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O filme de Paul Thomas Anderson que venceu 6 Oscars, incluindo Melhor Filme, está na HBO Max

A repetição de ciclos autoritários mostra como as sociedades, incapazes de lidar com traumas históricos, alimentam mecanismos excludentes. A demonização dos imigrantes talvez seja o mais vistoso sintoma desse retrocesso, a desculpa ideal para que líderes manipuladores, hábeis em fomentar o medo, preservem sua influência e eternizem-se no poder. Atribuir a responsabilidade por fracassos civilizacionais como o desemprego, a pauperização, a miséria e a fome ao “outro” — o negro, o caipira, o estrangeiro, o ignorante, o analfabeto — é um expediente primário, mas efetivo, quanto a se garantir a manutenção de um sistema injusto, violento, pensado para isolar ricos de pobres, assegurados todos os privilégios daqueles. “Uma Batalha Após a Outra” é uma tentativa louvável de se abrir os olhos do mundo para a escalada de tensão e caos que toma a política, enrosco que nem a ONU controla mais. Entretanto, há alguns problemas a destacar.

Vício inerente

Paul Thomas Anderson possui um talento especial para levar essas histórias delirantes, farsescas, não raro patéticas, que chegam ao público sob a forma de verdades duras, que não se consegue perscrutar facilmente. Em seu roteiro, o diretor bate na tecla de guerrilheiros empenhados numa campanha de resistência contra uma engrenagem invisível, mas enérgica, que caça dissidentes de uma forma de governo que flerta com o totalitarismo. O filme abre com o French 75, um exército paramilitar de cidadãos descontentes, numa ofensiva metódica na fronteira entre os Estados Unidos e o México. As tropas conseguem invadir o alojamento das Forças Armadas americanas e libertar os imigrantes que aguardam pela deportação, mérito de Perfidia Beverly Hills, a líder do movimento. Anderson estica a corda ao opor Perfidia e o coronel Steven J. Lockjaw após a vitória dos rebeldes no primeiro combate, numa das cenas mais estranhas da história do cinema. E o que vem a seguir não vexa menos.

Uma batalha pelo Oscar

O encontro dos personagens de Teyana Taylor e Sean Penn define muito do que acontecerá no restante dos 162 minutos, retrato de uma acidentada obsessão sexual fartamente subsidiada por racismo e misoginia, decerto a mensagem mais forte do longa, livremente inspirado em “Vineland” (1990), a epopeia futurista de Thomas Pynchon. Esse joguinho de gata e rato prolonga-se para além do plausível, obnubilando aquele que poderia ser “o” assunto, a decisão de Perfidia de separar-se de seu companheiro, Bob Ferguson, logo depois de ter Willa, sua filha com ele. O que mais chama atenção em “Uma Batalha Após a Outra” é a capacidade de Anderson de desvelar em cada ator as qualidades em comum que dão ao longa a justa medida de frescor e extravagância. Leonardo DiCaprio faz por merecer sua indicação ao Oscar de Melhor Ator, entregue a Michael B. Jordan, de “Pecadores” (2025), dirigido por Ryan Coogler, e seu trabalho deve muito ao carisma e à dedicação de Chase Infiniti. Essa estratégia de duplas intersexuais mostra-se ainda mais bem-sucedida com Penn, eleito pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood o melhor ator coadjuvante, e Taylor, que disputou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, arrebatada por Amy Madigan, que rouba a cena em “A Hora do Mal” (2025), de Zach Cregger. Não foi surpresa, portanto, quando Nicole Kidman anunciou “Uma Batalha Após a Outra” como o melhor filme na 98ª premiação dos escolhidos da Academia, depois de Anderson ter desencantado e recebido as láureas de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção. Ainda que ele tenha sido muito mais feliz em “Sangue Negro” (2007), sua verdadeira obra-prima.

Filme:
Uma Batalha Após a Outra

Diretor:

Paul Thomas Anderson

Ano:
2025

Gênero:
Ação/Drama/Suspense

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

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