Categories: Cultura

O filme do Prime Video que faz muita gente pausar e respirar antes de continuar

Atravessar um território morto virou trabalho diário; em “A Estrada”, Viggo Mortensen faz um pai que conduz o filho, vivido por Kodi Smit-McPhee, por rodovias queimadas, enquanto Charlize Theron aparece em lembranças do tempo anterior ao colapso, sob direção de John Hillcoat. O homem escolhe seguir para o sul porque acredita que o litoral pode oferecer comida e temperatura menos hostil. O conflito é manter o menino vivo sem se entregar às práticas violentas que dominam a estrada.

Para sustentar a marcha, ele decide racionar tudo e evitar peso extra. Separa latas por dias, guarda água em garrafas reaproveitadas e protege cobertores da chuva com plástico. A motivação é simples: sem reservas, uma noite mal dormida vira doença. O obstáculo é que o frio e a fuligem não dão trégua, e o corpo cobra rápido. O efeito é um deslocamento contínuo, com paradas curtas e sem possibilidade de acampamento estável.

Ao longo do caminho, a dupla encontra casas vazias, postos saqueados e carros abandonados que bloqueiam trechos da via. O pai decide entrar quando enxerga uma chance concreta de alimento ou roupa seca, porque o carrinho já não compensa tantos desvios. Em cada incursão, o obstáculo é o barulho: porta rangendo, vidro quebrando, passos em piso podre. Isso aumenta o risco de ser notado e obriga saídas apressadas, deixando para trás objetos que poderiam servir no dia seguinte.

De manhã, ele acorda antes. Fecha a lona. Confere o mapa. Conta as latas. Recolhe o que espalhou. Apaga qualquer sinal de fogo. Observa a estrada por alguns minutos. Só então chama o menino e decide andar. O motivo é reduzir surpresa. O obstáculo é que a informação nunca é suficiente, e um rastro recente muda tudo. O resultado é uma rotina curta, repetida, construída para ganhar minutos.

Mais adiante, quando ouve motor ou vê fumaça fresca, o pai escolhe sair do asfalto e se esconder com o garoto em valas, mato baixo ou estruturas caídas. Ele faz isso porque sabe que grupos armados circulam e tomam o que encontram. O obstáculo é que o fora da pista também é perigoso: pouca visibilidade, terreno irregular, frio maior. A consequência é perder tempo e energia, mas preservar o essencial, que é não ser visto.

Num trecho em que a fome aperta, ele decide arriscar uma busca mais demorada e encontra um esconderijo com provisões preservadas. A motivação é recuperar forças e reduzir a pressão imediata sobre o menino. O obstáculo vem da dúvida: permanecer ali aumenta a chance de alguém rastrear a movimentação, e sair cedo demais desperdiça a oportunidade. Ele usa parte do estoque, seca roupas e deixa tudo pronto para partir em minutos, caso surja gente na estrada.

Quando aparecem outros: negociar, ceder, reagir

Em certo ponto, o pai aceita dividir parte do que tem com um velho encontrado na estrada. Ele decide oferecer comida e companhia por uma noite, porque o menino insiste e porque recusar pode gerar conflito desnecessário. O obstáculo é o estoque limitado e o medo de que a conversa atraia outros. O efeito não é reconciliação; é um teste curto de confiança, com o adulto mantendo a arma por perto e o garoto observando o que um estranho faz com um prato quente.

Depois, a viagem sofre um golpe quando um ladrão aproveita um descuido e leva parte do carrinho. O pai decide perseguir, motivado por saber que perder comida significa encurtar dias de vida. O obstáculo é o terreno aberto e a chance de emboscada; correr expõe os dois e amplia o barulho. A consequência imediata é um confronto em que o pai impõe sua força e o menino reage ao modo como essa força é aplicada, porque a punição também educa.

Casa isolada e litoral: a rota sem garantia

Numa casa isolada que parece vazia, ele decide entrar para se proteger do frio e procurar mantimentos. A motivação é passar a noite em local fechado e ganhar horas de descanso. O obstáculo surge quando sinais dentro do imóvel indicam presença recente e reduzem a margem de recuo, ou melhor, tornam qualquer recuo barulhento demais. A dupla precisa escolher entre se esconder ali ou fugir de imediato. A consequência é uma retirada apressada, com perda de suprimentos e com a rota exposta a quem estiver seguindo.

Já perto do litoral, pai e filho alcançam a faixa de areia e encontram um mar cinzento, sem barcos, sem comida fácil, com vento que corta. O pai decide procurar abrigo antes de escurecer e reorganizar o pouco que sobrou. O obstáculo é que a costa é aberta e visível, e a ideia de segurança não se confirma. O efeito é a continuidade do deslocamento em novas condições: menos cobertura, mais frio, e a mesma necessidade de decidir rápido onde dormir e o que guardar para amanhã.

Filme:
A Estrada

Diretor:

John Hillcoat

Ano:
2009

Gênero:
Drama/Thriller/Tragédia

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

Redação

Recent Posts

Anatomia da saudade – Revista Bula

Elvis morreu. Elvis morreu de velho. A decadência física teve início com a queda gradual…

57 segundos ago

Ser mais otimista pode diminuir o risco de demência, diz novo estudo

Há cada vez mais evidências de que uma atitude positiva pode ajudar os adultos a…

44 minutos ago

Millie Bobby Brown deixa elenco de filme esportivo da Netflix e longa é cancelado

A saída de Millie Bobby Brown do elenco de ''Perfect'', novo drama esportivo da Netflix,…

1 hora ago

Drama biográfico sueco com Bill Skarsgård, no Prime Video, vai tocar seu coração

Depois de uma discussão intensa com a esposa, um escritor decide investigar a própria raiva…

1 hora ago

1 em cada 10 pessoas pode apresentar resistência aos medicamentos GLP-1

Muitos pacientes com diabetes tipo 2 tomam agonistas do receptor GLP-1, classe de medicamentos como…

2 horas ago

Está na Netflix o filme de ação que ganhou o Saturn e colocou a Finlândia no mapa do cinema brutal

Jalmari Helander dirige “Sisu” com Jorma Tommila, Aksel Hennie e Jack Doolan num filme de…

2 horas ago