A recriação de uma era dourada em que mulheres eram vistas como ornamentos do lar surge envolta em glamourosos vestidos de seda, penteados impecáveis e uma rotina de futilidades. Cuidando da casa com afinco, entre assados meticulosos e encontros no salão de beleza, elas habitam um mundo onde a felicidade é um espetáculo bem ensaiado, mascarando um vazio sufocante sob camadas de brilho e aparências.
Olivia Wilde revisita esse cenário em “Não Se Preocupe, Querida”, mas não apenas para saudar o passado. Já nos primeiros minutos, o espectador percebe que sua intenção é subverter o que está estabelecido. Utilizando figurinos e cenários de tirar o fôlego, a diretora costura suspense clássico com ironia mordaz. Sua câmera, ágil e inquieta, explora as rachaduras dessa utopia retrô, enquanto personagens enigmáticos desfilam pela tela, insinuando uma desconexão perturbadora que se revela aos poucos, sem pressa, mas com eficácia.
O roteiro, escrito por Carey e Shane Van Dyke e Katie Silberman, é um mosaico de sutilezas que Wilde transforma em cenas de imenso impacto visual e narrativo. Florence Pugh, como Alice, é o eixo emocional do filme. Sua personagem é uma dona de casa dos anos 1950 que vive para receber o marido, Jack, em um ambiente de design minimalista e modernidades da época. O que parece uma rotina monótona ganha tensão graças a pistas dispersas sobre o misterioso Projeto Vitória, para onde os homens partem diariamente, e que Wilde esconde até os momentos finais.
O charme das imagens é reforçado pela direção de arte de Erika Toth, que captura com precisão o estilo e a estética do período. No entanto, é na interação entre os personagens que a trama encontra seus momentos mais intensos. Chris Pine encarna Frank, o ambíguo líder de Shangri-la, com uma mistura inquietante de carisma e ameaça velada. O jantar em sua casa traz revelações ambíguas e provocações calculadas, ampliando a tensão que paira sobre o idílico cenário.
Enquanto Pugh eleva o filme com sua atuação magnética, Harry Styles, no papel de Jack, deixa a desejar. Sua performance depende quase exclusivamente da energia de sua parceira de cena, criando um desequilíbrio em momentos-chave. Wilde, que também atua como Bunny, exibe certa inconsistência, mas compensa como diretora ao conduzir o longa com mão firme. Mesmo quando o roteiro apresenta soluções fáceis, o filme atinge seu objetivo: desconstruir o glamour vazio de um sonho americano que nunca foi real.
Filme:
Não Se Preocupe, Querida
Diretor:
Olivia Wilde
Ano:
2022
Gênero:
Mistério/Thriller
Avaliação:
8/10
1
1
Fernando Machado
★★★★★★★★★★
As seis dezenas do concurso número 2981 da Mega-Sena foram sorteadas na noite deste sábado (7). E…
Crescer parece o sonho de qualquer criança, até o dia em que alguém descobre que…
Dassault Aviation registra 7,4 bilhões de euros em receitas em 2025 e lucro líquido ajustado…
O tenista brasileiro João Fonseca venceu o russo Karen Khachanov neste sábado, pela segunda rodada…
A fama costuma chegar como um sonho realizado, mas quase sempre cobra um preço que…
JOÃO PESSOA – A tarde deste sábado (07) marcou a última rodada de plenárias da…