A vastidão da natureza selvagem às vezes aprisiona e um céu aberto pode dar calafrios. A liberdade de uma floresta densa pode ser enganosa, apenas refletindo um isolamento atávico, que busca uma razão qualquer para perpetuar-se, irrigando a semente da loucura. Nesse território árido onde memórias perdem contorno, pessoas vão se apagando ao passo que ruminam suas mágoas, convictas de que já não resta mais nada que não seja a morte. Um pessimismo invulgar confere a “Presas” uma sensação claustrofóbica de instituições falidas e relações pessoais em permanente inconstância, tentando escapar do abismo. A adaptação do romeno Marian Crișan para “Moara cu Noroc” (“o moinho da sorte”, em tradução literal; 1881), do compatriota Ioan Slavici (1848-1925), reúne o melhor de Alfred Hitchcock (1899-1980) e Roman Polanski com uma pitada de Brian de Palma e Michael Haneke. Seu filme parece uma reconstituição de enredos já vistos em “Festim Diabólico” (1948), de Hitchcock, e “Repulsa ao Sexo” (1965), dirigido por Polanski, e assim mesmo sobra originalidade no que Crișan apresenta.
Lucian, um chef de cinquenta e poucos anos, e sua esposa, Andra, mudam-se para os montes Apuseni, na Transilvânia, centro da Romênia, para assumir a gerência de uma pousada. Pouco depois, ficam sabendo de um certo Zoltan Kocsis, o chefe da máfia que extrai madeira ilegalmente dos bosques da região sem nunca ser incomodado, graças aos favores que presta à comunidade, fora do alcance do poder público. Sem surpresa, Zoli chega ao casal, passa a frequentar o restaurante da pousada, e aí a história cresce. O mafioso exercita sua mesquinhez, exigindo refeições gratuitas, mas também dirige a Lucian e Andra intimidações mais graves, protocolo a que os outros moradores já foram submetidos, tudo friamente pensado para preservar a influência do gângster. Lucian, como os demais, acaba cedendo, mas como as chantagens ficam cada vez mais ardilosas e ele vai parar no centro de um esquema criminoso, algo precisa ser feito. Crișan trabalha essa animosidade que evolui para uma traição e um homicídio opondo os personagens de András Hatházi e Zsolt Bogdán num desfecho cruento, quiçá vesano, mas que corresponde ao vigor estilístico da nova onda romena. Aqui, ninguém se salva.
Filme:
Presas
Diretor:
Marian Crișan
Ano:
2015
Gênero:
Ação/Crime/Drama
Avaliação:
8/10
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★★★★★★★★★★
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