O desejo de purificação, de si mesmo e do outro, é um prenúncio silencioso da crueldade mais infame. A instável fronteira entre razão e barbárie separa também os seres humanos que respeitam a individualidade uns dos outros das feras raivosas que querem padronizar tudo e todos, julgando-se superiores por isso. Ideais de perfeição nascem como uma promessa quase romântica de ordem, mas não tarda a converter-se num instrumento eficaz de exclusão e violência. Em “A Morte de um Unicórnio”, Alex Scharfman junta comédia macabra e ironia para fomentar reflexões pertinentes e necessárias sobre a ganância de uma elite bestial, que não mede esforços nem consequências para ter o que quer — aqui, bem-estar e juventude eternos. O fim da criatura mitológica do título é o princípio da busca por um novo andar na pirâmide social, e ainda que a caricatura se imponha, o diretor compõe um retrato vigoroso da egolatria criminosa dos ultrarricos.
Na sequência de abertura, Elliot Kintner é chamado para uma reunião de trabalho na casa de Odell Leopold, um palacete suntuoso encravado nas Montanhas Rochosas. Kintner, um respeitado consultor jurídico, toma um voo e encara algumas horas de carro até a reserva florestal que leva o nome do chefe, que parece estar morrendo de um câncer. Numa estreia promissora em longas, o diretor-roteirista pontua a narrativa com algumas sugestões do afastamento do personagem e sua filha, Ridley, que o acompanha, embora note-se uma tentativa de ambos quanto a vencer esse incômodo. Tudo fica especialmente difícil, no entanto, depois que Kintner atropela o que parece um cavalo e se encarrega de abreviar a agonia do bicho acertando-lhe a cabeça com uma barra de ferro. Ele carrega o animal até o porta-malas do veículo e volta para a estrada.
Eles chegam à propriedade dos Leopold dando todos os sinais de que algo não está em ordem, a começar pelo para-choque do automóvel, destruído no impacto, além da inquietação de Ridley, que inconscientemente pensa numa estratégia para sair dali o mais depressa possível. Ela torna-se a chave para se entender o rumo que a narrativa vai tomar, mais precisamente depois que o sangue roxo do unicórnio elimina sua acne e corrige a miopia do pai. Odell percebe esses dois eventos milagrosos e, por óbvio, também submeter-se à experiência. Mais um lance absurdo envolvendo o equino mágico desenvolvido por computação gráfica perfeita opõe os Kintner e os Leopold, evidenciando que o maior acerto em “A Morte de um Unicórnio” é a escalação e a direção de elenco, a cargo de Avy Kaufman. Paul Rudd e Jenna Ortega demonstram uma química tão boa que só olhos treinados são capazes de reparar nas canastrices do núcleo dos ricaços, principalmente as de Will Poulter como Shepard, o filho playboy dos Leopold. Uma imperfeição que fica pequena frente ao que Kaufman consegue de Rudd e Ortega, talentos que definem o filme de Scharfman como um belo amálgama de experimentação e pastiche.
Filme:
A Morte de um Unicórnio
Diretor:
Alex Scharfman
Ano:
2025
Gênero:
Fantasia/Terror
Avaliação:
9/10
1
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Giancarlo Galdino
★★★★★★★★★★
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