“Irmãos de Orfanato”, de Olivier Schneider, dá o primeiro golpe com uma ausência: Sofia morre em um acidente de estrada tratado como suspeito, e a notícia encurta qualquer distância entre Gab e Idriss. Os dois carregam o mesmo passado de orfanato, mas vivem de lados opostos — Gab, hoje na IGPN, e Idriss, um “fixer” ligado ao crime organizado —, o que torna o reencontro menos um abraço e mais um choque de interesses. A situação já nasce pressionada por gente interessada em apagar rastros, e o caso não oferece o conforto de uma investigação calma. A reaproximação acontece porque ficar parado passa a ser a pior escolha.
Leïla, filha adolescente de Sofia, acelera tudo ao recusar a espera e ir atrás do que consegue juntar. Ela encontra indícios que conectam o acidente ao filho de uma dirigente empresarial e percebe uma tentativa de abafamento, o que estreita o caminho e eleva o risco para qualquer pessoa insistente. A decisão de agir por conta própria transforma o luto em movimento prático: Leïla sai do lugar de “alvo” e vira agente, avançando mesmo quando o entorno tenta empurrá-la para o silêncio. É um gesto que abre portas, mas também acende alarmes.
A arma de Gab vira o ponto sem volta da logística quando Leïla a toma e sai atrás de uma organização poderosa. O gesto encurta o tempo de reação e cria dois problemas imediatos, inseparáveis: recuperar a arma e alcançar a adolescente antes que ela execute o que decidiu fazer. A perseguição não é só por resposta; é por contenção, porque cada minuto com a arma fora do alcance amplia o perigo e diminui a margem de escolha. Alban Lenoir dá a Gab uma urgência física que combina com esse estágio: o personagem corre atrás do que já escapou, tentando impedir que uma decisão em marcha vire fato consumado.
Idriss entra como aliado improvável porque o trajeto de Leïla não passa apenas por portas oficiais. Ele aceita fazer equipe com Gab para impedir que ela “cruze uma linha”, mas a parceria já nasce com um obstáculo interno: a ruptura antiga entre ex-amigos do orfanato. A cooperação precisa acontecer enquanto a confiança falha, e isso encurta conversas e torna cada passo mais áspero, como se qualquer atraso custasse caro. Dali Benssalah faz Idriss parecer alguém habituado a resolver problemas no atalho, e essa experiência ajuda quando o encobrimento tenta fechar saídas por fora e por dentro.
O polo empresarial aparece como foco do abafamento e muda o tipo de ameaça que a dupla enfrenta. Em vez de um adversário que se apresenta de frente, o que se confirma é a tentativa de conter informação e manter conexões fora de alcance, empurrando Leïla para ainda mais risco conforme ela avança. Para Gab e Idriss, a tarefa vira uma corrida em duas frentes: seguir a adolescente em movimento e lidar com uma engrenagem capaz de apagar rastros e dificultar aproximações. Quando as ações ficam coladas a esses fatos — ligação com gente poderosa, abafamento, arma nas mãos erradas —, a urgência se explica sozinha.
O passado comum dos dois homens funciona como obstáculo permanente no meio da pressa. Eles não se encontram como dupla pronta: se reencontram como pessoas que se conhecem demais e confiam de menos, obrigadas a correr na mesma direção porque Leïla já está adiante. Esse atrito evita automatismo porque contamina o trajeto: um carrega o peso de estar ligado à IGPN, o outro traz o hábito do arranjo e do risco, e a convivência precisa caber dentro de decisões rápidas. A parceria avança não porque resolve feridas antigas, mas porque a adolescente não espera.
A transição para a fase de corre-corre fica marcada por uma mudança de andamento: há um tempo maior para estabelecer o passado de orfanato e os caminhos incompatíveis, e depois a ação acelera quando a arma muda de mãos e a perseguição toma o centro. Essa troca pode parecer irregular para quem quer velocidade desde o primeiro minuto, mas ela deixa mais claro o tamanho do estrago quando Leïla escolhe seguir sozinha. A cada passo, o encobrimento reduz alternativas e força a dupla a operar no limite do que consegue alcançar. O impasse permanece direto: Leïla segue atrás de uma organização poderosa, e Gab e Idriss precisam chegar até ela com a arma recuperada antes que ela atravesse o limite sem volta.
Filme:
Irmãos de Orfanato
Diretor:
Olivier Schneider
Ano:
2025
Gênero:
Ação
Avaliação:
7/10
1
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Natália Walendolf
★★★★★★★★★★
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