Categories: Cultura

O filme de ação mais eletrizante da Netflix para o seu fim de semana

O homem passa a vida defendendo-se de seus próprios impulsos, abafando a vontade de rebelar-se contra toda a insana fantasia que o cerca, e dessa forma refina o propósito de se aperfeiçoar, de fazer da permanência neste plano um tempo um pouco menos atribulado. Sempre haverá episódios sobre os quais pouco se sabe — ou sobre os quais não se sabe tudo — envolvendo a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A Segunda Guerra continua sendo o saco sem fundo da História, e quanto mais se mexe, mais surgem enredos sempre macabros, por óbvio, mas que também guardam notas divertidas a respeito dos vilões e, mais importante, dos heróis que ganharam fama durante esse triste momento da humanidade. Dotando seu trabalho de ritmo, guinadas muitas vezes artificiosas, mas tecnicamente irrepreensíveis, referências metalinguísticas pouco óbvias e, sobretudo, humor, o tailandês Wisit Sasanatieng faz de “Ladrões de Ouro” o resgate de uma trama desconhecida pelos ocidentais, mas digna de filme. Levando a termo uma proposta ousada, Sasanatieng e os corroteiristas Weeravat Chayochaikon e Pipat Jomkoh esmiúçam os ardis de um grupo de rebeldes que desafia o exército nipônico para assaltar um trem carregado com uma fortuna. E, claro, coisas estranhíssimas acabam por acontecer.

Os ladrões do título querem para o si o ouro transportado para a Malásia, e estão dispostos a tudo para tê-lo. Fundindo comédia, ação, drama e um pouco de faroeste, Sasanatieng assume um ponto de vista declaradamente patriótico acerca dos confrontos entre seu país e o Japão. Os discursos de legitimação imperialista, como a “missão civilizadora” e a crença na superioridade racial, é um argumento que o diretor sabe explorar, apontando as injustiças e os ressentimentos que foram cristalizando-se entre as duas nações. Trabalhando com essa premissa, o filme abrevia o espaço entre diversão e política, chegando a ensaiar teses acerca da atual criminalidade na Tailândia, baixa em comparação com seus vizinhos do Sudeste Asiático. Na primeira sequência, o bando de Kowa Thung Song planeja o ataque às tropas de Hirohito (1901-1989) de uma maneira insólita: eles põem para tocar no gramofone o som de um pássaro-de-fogo-siamês, a ave nacional da Tailândia, e a partir desse ponto as situações de um vívido nonsense da trama adquirem uma forma. Sasanatieng nunca volta atrás quanto à estética carnavalesca da narrativa, o que se comprova pela onipresença da computação gráfica. Petchtai Wongkamlao lidera um elenco afinado e talentoso, num filme para os já iniciados, que sabem que nem tudo que reluz é ouro. E, assim mesmo, tem valor.

Filme:
Ladrões de Ouro

Diretor:

Wisit Sasanatieng

Ano:
2025

Gênero:
Ação/Comédia/Drama/Faroeste

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Redação

Recent Posts

Chegou à Netflix a história de amor que está fazendo muita gente pensar na vida que poderia ter vivido

Escrito e dirigido por Celine Song, “Vidas Passadas” reúne Greta Lee, Teo Yoo e John…

40 minutos ago

Metrô do aeroporto de Congonhas é inaugurado

Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo entra em operação conectando o Aeroporto de Congonhas…

49 minutos ago

Stoxx 600 tem a maior queda mensal desde 2022; bolsas europeias fecham em alta

O índice Stoxx 600 encerrou março com uma desvalorização aproximada de 7%, registrando o pior…

50 minutos ago

veja qual é a fase lunar desta terça-feira, 31 de março de 2026

Nesta terça-feira, 31 de março, a Lua está em sua fase Crescente. Ela entrou nessa…

1 hora ago

Tg.mob apresenta Cristina Gomes como nova sócia e amplia estrutura de governança

A tg.mob, companhia especializada em mobilidade corporativa e logística para eventos, anunciou a inclusão de…

2 horas ago

Lei reestrutura carreiras no Executivo e cria mais de 24 mil cargos

Mais de 200 mil servidores do Executivo Federal terão as carreiras reorganizadas, com a criação de…

2 horas ago