e Daniella fiquem paradas por muito tempo.
Na reta final, “Belas e Perseguidas” melhora quando encurta a conversa e põe Cooper e Daniella para escolher rápido, sem espaço para negociação longa. A perseguição fica mais direta quando Cooper solta um pouco a rigidez e quando Daniella aceita, mesmo a contragosto, alguma regra básica para seguir adiante. A corrida volta e meia engasga, mas sempre retorna ao mesmo destino, Dallas, com minutos de atenção gastos em cada parada.
Filme:
Belas e Perseguidas
Diretor:
Anne Fletcher
Ano:
2015
Gênero:
Ação/Comédia/Crime
Avaliação:
9/10
1
1
Natália Walendolf
★★★★★★★★★★

