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O filme hollywoodiano que ajudou a projetar Rodrigo Santoro no mundo chega à Netflix

O filme hollywoodiano que ajudou a projetar Rodrigo Santoro no mundo chega à Netflix

Noam Murro dirige “300: A Ascensão do Império” como um desdobramento de “300” que troca a pedra pelo mar sem abandonar a pose da franquia. Sullivan Stapleton assume o lugar de frente como Temístocles, Eva Green transforma Artemísia no centro nervoso do filme, e Rodrigo Santoro volta como Xerxes, agora empurrado pela morte de Dario e pela promessa de vingança. A escala muda. Em vez do estrangulamento de Termópilas, entram navios, água, fogo e uma guerra que corre antes, durante e depois do primeiro filme.

Essa mudança de terreno é a melhor decisão do longa. No lugar das lanças cravadas no chão, aparecem remos, convés molhado, casco se partindo e corpos lançados no mar, com Temístocles tentando unir cidades rivais enquanto Artemísia conduz a marinha persa. O combate ganha outra instabilidade. Cada avanço depende da corrente, do fogo, do choque entre embarcações e do cálculo de quem sabe que está em desvantagem, e isso dá às batalhas um nervosismo que o primeiro “300”, tão preso à pose estática de seus guerreiros, raramente tinha.

Murro, porém, não abre mão do peso ornamental que definiu a série. O roteiro volta à morte de Dario em Maratona, faz desse golpe o motor da guerra e mostra a passagem de Xerxes para a figura do “Deus-Rei”, num ritual de origem que tenta inflar o vilão e inflar o mundo ao redor dele. Tudo é excesso. Sangue espirra em câmera lenta, membros voam, espadas entram na carne com solenidade de ilustração animada, e o filme insiste nesse desenho grosso mesmo quando bastava deixar a violência do mar falar por si.

É aí que Eva Green entra e arruma a casa. Artemísia não é só comandante militar nem simples braço de Xerxes, mas a única figura que parece entender o ridículo e a força desse universo ao mesmo tempo. Ela domina o convés, os confrontos e até as pausas. Sullivan Stapleton sustenta Temístocles com firmeza suficiente para manter a guerra em pé, mas a energia do filme muda de lado sempre que Artemísia aparece, porque é ali que a crueldade, o cálculo e o prazer da destruição encontram uma forma mais viva do que qualquer discurso sobre honra e liberdade.

Há também um limite claro nessa engrenagem. Gorgo reaparece para amarrar a história a Esparta, Xerxes recebe uma origem mais extensa, Temístocles carrega a responsabilidade de unir os gregos, e o filme tenta encaixar vingança, propaganda de guerra, rivalidade pessoal e continuidade de franquia num mesmo pacote. Antes de cada golpe, uma fala grave. Essa largura às vezes ajuda a expandir o campo da história, mas com frequência espalha a atenção e deixa a sensação de que “300: A Ascensão do Império” para o combate justamente quando deveria confiar mais em navio, água, lâmina e silêncio.

Ainda assim, há um filme ali, e ele aparece quando Murro larga a obrigação de fabricar nobreza e se entrega ao espetáculo bruto que montou. Xerxes surge como imagem imperial, Temístocles insiste no heroísmo grego, mas quem realmente dá forma a esse mundo é Artemísia, cortando homens, virando embarcações e tomando o quadro para si. Não há grandeza aqui. O que fica é um convés rachado, água escura batendo na madeira e sangue correndo entre metal e espuma.

Filme:
300: A Ascensão do Império

Diretor:

Noam Murro

Ano:
2014

Gênero:
Ação/Drama/Épico/Fantasia

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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