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O filme de suspense de terror na HBO Max que usa sangue para falar de vazio existencial

Jovens orbitam num campo de emoções selvagens, a oscilar entre euforia, brandura e medo, numa fome inconsciente de poder captar o mundo que os rodeia. É aí, nesse terreno instável, que florescem as tantas descobertas e, claro, as cicatrizes, os obstáculos, as autossabotagens, as consagradoras vitórias. Os conflitos entre gerações nascem menos da diferença de idade e mais da diferença de aspirações, permeadas pela eterna busca de propósito e autonomia daqueles que querem transformar o mundo com o mínimo de esforço, tendo por grande aliada a tecnologia — embora muitas vezes fracasse até em limpar o próprio quarto. Guardadas as devidas proporções, é disso que trata “O Palhaço no Milharal”, um slasher típico, mas estilizado, sobre ameaças fantasiosas e bem concretas. Conhecido pela capacidade de unir terror e sátira, Eli Craig volta a exercitar a vocação tragicômica que o consagrou em “Tucker e Dale Contra o Mal” (2010), propondo um circo de horrores cujo picadeiro é ocupado por gente de pouca idade e muitas dúvidas, ainda que estique a corda um pouco além do razoável.

Mudanças

Glenn Maybrook e a filha, Quinn, mudam-se da Filadélfia para Kettle Springs, uma cidade do Missouri caída em desgraça após o revés econômico que levou ao fechamento da fábrica de xarope de milho Baypen. Comerciantes e moradores tentam reacomodar-se enquanto o grupo de delinquentes juvenis liderado por Cole Hill usa os escombros do velho galpão para encontros regados a cerveja barata e sexo, cenário da investida misteriosa e sangrenta de um assassino em série nada comum. Craig e o corroteirista Carter Blanchard adaptam o romance homônimo de Adam Cesare, de 2020, mencionando um evento nebuloso na história de Kettle Springs e esses rebeldes com alguma causa procurando um futuro para si. Habilidosamente, o diretor consegue levar o público pelo dédalo de sentimentos ocultos na plantação, confundindo quem assiste. Quinn parece uma garota egocêntrica e leviana, mas revela-se a heroína perfeita, combatendo adversários dissimulados e perigosos ao lado de Cole, o bad boy igualmente enganoso de Carson MacCormac. Numa guerra encarniçada contra Frendo, o saltimbanco do título, ela descobre que o malpode ter muitas caras, e Katie Douglas congrega as muitas entrelinhas dessa narrativa quase tola, mas que diz verdades urgentes sem medo de patrulhas.

Filme:
O Palhaço no Milharal

Diretor:

Eli Craig 

Ano:
2025

Gênero:
Mistério/Terror

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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