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O filme mais angustiante da HBO Max faz da escuridão um mergulho brutal na mente humana

A qualquer momento da vida podemos nos sentir perigosamente sós, como se desterrados em nossa própria existência, presos num silêncio atroador, implorando pela compaixão de alguém, e quanto mais consome-nos a angústia, mais nos apercebemos do quão perdidos estamos em nosso próprio desespero, ansiando por um salvador que não vem nunca, que não nos quer conhecer, que tem-nos repugnância. David F. Sandberg cria sustos que vão além do desconforto em “Quando as Luzes se Apagam”, uma história que parece familiar, mas que fisga a audiência pelos detalhes. Sandberg desdobra o curta de três minutos lançado em 2013 num filme 27 vezes maior, esmerilhando o que pode existir de real e de meramente fantasioso num lugar tomado por uma força oculta.

A mulher nas trevas

Manifestações sobrenaturais talvez sejam os únicos fenômenos que o homem não consegue subjugar, decerto por causa de sua incômoda proximidade com o mais torpe, o mais reles, o mais repulsivo da alma humana. Sandberg e o corroteirista Eric Heisserer situam a narrativa numa fábrica cujos funcionários foram obrigados a se acostumar com uma figura misteriosa e arredia, que só existe no mais absoluto breu. Aos poucos, essa sua presença indesejada mostra-se também cruenta, e Paul, o dono da fábrica, é a primeira vítima. Esse é o gancho a que o diretor recorre a fim de sugerir possíveis explicações para o fenômeno, mencionando que a esposa de Paul, Sophie, havia parado de tomar a medicação que controla seus surtos psicóticos. O efeito imediato foi Diana, uma amiga imaginária que tornou-se parte da rotina. E o será ainda mais. 

Vestígios de um dia

Como se poderia imaginar, Sophie piora e quem também sofre é Martin, o filho de onze anos, que não dorme mais. O rendimento do garoto despenca, o que força a meia-irmã, Rebecca, a tomar alguma providência. Sandberg fecha o arco da instabilidade mental de Sophie e das interferências de Diana amarrando-o aos episódios infelizes do passado da família, com Maria Bello e Teresa Palmer nos melhores momentos do filme. Gabriel Bateman se sai bem num papel ingrato, pleno de nuanças que restam inexploradas, mas isso não vem a ser nenhuma tragédia nesse bom passatempo acerca dos limites entre luz e sombra, metáfora sagaz para as argumentar sobre a necessidade unidade de corpo e espírito.

Filme:
Quando as Luzes se Apagam

Diretor:

David F. Sandberg

Ano:
2016

Gênero:
Ação/Terror

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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